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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Semana da Kès  
Décimo terceiro post da série de posts atrasados. Faltam poucos, já estou no meio de janeiro postando sobre coisas do começo de dezembro...

A Kès é a associação de alunos da École Polytechnique. É tipo um centro acadêmico assim, mas só em primeira aproximação: a Kès faz bem mais coisas pelos alunos do que faria qualquer centro acadêmico. Ela surgiu como um centro financeiro: "Kès" tem a mesma pronúncia que "caisse", que quer dizer algo como "fundo" (no sentido como em "fundo de investimento", coisas do tipo...), e ela surgiu como ajuda financeira aos alunos da Polytechnique. Mas ela foi logo se tornando uma espécie de centro dos alunos. Hoje, a Kès é a que mais trabalha pelos alunos. Na École Polytechnique, todos os alunos podem participar dos binets, as associações de alunos. Tem binets de todos os tipos: alpinismo, mergulho, pára-quedismo, binet de enologia, binet que organiza competição de 24h de natação, binet de remo, binet para organizar o baile anual da escola, binet de cervejas européias, binet de alunos cristãos, binet de ski, binet latino, binet de fotografia; enfim, tem uma bela centena deles, e os alunos podem criar um, se tiver interesse. Esses binets são todos ligados à Kès, e todos recebem dinheiro da Kès pras atividades. Não são só os binets que recebem dinheiro da Kès: a Kès paga parte de uma viagem com a turma pros alunos do 3º ano (a viagem do 2º ano normalmente é paga em parte por um banco). E da onde a Kès tira tanto dinheiro assim? Em geral, empresas. As empresas investem na Kès, às vezes em troca de um anfiteatro onde eles vão apresentar a empresa pros alunos, pra tentar contratá-los. Os alunos também pagam uma taxa mensal pra Kès, mas acho que não é muito o dinheiro que eles recebem daí, proporcionalmente. Enfim, a Kès é como um centro acadêmico, mas um que funciona.
E por que eu falo tanto da Kès? Porque, na semana de 30 de novembro a 4 de dezembro, foi a semana da campanha Kès. Todo ano, muda a chapa da Kès, e essa semana é a semana em que as chapas se apresentam, logo antes das votações. E é uma semana muuuuuito diferente de uma semana comum. Em primeiro lugar, as chapas Kès tem sempre um nome com Kès no meio. A atual chapa Kès, a que ganhou essas eleições, foi a CoKès-Cola, que disputou com a OSKès 117 e com a PoKèst-it; a chapa Kès antiga era a KroKèsdile, enfim, isso é praticamente uma tradição. Durante a semana Kès, o Grand Hall, o hall principal da Polytechnique, um espaço gigante, é o lugar onde as chapas montam os estandes. E o que eles fazem lá? Distribuem comida de graça, por exemplo. Você pode passar lá tomar um café, comer um crêpe, jogar vídeo-game, participar das atividades. Durante a semana teve, por exemplo, um touro mecânico, ou carrinhos de corrida, e inclusive o diretor-geral da escola, um militar, estava lá um dia brincando nos carrinhos de corrida. Normalmente são poucas chapas Kès que concorrem, nesse ano foram três, mas tem sempre várias chapas-piada, que não vão participar das votações mas que fazem alguma coisa. E as chapas fazem tradicionalmente uma "intervenção" nas aulas. Na aula de mecânica (um anfiteatro lotado com 400 alunos), por exemplo, vááááárias chapas fizeram intervenções, e até o professor participa. Tinha um aluno na primeira fila que fingia estar dormindo; o professor fingiu chamar a atenção dele e uma chapa Kès foi lá, pegou o cara, amarrou ele em uma corda e puxou ele até o teto do anfiteatro; minutos depois, ele desceu do teto com o livro de mecânica na mão. As intervenções com as chapas sérias contam normalmente com a participação do comandante de promoção, o militar responsável pelos 500 alunos de uma turma. Nesse anfi de mecânica, por exemplo, todo o pessoal da chapa CoKès-Cola e o comandante de promoção desceram do teto vestidos de Papai Noel e saíram distribuindo balas pros alunos; no final, um cara fantasiado de urso branco deu uma garrafa de Coca-Cola pro comandante de promoção vestido de Papai Noel. Em um outro anfiteatro, o pessoal da OSKès 117 simulou o seqüestro do comandante de promoção, que apareceu no meio do anfiteatro com a camiseta rasgada, de joelhos, mãos amarradas e boca amordaçada, mas um aluno da chapa apareceu para salvá-lo, e o tirou do anfiteatro nas costas de um camelo. Sim, de um camelo de verdade! Nesse mesmo anfiteatro, um pessoal entrou lá de moto; o comandante de promoção simulou que expulsava eles de lá e que corria atrás deles, e saiu correndo; voltou alguém vestido de comandante de promoção mas com post-its colados pelo corpo todo: foi a intervenção da PoKèst-it. Dizem que essa campanha não é nada barata: fazer crêpes e distribuir cafés de graça todo dia, colocar vídeo-games pros alunos, dar um presente pra cada um dos 500 alunos da turma (isso foi só a CoKès-Cola que fez), colocar um touro mecânico no Grand Hall, fazer corridas de carros, alugar um camelo, isso tudo sai caro, e todo o dinheiro em geral vêm de empresas que têm interesse em se apresentar pros alunos da escola. Enfim, essa semana me impressionou, apesar de eu não ter participado de quase nada (estava com a corda no pescoço por causa dos estudos), e de ter comido o primeiro crêpe só no último dia da campanha: é incrível como uma eleição pra Kès pode chamar tanta atenção assim, como tanta gente participa e como eles conseguem tanto dinheiro!
Ah, a propósito, o resultado da eleição: a CoKès-Cola ganhou da OSKès 117 no segundo turno por 2 votos! 2 votos!! Enfim, foi uma semana com uma campanha eleitoral beeeeeeem diferente das campanhas eleitorais convencionais.
# postado por Gui em 23:05:00
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sábado, 30 de janeiro de 2010

Paris  
Mais um post da série de posts atrasados - o décimo segundo. Algum dia eu termino todos esses e começo a postar no meu blog as coisas que acontecem comigo a cada semana. Ou não...

1. Aniversário do George
Dia 26 de novembro é o aniversário do George, um dos brasileiros aqui da Polytechnique, e, pra comemorar, a gente foi pra Paris, primeiro num restaurante e depois no teatro. É bom assim, sair em Paris, conhecer novos restaurantes e novos bairros. Esse um em que a gente foi, por exemplo, fica em uma região de Paris que eu não conheço muito, a região de Montmartre, 18ème arrondissement, na mesma região que a Sacre Cœur, o Moulin Rouge e... bom, e outras coisas ali em Paris. O restaurante se chama Le Relais Montmartre e, bom, mais precisamente, é esse aqui. O restaurante tinha cara de ser bem chique e até um pouco caro, mas, como a gente foi em um grupo grande, o preço foi razoável. E o mais legal de tudo: assim que a gente chegou, o cara ligou o piano. Sabe piano automático? Daqueles de filme? Em que a partitura vai passando e as teclas vão tocando sozinhas?!?! Pois é, eu vi um desses lá no restaurante!!! Nunca tinha visto; pra mim, era lenda de filme e de desenho animado, mas, nem, existe!!
Enfim, mal começou a janta, o George me chamou pra sair. A gente ia no teatro às 21h, depois da janta, mas a gente não tinha comprado os bilhetes ainda. Como somos jovens, a gente tem direito a desconto no teatro, maaaaaaaaaas o bilhete mais barato só ia começar a ser vendido às 20h. Eu e o George fomos lá, primeiro pra saber onde era, o que nos preocupou um pouco, já que era a uns 10min de caminhada rápida do restaurante; chegando lá, ainda não eram 20h, e a gente teve que esperar pra comprar mas, ao menos, conseguimos comprar os bilhetes de todo mundo. Voltamos pro restaurante e tivemos que jantar correndo e que apressar muito o pessoal pra conseguirmos chegar a tempo no teatro. A janta lá é mó boa; comi salmão como prato principal, e a sobremesa tava uma delícia. E mal o pessoal terminou de comer, eu e o George começamos a apressá-los e a pagar pra correr até o teatro. Literalmente: corremos uma parte do caminho, mas chegamos a tempo, e a peça ainda atrasou um pouco pra começar. A gente foi no Petit Théâtre de Paris, que é uma sala dentro do Théâtre de Paris, e a peça que a gente viu foi Les Femmes Savantes ("As Mulheres Sábias", em tradução livre). É uma comédia de Molière escrita em 1672 e é muuuuuuuuito engraçada. Como toda comédia, o começo não é lá tão engraçado, e você fica com medo de ser assim até o final; além disso, por ser em francês, tem sempre o medo de todo mundo rir e você ficar com cara de anta por não ter entendido a piada. Mas não é o caso: apesar de ser de 1672, é fácil de entender, o vocabulário não é tão complicado. E a história é boa (possíveis spoilers a partir deste ponto): é uma família, pai, mãe e duas filhas, na qual a mãe, Philaminte, e uma das filhas, Armande, a mais velha, são "sábias": adoram poesia, literatura e ciências, enquanto que o pai, Chrysale, e a filha mais nova, Henriette, não estão nem aí. O problema é que o Chrysale é um fracote, que sempre segue a vontade da esposa, que tem um gênio forte, e a Henriette se apaixona pelo Clitandre, e o pai dela apóia o casamento, mas a mãe dela é fortemente contra, porque ela quer que Henriette se case com um "sábio", um tal de Trissotin. A história gira em torno disso, e as situações vão ficando cada vez mais engraçadas; Molière explora o humor sobre os personagens e sobre a situação. Uma piadinha para os francófonos, por exemplo: em um momento, por exemplo, Philaminte resolve demitir a empregada, Martine, porque ela cometeu um erro de gramática (já tem humor aí pelo absurdo da situação!), e aí o diálogo entre elas é:
— Veux-tu toute ta vie offenser la grammaire ?
— Qui parle d'offenser grand'mère ni grand'père ?
A tradução não tem graça alguma: "você quer ofender a gramática toda a sua vida?" "Quem falou de avó ou avô?", mas, no francês, a pronúncia de "gramática" e "avó" é bem parecida. Tá, não é uma das melhores piadas da peça, mas é que eu rio de qualquer coisa também (e que eu não lembro das outras mas essa eu achei na Internet). Enfim, pra quem tiver oportunidade de ir ver a peça, eu recomendo!
E, depois disso, a gente já voltou de Paris, que estava consideravelmente tarde, e era quinta-feira.

2. Compras em Paris
E, dois dias depois, no sábado, eu fui pra Paris, pela última vez em 2009, pra comprar os souvenires pra levar pro Brasil. Não sou lá muito fã de compras, mas até que comprar souvenires é legal: consegui um desconto nos chaveiros da Torre Eiffel, por exemplo, comprei 25 e paguei 20. Comprei também uma camiseta de Paris (essa foi pra mim mesmo), presentes pros primos (como é difícil comprar presente pra criança! Você nunca sabe se elas vão gostar ou não!), lembranças pra família, etc; acabei passando mó tempo lá. Até pensei em andar um pouco por Paris depois, mas andar com uma sacola gigante lotada de presentes não é nem um pouco prático, e acabei voltando meio cedo de Paris. E, bom, Paris, de novo, só em 2010...
# postado por Gui em 23:21:00
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pequena mudança  
Descobri hoje que o sistema de comentários que eu uso pra esse blog, o HaloScan, vai fechar no dia 11 de fevereiro. É a segunda vez que o sistema de comentários que eu uso fecha, mas dessa vez vou mudar pro do Blogger, que é um pouco mais confiável. Se tudo der certo, não vou perder os comentários nos posts antigos, mas só vou ter tempo de mexer nisso em algum fim de semana (nesse, ou no próximo, ou no próximo, ou no próximo...). Se o sistema de comentários não estiver funcionando, é porque eu não mexi nisso ainda...
# postado por Gui em 22:30:00
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sábado, 16 de janeiro de 2010

Munique  
Depois de um bom tempo sem postar, explicado pelo fato de eu ter voltado para a França e ter encontrado quatro trabalhos para fazer em duas semanas e quatro provas na terceira semana (que, diga-se de passagem, é a semana que vem), volto com os posts atrasados: eis o décimo primeiro. No fim de semana de 14 e 15 de novembro, aproveitando que era logo depois das provas (como tem prova aqui, né, teve prova aquela época, tem prova agora...), fui viajar a Munique, onde o Fábio mora. Apesar do tempo não ter ajudado muito, a viajem foi bem legal; ei-la:

1. Odisséia para pegar o trem
Dica: não confie na RATP, a empresa de transportes de Paris. Minha aula acabava às 17h45 e meu trem para Munique partia da Gare de l'Est às 19h47. Segundo o planejamento que eu fiz com a ajuda do site da RATP, eu poderia passar em casa, pegar minha mala com tranqüilidade, verificar se não tinha esquecido nada e partir tranqüilamente, pra chegar na estação com 20 minutos de antecedência. Tranqüilíssimo, né? Maaaaaaas é a RATP. Saí de casa no horário certo e peguei o trem pra Paris no horário plajenado. Mas o trem parava em toooooooooooooodas as estações até Paris, o que aumenta em 8 o número de estações em que ele pára. Até aí, tudo bem, o site da RATP devia prever isso e eu iria chegar no horário, talvez uns 5 minutos depois, mas ainda 15 minutos antes do trem partir. E aí o trem começou a lotar, e parar três vezes mais que o previsto em cada estação. A Gare du Nord, onde eu deveria pegar o metrô para a Gare de l'Est, é a última estação de Paris. Entre duas estações, o trem parava no meio do nada, e ficava lá; dava um toquinho para a frente e parava de novo. A cada microssegundo, eu olhava no relógio 20 vezes, e tirava o mapa de metrô de Paris do bolso pra ver se não tinha uma rota que chegaria mais rápido na Gare de l'Est, mas nada, o jeito era agüentar até a Gare du Nord... e agüentei. Cheguei lá faltando uns 8 minutos pro trem partir, e eu ainda tinha que pegar um metrô pra Gare de l'Est. Fui correndo feito um louco até o metrô, e tive a sorte de o metrô chegar em pouco tempo. Ele desceu na Gare de l'Est e eu saí voando; segundo o relógio de lá, faltavam 3 minutos pro meu trem sair. Corri, achei o trem, que era imenso, e, segundo todas as Leis de Murphy, o meu vagão tinha que ser um dos últimos. Entrei finalmente no trem e cheguei no meu vagão. Um minuto depois, as portas se fecharam e o trem partiu.

2. Trem da meia-noite da sexta-feira 13
Alguns podem pensar, porque escolher trem pra ir de Paris a Munique e não avião? Em primeiro lugar, preço não é a razão: o preço é praticamente o mesmo, o avião fica só ligeiramente mais caro por causa das taxas de emissão e de embarque. O problema mesmo eram os horários: de avião, ou eu saía na sexta à noite pra chegar tarde da noite na sexta, ficando cansado e acordando tarde no sábado, ou eu saía sábado de manhã e perdia parte do meu dia no sábado. O trem rápido é caro demais, então acabei optando pela linha noturna. Essa linha faz o trajeto de Paris a Munique em 11h29min (a distância em linha reta entre as duas cidade é de uns 680km; o trajeto de carro é de 841km e demora umas 7h39min, segundo o Google Maps. Ou seja, é quase como que ir de Cândido Mota a São Paulo de trem (na época em que isso era possível)). Essa linha noturna chega até que rápido na Alemanha, mas, lá, ela pára em cada vilarejo com mais de 5 habitantes, e fica meia hora em cada um deles. Ou foi o que me disseram, já que eu comprei passagem na caminha e não vi nada da viagem. A caminha é mó confortável: apesar de o colchão ser duro feito uma pedra (tá, nem tanto, mas bem duro), vem com um travesseiro e uma coberta, e o trem chacoalha pouco. Na ida, eu fiquei um tempo conversando com o pessoal no vagão e depois dormi, e acordei só chegando em Munique, dormi muuuuuito bem. E, bom, eu só me dei conta alguns dias antes de embarcar também que o meu trem partia numa sexta-feira 13: eu ia passar a meia-noite de uma sexta-feira 13 dormindo em um trem perdido no meio do nada entre Paris e Munique. Cena perfeita pra um filme de terror, mas a viagem foi bem, nenhuma pane o trem no meio do caminho, nada de assombrações ou coisas do tipo.

Corredor das cabines de segunda classe (onde eu fiquei, claro)

O trem em si é bem limpinho, organizado, superou as expectativas. O problema é que o trem é alemão, e eles falam tudo em alemão por lá; o pobre coitado aqui foi pedir água em francês e tive que recorrer ao inglês pra conseguir comprar a garrafa. O trem tem até primeira classe, que é bem mais chique que a segunda...

Vagão de primeira classe. As cabininhas têm até olho mágico (não sei pra quê, mas têm!)

É claro que eu só vi o vagão de primeira classe porque era logo ao lado do meu, de segunda classe, e porque era lá que tinha o carinha que vendia água; acho que, do jeito que eu estava, eu seria expulso de lá rápido. Enfim, logo após entrar no trem, a primeira coisa que fiz foi guardar minha mala na cabine, pegar uma toalha e ir ao banheiro. Não, não tinha ducha, mas, do jeito que eu estava suado de ter corrido pra não perder esse bendito trem, tive que me virar e me limpar com a água da pia mesmo; não ia ser nada confortável dormir suado daquele jeito até Munique... depois disso ainda fiquei passeando pelo trem pra ver o que tinha; entrei na cabine e tinha dois caras lá conversando, e acabei entrando na conversa: um dos caras era franco-alemão (pai francês e mãe alemã) e o outro era da Eslovênia. Aproveitei pra comer algumas das coisas que eu tinha levado, e depois fui dormir que a viagem ainda era longa...

3. A chegada em Munique


München Hauptbahnhof, a estação central de Munique

E, precisamente às 7h16 da matina, o trem parou na Hauptbahnhof de Munique, a estação central (isso porque o trem era alemão; se fosse francês, aposto que ia chegar com atraso). Pouco tempo depois o Fábio chegou pra me buscar lá, e a gente foi até o apartamento dele, que fica a cerca de uns 10min do centro de Munique. Deixei minhas malas, tomei um banho e a gente foi pro centro da cidade. O plano era ir até um castelo que tem em uma cidade próxima, mas o trem pra lá ia demorar um pouco e a gente aproveitou pra passear pela região próxima à estação antes.

Na frente de uma coisa redonda estranha que fica quase ao lado da Hauptgahnhof (pra quem não viu, eu tô no meio do treco lá!)

A gente andou pelo Alter Botanischer Garten, literalmente Antigo Jardim Botânico, um parque perto da estação. Próximo de uma das entradas desse parque, tem esse treco vermelho gigante, chamado simplesmente de "Ring". O parque estava muito bonito no outono, com um monte de folhas secas no chão.

No Alter Botanischer Garten

E de lá a gente já voltou para a estação, que já estava na hora do trem.

4. O trem para o castelo
O castelo que a gente ia visitar é o castelo de Neuschwanstein, que fica em Hohenschwangau, um distrito de Schwangau, próximo a Füssen, uma cidadezinha alemã a cinco quilômetros da fronteira com a Áustria e a uns 90km de Munique (umas duas horas de trem ou mais, já que nem tem trem direto e tem que ir até Kaufbeuren, outra cidade pequena ali por perto). O primeiro trem que a gente pegou foi pra mim algo bem típico alemão: no vagão em que a gente estava, todo mundo estava falando alto e bebendo cerveja. Até fiquei com medo de, a hora que o guardinha fosse passar verificando os bilhetes, ele reclamasse com a gente por a gente não estar bebendo! Mas, enfim, depois de dois trens e um ônibus, a gente chegou perto do castelo de Neuschwanstein.

Paisagem que se vê do trem. Nada mal, né? As montanhas ao fundo são os Alpes


5. Castelos de Hohenschwangau e Neuschwanstein
Depois de mais de duas horas de viagem, a gente chegou em Hohenschwangau, da onde já era possível ver o castelo de Neuschwanstein.

Castelo de Neuschwanstein visto de Hohenschwangau

E agora um pouco de história do castelo, ou melhor, dos castelos, já que tem dois, tem também o castelo de Hohenschwangau, que foi o primeiro a ser construído. Sua construção começou em 1833 sobre as ruínas da fortaleza de Schwanstein, uma fortaleza que já existia no século XII. O castelo de Hohenschwangau foi construído pelo rei Maximiliano II, e era usado como residência de verão; uma boa idéia, já que a região ali é mó bonita.

Castelo de Hohenschwangau

Depois da morte de Maximiliano II, o seu filho, rei Luís II, usou o castelo até construir o seu próprio, o de Neuschwanstein. Depois disso, o castelo de Hohenschwangaun ficou só para a mãe de Luís II, Maria da Prússia, até a morte dela, em 1889; o cunhado dela morou lá até 1912, e, em 1913, o castelo foi aberto ao público. Já Neuschwanstein começou a ser construído pelo rei Luís II em 1869, no alto de um morro próximo a Hohenschwangau. O castelo em si é, segundo o próprio rei Luís II em uma carta, no autêntico estilo dos antigos castelos dos cavaleiros alemães, e ele é conhecido por ter inspirado o castelo da Bela Adormecida, o famoso castelo símbolo da Disney. Grande parte das salas do castelo são inspiradas nas obras do compositor alemão Wagner, e o tema do cisne está presente em todo o castelo (Neuschwanstein quer dizer "novo cisne de pedra"; também, Hohenschwangau quer dizer "grande condado do cisne"): o ciste era o símbolo medieval dos cavaleiros da região de Schwangau. Luís II acabou ficando pouco tempo no castelo: ele se mudou para lá em 1884, e morreu em 1886, após ter sido declarado insano; dois meses depois da sua morte, o castelo foi aberto a visitas para o público, em parte para pagar o financiamento da construção, já que, na morte do rei, o castelo estava ainda inacabado.

6. Visita do castelo de Neuschwanstein
Chegando lá, fomos logo comprar o bilhete para a visita guiada do castelo. Só se pode visitar o castelo com a visita guiada, e é proibido tirar fotos do interior; além disso, a bilheteria fica no pé do morro onde está o castelo: são uns 40min de caminhada a pé para subir, ou então tem que esperar um ônibus para levar até lá em cima. Como o próximo tour em inglês ia demorar, a gente aproveitou o meio tempo para almoçar. O problema é que, depois do almoço, ficou um tanto corrido, pois já era quase a hora do tour: a gente teve que correr para pegar o ônibus e, chegando lá, correr até a entrada do castelo, já que o ônibus pára um tanto antes. Ainda assim chegamos alguns minutos antes de chamarem para o tour.

Pátio interno do castelo de Neuschwanstein

O castelo é bem bonito por dentro, mas achei o tour guiado um tanto caro, relativamente rápido e, bom, vai, deveria poder tirar fotos também! A gente passou por várias salas do castelo: a sala do trono, que não tem trono porque o rei morreu antes de construírem; a suíte principal do rei, ultra-detalhada, na cama, nas portas e nas paredes, e com uma pia com torneira em formato de cisne de bronze (ou era prata? Não lembro...); um hall imenso projetado para músicos e dramaturgos, usado em algumas apresentações atualmente, e todo decorado com motivos das obras de Wagner, dentre outras. Enfim, a visita vale a pena: o castelo é muito bonito por dentro. Além disso, ele é bem moderno: o rei Luís II era um amante de modernidades, e foi inclusive um dos primeiros a introduzir o uso de eletricidade na região da Baviera.

7. Passeando pela região do castelo
Depois da visita, como já era meio tarde pra visitar o castelo de Hohenschwangau, a gente ficou andando a pé pela região ali. É uma região montanhosa, com várias trilhas e vários pontos ótimos para fotografia.

Foto na entrada do castelo

A gente foi primeiro perto da entrada principal do castelo, onde a vista já é bem boa.

Vista panorâmica a partir do pátio na frente da entrada principal do castelo

De lá, andamos até um ponto de observação próximo, de onde dá pra se ver bem o castelo e também a paisagem em volta.

Castelo de Neuschwanstein visto do ponto de observação


A paisagem da região

De lá, andamos até um outro ponto da onde é possível ver o castelo de Hohenschwangau e a paisagem em volta dele.

Vista panorâmica da região do castelo de Hohenschwangau.

Este ponto, na verdade, fica no meio do caminho entre o castelo de Neuschwanstein e a Marienbrücke, uma ponte que tem uma das melhores vistas de Neuschwanstein.

Castelo visto da Marienbrücke.

Essa Marienbrücke já era um ponto de bela observação da paisagem conhecido do rei Maximiliano II, e Luís II reformou a ponte enquanto construía o castelo.

Foto clássica de turista na Marienbrücke

A gente ficou um tempão lá tirando fotos, até porque a vista ali é muito bonita.

A Marienbrücke até que é bem altinha, viu!

Lá da Marienbrücke, a gente viu um pessoal andando lááááá embaixo, num pequeno córrego que passa por lá, e a gente resolveu descer. E o lá embaixo é lá embaixo mesmo: a descida é uma escada de 295 degraus (sim, eu contei, mas na volta, subindo; é exatamente a mesma quantidade que a escadaria de Lozère), que termina no pé do morro sobre o qual foi construído Neuschwanstein. Tem um pequeno lago lá, alimentado por uma cachoeira que passa por baixo da Marienbrücke.

Marienbrücke. O lugar para a construção da ponte é ótimo, né?

O lugar ali é bem agradável pra se passear e tirar fotos; imagino que deva ser melhor ainda num dia de sol.

Córrego que passa atrás do castelo

De lá, a gente foi embora, o que não é uma tarefa muito fácil: a gente estava no pé do morro onde estava o castelo, e a cidade e ponto de ônibus ficavam também no pé do morro, mas do outro lado. Como o morro é meio grande e não dava pra contornar, a solução foi subir os 295 degraus e descer do outro lado. Um pouco cansativo, mas a gente fez uma pausa pra lanches no meio do caminho.

Castelo de Neuschwanstein à noite


8. De volta a Munique
Voltamos para Munique, e, depois das 2h de viagem, chegamos lá por volta das 21h. Ainda deu tempo de passear um pouco pela cidade e ver os pontos principais à noite. Por exemplo, a Neues Rathaus, a prefeitura de Munique.

Neues Rathaus à noite

Jantamos ali por perto (se é que McDonald's pode ser considerado janta) e depois fomos andar mais pela cidade. Ah, e sobre a janta: acredita que o McDonald's na Alemanha não queria aceitar o meu cartão de crédito porque eu não tinha assinado atrás na faixa pra assinar?!?!?! Eu tinha o cartão desde o começo do ano, já tinha usado na França, na Espanha, em Portugal, na Inglaterra, na Irlanda, na Escócia, na Suíça e nas Ilhas Canárias e ninguém tinha reclamado comigo de eu nunca ter assinado atrás! Tinha que ser os certinhos dos alemães mesmo pra reclamarem! Bom, mas, enfim, andamos um bocado pelo centro de Munique e também às margens do rio Isar, o rio que passa por Munique.

Rio Isar e, ao fundo, o Deutsches Museum


Calçada às margens do rio Isar

Passamos por vários lugares no centro da cidade e depois voltamos pra casa do Fábio: a gente acordaria cedo no dia seguinte pra fazer o Free Tour.

Centro de Munique à noite. Segundo o Fábio, tem mais gente nas ruas quando não chove...


9. O Free Tour

9.1. Marienplatz e Neues Rathaus
Munique, assim como várias outras cidades grandes européias, tem o Free Tour da New Europe. Já comentei algumas vezes aqui sobre esse tour, que eu já tinha feito em Dublin e em Edimburgo, e que funciona na base de gorjetas: você vai ao tour e, no final, paga quanto achar que vale. O de Munique é bem legal. Ele começa na Marienplatz, a praça em frente a prefeitura, a Neues Rathaus.

Neues Rathaus em Munique

Apesar do nome ("Neues Rathaus" é "Nova prefeitura"), o prédio tem bem cara de antigo. De fato, quando ele foi construído, entre 1867 e 1908, a idéia era que ele tivesse uma cara mais antiga que o prédio antigo da prefeitura, apesar de ser mais novo. Durante a Segunda Guerra Mundial, boa parte da cidade foi destruída, inclusive os prédios da Marienplatz, e o prédio antigo da prefeitura, mas não a Neues Rathaus. Depois da guerra, o prédio da antiga prefeitura foi reconstruído, e o prédio da nova prefeitura acabou finalmente sendo mais antigo que o prédio da antiga prefeitura, afinal a Neues Rathaus foi bem pouco destruída em comparação com os outros prédios. O tour passa um bom tempo na Marienplatz, falando também sobre a estátua de Maria em ouro que dá nome à praça e que fica bem no meio, estátua feita para comemorar o fim da ocupação sueca depois da Guerra dos 30 anos. O tour também falou sobre o Rathaus-Glockenspiel, que é uma animação na torre da prefeitura, com bonecos em tamanho real.

Rathaus-Glockenspiel

Essa animação, com bonecos em tamanho real, toca todo dia, durante uns 15 minutos, às 11h da manhã, e ela é dividida em duas histórias que se passam: um casamento e uma festa. A gente não ficou para assistir, apesar de a gente ter visto uma parte da animação enquanto passávamos por lá.

9.2. Frauenkirche
De lá, fomos até a Frauenkirche, uma igreja construída entre 1468 e 1525 que fica bem no centro de Munique.

Frauenkirche, em Munique

A igreja foi construída porque a igreja antiga que havia em Munique, de 1240, estava ficando pequena demais para o tamanho da cidade. Por causa disso, a nova igreja começou a ser construída em 1468 e, em 1479... acabou o dinheiro! Começou então uma grande campanha para financiar a construção da igreja e, segundo a lenda, quem mais contribuiu foi o diabo em pessoa. Isso porque, um belo dia, o diabo resolveu ir ver como andava a construção dessa tal de igreja em Munique. Ele deu uma passadinha por lá à noite e, olhando da porta, ele percebeu um detalhe interessante: a igreja não tinha janelas. Ora, sem janelas, a igreja ia ficar escura; igreja escura é igreja das trevas, e quem é o príncipe das trevas senão o diabo? Ele gostou dessa idéia e foi falar com o arquiteto: ele ajudaria a construir a igreja desde que nenhuma janela fosse colocada lá; senão, ele ficaria com a alma do arquiteto (alma pelo visto é a moeda padrão em todas as negociações que envolvem o diabo nas lendas). A igreja conseguiu dinheiro pra construção, terminou e aí o diabo foi lá pra ver como que tinha ficado o resultado. Quando ele entrou lá, a igreja estava completamente iluminada por dentro por diversas janelas. Óbvio que ele ficou p(*) da vida e foi falar com o arquiteto, que levou ele então pra entrada da igreja: da entrada, onde o diabo tinha ficado no primeiro dia, não dá pra ver nenhuma janela: todas elas ficam escondidas por colunas. Nenhuma janela tinha sido colocada depois daquele dia, e, nos termos do trato, o diabo tinha ajudado a construir a igreja e não ficava com a alma do arquiteto, ou seja, ele tinha sido enganado, e a igreja tinha sido terminada. Mas o diabo, p(*) da vida, que nem entrar na igreja ele podia, já que ela já tinha sido consagrada, ficou tão furioso que o pé dele derreteu o ladrilho do átrio onde ele estava pisando. O que explica isso:

Pegada do diabo na entrada da Frauenkirche

E voilà uma grande história pra explicar uma pegada misteriosa que está no átrio da igreja desde a construção, e também como é que a igreja conseguiu ser finalmente construída depois de tantos problemas de falta de dinheiro. Por dentro, a igreja é bem bonita, apesar de bem simples, mas ela é muito bem iluminada.

Interior da Frauenkirche. De fato, desse ponto, não dá pra ver nenhuma janela...


9.3. Centro de Munique e Viktualienmarkt
Depois disso, visitamos vários lugares no centro de Munique. O guia contou várias histórias, principalmente relacionadas ao nazismo e em como os alemães vêem essa parte da história deles: Munique foi onde nasceu o movimento nazista, foi a cidade onde Hitler tentou o seu primeiro golpe, em 1923, e a situação não ficou nada fácil para os judeus de lá, evidentemente. E, depois de passar na frente de algumas igrejas e museus (o pessoal do Free Tour vive dando dicas do que fazer depois do tour: quais são os melhores museus - e os dias em que eles são de graça, se for o caso; quais torres de igreja tem a melhor vista da cidade pelo menor preço, etc.), a gente parou no Viktualienmarkt, uma praça no centro de Munique onde tem diariamente, desde 1807, um mercado de comidas. Como era domingo, o mercado estava fechado, e o guia comentou que, apesar de ser um mercado a céu aberto, por ser um lugar famoso, nem sempre as coisas lá são baratas. E lá tem o mastro da cidade de Munique, todo decorado com temas da cidade e com as cores da Baviera, azul e branco.

Mastro de Munique no meio do Viktualienmarkt

Os alemães têm uma tradição com relação a esses mastros, que existem em toda cidade. A idéia é simples: se alguém rouba o mastro de uma cidade, essa cidade deve fazer uma festa para as pessoas que roubaram o mastro para que elas devolvam. Evidentemente, roubar um trequinho desses em Munique não é fácil, mas o guia falou de uma história que aconteceu no aeroporto de Munique. Lá também tem um mastro desses, mas menorzinho, e, um belo dia, ele sumiu. Os administradores do aeroporto ficaram ultra-preocupados: como é que um mastro (que, lembrando, tem um formato de míssil, o que não é nada agradável num aeroporto), some assim sem ninguém ver?!?! Chamaram os seguranças do aeroporto, claro, que, bom... disseram que tinha sido eles que tinham roubado e que eles queriam a festa deles!! Deve ser meio complicado de imaginar a cara que os caras fizeram quando ouviram isso, mas finalmente os seguranças ganharam a tal festa e devolveram o mastro pro aeroporto, que ficou agradecido (só eu vou ver uma referência ao joguinho Carmen Sandiego nesse meu último comentário riscado, né? Mas, ah, eu não podia deixar passar!) E o tour fez uma pausa (já tinha se passado 1h30 de tour...).

9.4. Hofbräuhaus
Uma das primeiras coisas que o guia falou no tour é que a resposta a boa parte das perguntas que ele faria ao longo do tour seria "cerveja", o que é bem natural, dado que o tour é em Munique, o berço da Oktoberfest. E então o primeiro lugar em que passamos depois da pausa foi em frente a Hofbräuhaus. Essa cervejaria foi fundada em 1589, mas ela só obteve o direito de vender diretamente ao público em 1828. Ao menos de fora, ela parece bem grande, com vários andares onde as pessoas podem sentar e realizar a mais antiga tradição de Munique: beber cerveja.

Hofbräuhaus, em Munique

9.5. E os últimos lugares visitados no tour
De lá, a gente foi até a Max-Joseph-Platz, uma praça onde fica o Nationaltheater.

Max-Joseph-Platz, com o Nationaltheater à esquerda

A gente ficou um booooooom tempo lá, durante o qual o guia contou várias histórias, boa parte das quais eu já esqueci, e a partir daí o tour começou a ficar bem mais focado na história do nazismo, já que, partindo da Áustria, Hitler foi pra Munique e que foi naquela região da cidade em que ele tentou um golpe em 1923.

Nationaltheater em Munique

O tal golpe que o Hitler tentou foi o que ficou conhecido como Putsch da Cervejaria, já que ele foi planejado na Burgebräukeller, uma cervejaria de Munique. O guia, que era um estadounidense estudante de história, contou toda a história de Hitler em Munique, desde que ele chegou lá, a participação dele na primeira guerra, os discursos deles que atraíam cada vez mais gente, até chegar na história do tal golpe de 1923, que terminou na Odeonsplatz, onde também terminou o nosso tour. Nessa praça, tem a Feldherrnhalle, um monumento, e a Theatinerkirche, uma igreja.

Feldherrnhalle


Turistando na frente da Theatinerkirche


10. Englischer Garten
Terminado o Free Tour, a gente foi pro Englischer Garten, o Jardim Inglês de Munique. O jardim é gigantesco e a paisagem lá no outono fica muito bonita.

Vista panorâmica de um espaço aberto no Englischer Garter


Um turista no Engischer Garten

Fomos primeiro no Monopteros, uma construção redonda em estilo grego que fica no alto de um pequeno monte de 15m de altura.

Monopteros no Englischer Garten

De lá, dá pra ver boa parte do jardim e as construções da cidade ao fundo.

Englischer Garten e as torres de Munique vistas do Monopteros. A amarela é a Theatinerkirche, e as torres logo à esquerda são as da Frauenkirche. Tem outra torre pequena à esquerda e a seguinte, que tá meio borrada na foto, é a da Neues Rathaus

De lá, a gente foi até a Torre Chinesa que tem no jardim, em volta da qual tem coisas pra comer; aproveitei pra comer um belo pretzel, tão gigante que servia muito bem como almoço!

Pretzels na Alemanha são bem grandinhos; serve como almoço......

De lá, andamos mais no parque, chegando até o lago que tem no meio, o Kleinhesseloher See.

Vista panorâmica do Kleinhesseloher See

E, depois de andarmos mais um pouco por lá, saímos do Englischer Garten.

Pequeno rio no Englischer Garten. Esse jardim é mó bonito, né não?


11. St. Peter Kirche e Frauenkirche
Voltando ao centro de Munique, fomos até a St. Peter Kirche, a igreja mais antiga de Munique. A idéia não era visitar a igreja, mas sim subir na torre, de onde é possível ter uma boa vista da cidade (por um preço razoável: era até que barato subir na torre, comparado com o preço médio de torres de igreja na Europa - depois de viajar bastante nas férias, você fica bem por dentro das cotações de preços de subidas em torres de igreja). E, bom, a vista lá de cima é boa (deve ser melhor num dia ensolarado, imagino).

Vista panorâmica a partir da torre da St. Peter Kirche, olhando pro norte. Logo na frente tem a Neues Rathaus e a Frauenkirche; no fundo, dá pra ver a Theatinerkirche e, mais pra direita, aquela coisa marrom são as árvores secas no Englischer Garten

De lá de cima, deu pra ver que, apesar de eu ter ficado só um dia em Munique, já tinha dado pra visitar boa parte das coisas interessantes ali do centro.

Viktualienmarkt visto do topo da St. Peret Kirche, com o mastro de Munique bem no meio da praça


O Englischer Garten é grandinho mesmo, né?

Claro que foram centenas de fotos lá em cima - como eu já devo ter dito em algum desses posts sobre viagens, turista adora torre: se você colocar três degraus, falar que a vista do topo dos três é uma maravilha e cobrar 1€ pra entrar, vai ter até fila pra subir, certeza!

Turista paga pra subir em tudo quanto é torre, né? É incrível... mas até que as fotos em cima de torres ficam boas, vai... tipo essa, na frente da Frauenkirche

Saindo de lá, fomos para a Frauenkirche (durante o tour, a gente só tinha passado lá na frente e o guia tinha contado a história da construção, mas a gente não tinha entrado: era domingo de manhã, horário de missa...), pra ver a igreja por dentro (de fato não dá pra ver as janelas) e a famosa pegada do diabo.

12. Schloss Nymphenburg
Fomos então para o Schloss Nymphenburg, que fica um pouco longe do centro de Munique. Esse palácio foi construído no século XVII e foi sendo aumentado ao longo do século XVIII. Ele é gigantesco e, atrás dele, há jardins enormes. A gente chegou lá bem tardinho já, então não deu pra entrar no castelo, mas ainda assim deu pra ver um pouco dos jardins.

Vista da fachada do Schloss Nymphenburg

O palácio impressiona pelo tamanho: ele é simplesmente gigante! (Uma estimativa grosseira usando o Google Maps e o Paint deu o valor de 630m pro comprimento do palácio!)

Foto panorâmica do palácio de Nymphenburg. Grandinho, né?

Já que não ia dar pra visitar mesmo, aproveitei pra ficar tirando fotos (pra fazer essa panorâmica, por exemplo) lá na frente.

Turistas adoram tirar fotos na frente de qualquer prédio bonitinho que vêem, né?


Outra vista panorâmica do palácio, dessa vez mais de perto

A gente foi pros jardins, mas, como eles fechariam logo, a gente não deve muito tempo pra passear por lá.

Vista dos jardins de Nymphenburg (pessoas borradas e sombras de pessoas são devido ao fato de eu ter tirado fotos de longa exposição e ter juntado três fotos no computador pra fazer uma panorâmica. Desculpem a minha preguiça de corrigir os erros...)


Palácio de Nymphenburg visto dos jardins. Sim, já tava bem noitinha a essa hora...

Como os jardins iam fechar, a gente saiu. Sei lá, a idéia do palácio me lembrou muito Versalhes: um palácio gigante e um jardim colossal no fundo, com a diferença que o palácio de Nymphenburg parece maior que o de Versalhes, mas os jardins de Versalhes parecem maior. Deve valer a pena visitar os jardins de Nympehnburg de dia e em um dia mais bonito!

Palácio de Nymphenburg à noite


13. Loja da BMW
O Fábio me levou até a loja da BMW pra gente comprar uns carros porque ele falou que tinha algumas coisas interessantes lá. De fato, a loja da BMW lá tem duas partes, o BMW Welt (Mundo BMW) e o BMW Museum (Museu da BMW). A gente foi só no BMW Welt, que tem, além dos carros em exposição, várias coisas sobre ciência e engenharia em geral: alguns experimentos de eletromagnetismo, alguns painéis interativos, o treco parece mesmo um mini-museu da ciência.

BMW Welt, em Munique


E, do outro lado da rua, o BMW Museum

E, como o povo que trabalha na BMW deve ser bem nerd, não podia faltar algo bem nerd por lá:

BMW de Lego. Pior que, do jeito que anda o preço do Lego, uma BMW normal deve ser mais barata...


14. Allianz Arena
Fomos então para o Allianz Arena, um estádio de futebol em Munique, construído em 2005, sede dos clubes TSV 1860 Munique e Bayern de Munique. O estádio sediu a abertura da Copa de 2006, e o Brasil já jogou lá, durante a copa, contra a Austrália. Como já era noite, a gente só viu o estádio por fora. Ele fica muito iluminado à noite, o efeito é bem bonito.

Estádio Allianz Arena à noite. Dá pra entender porque o apelido dele é "pneu", né?

E, enquanto a gente estava lá indo pra mais perto do estádio...

Epa! Ele não era vermelho?!?!

Sim, o estádio muda de cor! Ele fica vermelho nos jogos do Bayern de Munique, azul nos jogos do TSV 1860 Munique, branco nos jogos da seleção alemã e pode ficar com mais de uma cor, por exemplo em jogos do campeonato europeu (a propósito, a escolha das cores, azul, branco e vermelho, ficou bem francesa, não?). Agora, por que ele mudou de cor no meio da noite em dia que não tem jogo, isso eu já não entendi, mas foi legal que eu tirei fotos dele vermelho e azul! c[= A gente chegou até lá perto, tiramos fotos, mas, como era tarde, já estava tudo fechado.

Foto na frente do estádio


15. Últimas horas em Munique
Voltamos pro centro de Munique pra andar um pouco por lá, andamos um pouco no centro, mas, como já eram 20h, meu trem saía às 22h44 e o Fábio tinha falado de a gente jantar lá no prédio dele, a gente logo voltou pra lá. Jantamos, tomei um banho e arrumei as minhas coisas pra voltar pra França.

16. Voltando pra Paris
Não foi só na ida que eu tive uma odisséia para pegar o trem. Para voltar, o Fábio falou que eu podia sair ali da casa dele uma meia hora antes do horário de partida do trem: eu ia chegar na estação uns 15min antes e ainda ter tempo tranqüilo até achar o trem. O grande problema foi que, chegando no ponto de bonde, o próximo passaria só em 20min, ou seja, eu só conseguiria chegar na estação uns 5min depois do horário de partida do meu trem. A gente correu até o próximo quarteirão, pra ver se tinha algum outro bonde que iria pra estação, mas nada. Era impossível de ir a pé, e a gente estava sem saber o que fazer, até que o Fábio viu um táxi. A gente correu até lá, e acabei indo de táxi até a estação. Cheguei a tempo - uns 10min antes, até - mas o problema era que o trem de volta era um único trem gigante que se dividia no meio do caminho: uma parte do trem ia pra Amsterdã, outra pra Stuttgart e outra pra Paris, e o povo gente boa só estava anunciando no painel os destinos de Amsterdã e Stuttgart, e eu tive que pedir informações pra conseguir descobrir que uma parte daquele trem ia pra Paris - sorte que o povo lá da estação falava inglês! Peguei o trem e ele ainda atrasou uns 15min pra partir. Tirando os problemas pra pegar o trem, a viagem de volta foi tranqüila, dormi o tempo todo, e na segunda de manhã mesmo eu já estava de volta na Polytechnique.

Depois de 10h46min de viagem, finalmente, Paris Gare de l'Est


E assim acabou a penúltima viagem pra fora da França que eu fiz em 2009. A próxima era a pro Brasil, nas férias, que chegavam =D
# postado por Gui em 19:45:00
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Provas e dissecando um notebook  
Décimo post atrasado. Porque, afinal, aconteceu bastante coisa entre as férias de verão e as férias de Natal, né?

Nos dias 9 e 10 de novembro, foram as nossas provas de metade do semestre. Uma coisa de que eu não gosto muito na Polytechnique é que a gente quase não tem prova. E, quando tem, é semana de prova. O problema disso é que normalmente acaba acumulando matéria pra prova, e, na semana anterior à semana de provas, o ritmo de estudo passa do modo "frenético" pro modo "desesperado". Mas, ao menos, são poucas matérias por vez: foram só três provas em dois dias. A primeira, a única da segunda-feira, foi a de Matemática, que estava infinitamente longa. Tinha dois exercícios (curtos) e dois problemas (mais longos). Eu fiz os dois exercícios e 5 das 9 questões do primeiro problema, e nem li o segundo problema. Saí achando que tinha ido muito mal, que ia tirar um B ou C... e, no final, fiquei com A, tendo resolvido metade da prova, ou talvez menos que isso! Enfim, vai saber, eu é que não vou reclamar c[= A segunda prova, na terça-feira de manhã, foi de Mecânica: nessa eu resolvi um pouco mais, achei que tinha ido melhor que em Matemática... e tirei 11 de 20 (ou 5,5 de 10, o que é a menor nota da minha vida Oo). E a terceira prova, na terça-feira à tarde, foi a de Informática: essa eu fiquei perto de terminar, e, na minha classificação de provas, essa uma era "divertida": legal de se fazer, bem elaborada, etc. A nota ainda não saiu, espero ter ido bem...

O bom é que, logo depois dessas provas, foi feriado: 11 de novembro de 1918 foi assinado o armistício da Primeira Guerra Mundial, e é feriado na França. Aproveitei pra descansar, e também pra arrumar meu computador, que tinha dado pau. Diga-de se passagem, estava bem estranho. Imagine o seguinte: na segunda-feira à noite, o Fábio tinha usado meu computador normalmente. Na terça depois da prova de Mecânica, eu cheguei em casa, o computador estava ligado e tinha um bilhete do Fábio dizendo que tava travado e ele não tinha conseguido nem ligar. Vi que tava bem travado mesmo, ainda na inicialização do Windows, e não consegui desligar sem ser tirando a bateria. Achei que fosse vírus, erro no sistema operacional ou algo assim, até porque o teclado e o mouse não respondiam nada e o cooler do processador estava funcionando rápido, sinal que o processador estava travado; além disso, ele iniciou normalmente quando eu conectei o cabo de rede e ele pôde entrar na Internet (vírus que rouba senha?). O problema parecia sumir no Linux, e resolvi formatar, depois de ter comprado um HD externo, que eu queria fazia tempo, pra fazer backup; o problema é que já na reinstalação, ele travou de novo. Desisti de reinstalar e fui é abrir: imaginei que fosse problema de hardware. O touchpad estava mesmo com cara estranha, imaginei que ele estivesse dando algum curto, e tentei abrir pra ver se eu conseguia desligar o touchpad por hardware e se isso resolveria o problema.

Vários parafusos depois...

24 parafusos depois, eu já tinha tirado o HD, o drive de CD, as memórias, a bateria e ainda assim não consegui abrir o bicho, e não tinha como desabilitar o touchpad: o fiozinho estava bem no meio, inacessível. Coloquei de volta HD, drive de CD e memórias, fechei e fui dormir. No dia seguinte, liguei, continuei a formatação, tudo normal e, ao terminar de instalar o Windows, já desabilitei o touchpad e comecei a usar um mouse externo que eu peguei emprestado. E tudo funcionou normalmente! Problema resolvido? Não exatamente... uns tempos depois, tive que levar o computador na casa de um amigo. Eu tinha deixado a bateria de fora, já que ela não estava funcionando direito mesmo. Quando recoloquei pra levar o notebook na casa desse amigo, ele travou de novo: o teclado não respondia, o cooler do processador no último, e o mouse externo respondendo normalmente. Tirei a bateria e o teclado voltou a responder, e o cooler do processador voltou ao normal. E, bom, o problema tinha sido finalmente identificado! Quando o teclado e o mouse de um notebook travarem e o processador ficar em loop, não se engane: é a bateria! Ilógico, mas é a vida... e, enfim, foi assim que eu passei meu feriado.

Na França não se emenda quase feriado, menos ainda de quarta-feira, e eu tive aula normal na quinta e na sexta. Mas na sexta à noite, fui correndo pra Paris pegar o trem: ia viajar pela primeira vez pra Alemanha!
# postado por Gui em 01:20:00
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mais turismo em Paris  
E esse já é o nono post da série de posts atrasados, agora contando o começo de novembro. De 5 até 10 de novembro, o Fábio foi visitar Paris e ficou lá em casa; aproveitei pra ir pra Paris com ele alguns dias pra passear, e voici o que a gente fez

1. Charles de Gaulle
O Fábio chegou na quinta-feira bem à noitinha. Imagino que, pra quem nunca desceu antes na França, sair do Charles de Gaulle, pegar o RER B, ir até Lozère e encontrar as escadas da Polytechnique à noite não deva ser a coisa mais fácil do mundo, então fui buscá-lo no aeroporto. Foi a primeira vez que eu fui para o Charles de Gaulle; eu só tinha voltado de lá. Eu tinha que ir pro terminal 1, e, pra isso, tem que descer no terminal 3 e pegar o trenzinho lá. O trenzinho é mó chique: ele é automático, sem motorista, e vai até que rápido, mas demora um bocado que os terminais são bem longe um do outro. Também foi a primeira vez que eu fui esperar alguém no aeroporto. Foi bem interessante: tinha um vôo chegando de Tel Aviv e tava lotado de judeus lá. O vôo do Fábio chegou adiantado, mas as malas atrasaram um tempão, e ele acabou saindo de lá um bom tempo depois do que eu imaginava. Enfim, voltamos pra casa e já mostrei pra ele, no caminho, o que é preciso pra chegar na Polytechnique...

Lozère. 295 degraus separando a estação de trem da Polytechnique (foto do Fábio)


2. Louvre e Quartier Latin
Na sexta-feira, o Fábio foi cedo para Paris, participar do Free Tour da New Europe e passear por lá. Como eu tinha aula o dia inteiro, combinei de encontrar com ele no final da tarde. O ponto de encontro? Na frente da Mona Lisa! A gente aproveitou, afinal, que o Louvre é de graça pra jovens que moram na Europa, e nos encontramos lá na frente. É bem divertido, na verdade: "E daí onde a gente se encontra?" "Ah, na frente da Mona Lisa, pode ser?" "Ah, ok, combinado!". Huahauhauahuahauha. Ele estava com mais duas garotas brasileiras, que ele tinha conhecido no Free Tour, e a gente andou um bocado pelo Louvre. Quando a fome bateu, a gente saiu, e fomos andando a pé até o Quartier Latin pra comer um crêpe. Fomos na Crêperie de Cluny, aquela uma que eu já falei que tem uns crêpes deliciosos. E, bom, de lá a gente já voltou, que estava bem tarde.

3. Outono
No sábado de manhã, eu e o Fábio, antes de irmos pra Paris, aproveitamos pra passear um pouco pelos arredores da Polytechnique. Logo em volta da Polytechnique, tem uma floresta e, como era outono, a maioria das arvores estava começando a ficar com as folhas amareladas. A paisagem fica bem bonita, e a gente aproveitou pra tirar fotos.

Polytechnique no outono

A leste da Polytechnique, fica a Forêt Domaniale de Palaiseau. No outono, a floresta fica bem bonita, as folhas no chão, as árvores secando. Tem várias trilhas no meio da floresta onde dá pra caminhar, correr ou simplesmente passear (foi inclusive correndo que eu conheci a floresta pela primeira vez: foi uma sessão de esporte em que a gente teve que correr por lá).

Forêt Domaniale de Palaiseau no outono

A gente andou a pé até uma estação de trem um pouco mais longe, também pra aproveitar e ver um pouco de Palaiseau.

Palaiseau no outono

E, chegando na estação de trem, um trem tinha acabado de passar, e o próximo era só em meia hora. Ou seja, acabou demorando um bocado a mais pra chegar em Paris que o previsto.

4. Versalhes
Em Paris, encontramos com as garotas que o Fábio tinha conhecido na véspera no Free Tour, e fomos até Versalhes. Foi a terceira vez que fui pra lá; a primeira tinha sido no começo da primavera e a segunda um mês antes. Da última vez, eu tinha pago para entrar; eles tinham falado que era de graça só para europeus. Mas, dessa vez, o que falaram é que era de graça para moradores da União Européia, e eu e o Fábio, que mora na Alemanha, acabamos entrando de graça. Visitamos a maior parte do palácio, foi praticamente a mesma visita que eu tinha feito um mês antes (com a diferença de ser de graça).

Jardins e Versalhes vista do palácio

Saímos de lá ainda no meio da tarde, e aproveitamos pra passear nos jardins. Estava um dia muuuuuuuuuuuuuito bonito pra andar por lá, a luz estava bem de fim de tarde, bem bonita.

Palácio de Versalhes visto dos jardins

A gente ficou um bom tempo por lá. Acabamos não andando muito pelos jardins, já que ia demorar um bocado, mas ao menos tiramos belas fotos.

Jardins do Palácio de Versalhes, sob a luz do sol no fim de tarde

O máximo que descemos foi até a fonte (que estava desligada, nem sei quando ela liga), e depois voltamos pra Paris.

A fonte do Palácio de Versalhes, com o palácio ao fundo


5. Torre Eiffel
Em Paris, fomos direto ver a Torre Eiffel. Já estava escurecendo, então, quando a gente chegou lá, a torre já estava com as luzes acesas.

Torre Eiffel piscando, vista de baixo

Acabamos não subindo na Torre, e fomos pro Trocadéro ter a clássica vista da Torre e tirar fotos.

Torre Eiffel vista do Trocadéro. A foto ficou um pouco borrada, né? Hahahahaha... mas ficou legal (ou ao menos eu achei!)


6. Moulin Rouge, Montmartre e Sacre Cœur
De lá, o pessoal quis ir ver o Moulin Rouge. Fundando em 1889, o Moulin Rouge é um cabaré francês, que ficou famoso ao longo do século XX, e já foi tema de vários filmes, 6 com o nome de Moulin Rouge, o mais antigo de 1928 e o mais recente de 2001. E eu nunca tinha ido pra lá, por falta de oportunidade mesmo, e concordei em ir com eles.

Moulin Rouge à noite

De lá, a gente andou um pouco pela região. É uma região bem particular de Paris, já que várias das coisas que tem por lá são relacionadas a sexo, e a gente acabou entrando, pra ver como era, em um "supermercado do sexo": existe uma quantidade infinitamente grande de coisas bizarras lá! Aproveitando que estávamos perto, fomos até a Sacre Cœur para vê-la de noite. Eu imaginava que ela seria bem mais bonita de noite, e me decepcionei um pouco, mas mesmo assim até que ela fica bem iluminada.

Sacre Cœur à noite. Não é como eu imaginava, mas até que é legal

A vista do alto de Montmartre à noite também não é a melhor vista noturna de Paris - com certeza o alto da Tour Montparnasse e da Torre Eiffel permitem vistas bem melhores. Mas é a melhor vista noturna gratuita de Paris, e também não é nada mal.

Paris vista de Montmartre


7. Janta
As garotas estavam cansadas e foram embora, e eu e o Fábio fomos até o Quartier Latin para jantar. Jantamos em um dos meus restaurantes favoritos por lá, o Au Pot de Fer Chez Robert, que fica na Rue du Pot-de-Fer, uma pequena rua no Quartier Latin cheia de pequenos restaurantes, todos muito bons e a preços razoáveis. A comida lá é muito boa, e a refeição sai por volta de 15€ a 20€, o que é um preço beeeem razoável pra Paris.

A janta no Au Pot de Fer Chez Robert (foto do Fábio, do prato dele c[= )

E, de lá, a gente voltou, quase perdendo o último trem, mas bem alimentados =D

8. E é só!
O Fábio ainda ficou mais três dias em Paris, mas eu não pude acompanhá-lo já que eu estava em provas nesses dias e tive que passar o domingo estudando e a segunda e a terça fazendo provas. Mas, como sempre, passear em Paris vale a pena! =D
# postado por Gui em 15:07:00
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domingo, 27 de dezembro de 2009

Ilhas Canárias  
Pequena informação: este post é o post de número 900 desse blog!

O oitavo post da série de posts atrasados é sobre a minha viagem pras Ilhas Canárias. A última semana de outubro foi uma semana de férias pra praticamente toda a França, as férias de Toussaint (dia de todos os santos). Todo mundo na França viaja nessas férias e, na Polytechnique, o costume é viajar junto com a seção esportiva. E o pessoal da natação decidiu ir pras Ilhas Canárias...

Não posso falar que viajar pelas Ilhas Canárias por uma semana fosse muito bem o meu sonho, já que eu nem sonhava que um dia eu fosse viajar pras Ilhas Canárias. Na verdade, até uma semana antes da viagem, eu nem sabia localizá-las no mapa-múndi. Mas, depois da viagem, posso dizer que valeu muito a pena, e que superou muito as minhas expectativas!

1. VOS
Bom, do começo: na França, existem as férias de Toussaint (Toussaint = Dia de Todos os Santos, mais conhecido como 1º de novembro). Na França, todos os estudantes, desde as escolas primárias até o ensino superior, têm uma semana inteira de folga na semana do Toussaint, que acaba sendo uma semana de férias entre as férias de verão e as férias de Natal. Na École Polytechnique, a semana do Toussaint é igualmente feriado, e cada uma das seções esportivas da École Polytechnique aproveita para organizar uma viagem, conhecida como VOS, a Viagem de Opção Esportiva. Partir em VOS é normalmente um bom negócio: para os alunos do 3º ano, a associação de alunos paga 200€ da viagem de cada aluno; para os alunos do 2º ano, a própria École paga 200€, e o banco, mais 192€. Ou seja, a nossa viagem para as Ilhas Canárias, que custaria 897€ por pessoa normalmente, saiu por 505€ - um belo negócio! Normalmente, a maioria dos alunos do 2º ano parte, e foi o nosso caso: dos 47 alunos do 2º ano da natação, 43 alunos participaram da viagem, e foram mais 10 do 3º ano, além de 3 dos 4 professores da natação, a esposa de um deles, uma militar da Polytechnique com o marido, ou seja, 59 pessoas da Polytechnique, e mais a guia da agência de turismo: um pequeno grupo de 60 pessoas!

2. As Ilhas Canárias
Antes da viagem em si, um pouco sobre as Ilhas Canárias. As Ilhas Canárias são um arquipélago constituido de sete ilhas principais no litoral oeste africano, perto do Marrocos. Elas pertencem à Espanha, são de origem vulcânica e têm todas climas e paisagens diversos. A nossa viagem, na verdade, tinha como objetivo visitar somente uma das ilhas, Tenerife. Tenerife é a maior das Ilhas Canárias e é a que atrai mais turistas, sendo seguida pela Gran Canária. A gente ficou em uma das regiões mais turísticas de Tenerife, a Playa de las Américas, que fica entre os municípios de Adeje e Arona, ao sul da ilha. Só saímos de Tenerife um dia, para ir a La Gomera, uma ilha vizinha, e acabamos não visitando as outras ilhas (afinal, a viagem era só de 6 dias!). Uma coisa que achei interessante nas Ilhas Canárias foram os idiomas. Como parte da Espanha, o idioma falado nas ruas e do dia-a-dia é o espanhol, e, como lugar turístico, o inglês é onipresente. Entretanto, já no aeroporto se percebe que não são só essas duas as línguas de lá: no aeroporto, todos os avisos estão em espanhol, inglês e alemão. Além disso, boa parte das coisas nas cidades estava nessas três línguas. Entretando, várias outras línguas apareciam por lá, como, por exemplo, russo, que aparecia em alguns anúncios em espanhol, inglês e russo. Viajando por algumas cidades, também dava pra ver lojas que tinham coisas em holandês, belga ou outras línguas aparentadas do alemão. E inclusive ouvi alemão várias vezes enquanto estava lá; pelo visto, os turistas alemães estão bem presentes nas ilhas.

3. A viagem de ida
A Polytechnique aproveitou que a maior parte do pessoal viaja nas VOS e resolveu tirar todas as condições de vida na École: sexta-feira, dia 23 de outubro, às 18h30, o telefone do campus inteiro foi cortado, o que também desconectou o campus inteiro da Internet. Além disso, no dia 24, das 8h da matina até lá pelas 12h30, a eletricidade foi cortada. Logo, quando eu acordei no sábado, dia 24, pronto pra partir pro VOS, eu não podia almoçar algo decente - impossível esquentar comida antes das 12h30, sem tempo pra esquentar depois, já que o ônibus para o aeroporto partia às 13h40 - e nem tomar um banho - o corte de eletricidade tinha cortado o aquecimento de água, e ia demorar pra ela esquentar de novo. Acabei comendo torradas com manteiga e queijo - um ótimo almoço pra quem vai passar o dia inteiro em um avião! Enfim, a viagem foi até que tranqüila: fomos de ônibus para o aeroporto, pegando congestionamento no caminho (a França inteira partia pras férias de Toussaint!); pegamos o avião até Madri e, de lá, até o aeroporto de Tenerife Norte; de lá, um ônibus que nos deixou na frente do hotel, e acabamos chegando por volta das 21h30 no horário de lá, 22h30 no horário da França, ou seja, quase 9h depois de ter partido da École. Uma viagenzinha meio longa...

4. Primeiro dia
Não dá pra se aproveitar muito um dia quando você chega no hotel às 21h30 e ainda tem que fazer check-in. Mesmo assim, a gente ainda resolveu aproveitar pra ir pra praia: estava completamente escuro, mas fazia um belo calor tropical, e a água estava quente: boa parte do pessoal aproveitou pra nadar. Eu só molhei os pés, e, na verdade, foi por pouco a única vez que molhei os pés na água do mar na viagem: só voltei a molhá-los no último dia!

Praia na Playa de las Américas, à noite

De lá, a gente ainda andou um pouco pelo centro da cidade, mas acabamos voltando logo para dormir e aproveitar bem o dia seguinte.

5. O hotel
O hotel em que a gente ficou estava até que bem localizado: apesar de não ser à beira da praia, ficava a uns 300m da praia mais próxima e a uns 500m de uma região bem movimentada de Playa de las Américas. Ele tinha todos os confortos necessários: café-da-manhã, janta, uma piscina, uma mesa de sinuca, uma mesa de ping-pong, uma micro-biblioteca, televisão no quarto (que tinha que pagar pra usar!), fogão no quarto, etc. No primeiro dia a gente chegou tarde demais pra janta, mas ganhamos uma janta extra lá, com algumas saladas e frutas. O café-da-manhã era no estilo inglês e também no normal: tinha feijão, bacon, presunto, ovo frito, ovo mexido, como num bom café-da-manhã inglês, mas também pão, manteiga, queijo, mortadela, como num café-da-manhã normal, além de cereal com leite e iogurte, entre outras coisas; eu acabava almoçando em vez de tomar café-da-manhã, já que eu normalmente tomava um café-da-manhã inglês, com feijão, ovo frito, ovo mexido e pão, e depois um normal, com cereal, pão com manteiga e queijo e iogurte, o que dispensava completamente um almoço em geral. O quarto eram mó confortável, pra duas pessoas com expansão pra três em um sofá-cama, além de ter geladeira, fogão, panelas, copos, etc. E o banheiro tinha até uma banheira! Enfim, um hotel de verdade, completamente estranho pra quem tinha passado as férias de verão em albergues c[=

6. Segundo dia: passeio em Playa de las Américas
Logo ao acordar no segundo dia e abrir a janela, já fiquei surpreso com a vista.

Vista panorâmica da janela do nosso quarto no hotel. Pas mal, hein?!

Uma vista muito boa, ainda mais com as montanhas ao fundo. As Ilhas Canárias são de origem vulcânica, e Tenerife tem a montanha mais alta do arquipélago, que é também o ponto mais alto da Espanha, o pico do Teide (que não aparece bem na foto, ele tá atrás das nuvens ali). O Teide atinge 3718m, 724m mais alto que o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina; no inverno, chega a nevar até 2m nas regiões próximas ao topo. Enfim, o domingo foi dedicado a conhecer a região da Playa de las Américas. A minha idéia original era andar a pé uns 3 ou 4km à beira da praia, pra conhecer bem a região, e o Yany, o meu colega chileno que ia comigo, gostou da idéia, mas a gente começou depois a chamas mais gente, que chamou mais gente, etc, e no fim das contas a gente não andou tanto assim, mas mesmo assim deu pra conhecer bem a região. Playa de las Américas é a região mais turística de Tenerife e tem uma cara altamente turística: vários hotéis, ruas largas com coqueiros no meio ou nas laterais, passeios à beira da praia cercados por coqueiros, enfim, tudo o que se pode imaginar de se encontrar em uma cidade altamente turística à beira-mar.

Largos passeios cercados por coqueiros: tudo o que um turista procura!

Esse foi essencialmente o domingo: andamos pela cidade, almoçamos, voltamos pro hotel, andamos mais pela cidade, tomamos um sorvete, voltamos pro hotel, jantamos e dormimos cedo, que o dia seguinte prometia ser mais cansativo: uma excursão até o Teide.

7. Terceiro dia: el Teide

7.1. Ônibus até a base do Teide
O terceiro dia foi reservado à visita do Teide, e, das 60 pessoas do grupo, só uma ou duas não foram. Às 6h15, os telefones começaram a tocar nos quartos: eram os despertadores avisando que era hora de levantar. Às 7h, o café-da-manhã começou a ser servido, e a gente tomou o mais rápido possível, para partir pouco depois das 7h30. Fomos em dois ônibus, que nos levaram do nosso hotel ao nível do mar até uma altitude de 2399m, na base do Teide. O caminho foi meio longo, e o guia foi explicando aos que estavam acordados sobre a história geológica da ilha. A última erupção do Teide é muito antiga e data certamente de antes de 1500, mas a última erupção na ilha ocorreu há um século, em 1909, e durou 10 dias. Antes dessa, tinha tido uma outra, bem grande, em 1798, que durou 3 meses, e foi mais perto do Teide; quase do lado, para falar a verdade, no Pico Viejo. Uma outra coisa interessante em Tenerife é a vegetação: conforme se sobe, e conforme o lado da ilha, ela muda muito. Subindo pelo sul, ela passa de uma vegetação rasteira a uma vegetação desértica, com vários cactos. Ela vira, de repente, uma floresta de coníferas, mas, subindo mais um pouco, tudo o que se encontra são pequenos arbustos, que vão ficando cada vez mais raros, até não ter praticamente mais vegetação.

Vista do ônibus a aproximadamente uns 1500m de altitude: já dá pra ver as nuvens lá embaixo, e uma das últimas vilas na estrada antes do Teide


Pausa para fotos num ponto de observação antes de chegar na base do Teide

Depois de pouco mais de uma hora e meia de ônibus, chegamos à altitude de 2399m, base do Teide. A essa altitude, o tempo já estava um pouco mais fresco que no nível do mar, mas ainda dava pra agüentar só com uma camiseta. A gente tinha levado água e comida suficientes pra agüentar as 4 a 5h previstas de subida a pé até uma altitude de 3550m, o máximo que um turista pode subir sem precisar de uma autorização especial.

Turista na frente de um monte de pedras vulcânicas. Essas pedras são bem diferentes: cheias de buraquinhos e mais leves do que se imaginaria pelo tamanho


7.2. Primeira parte da subida: de 2399m a 2820m
E, às 9h25 da matina, começamos a subida do Teide. A primeira fase era a mais leve: para subir 421m, íamos andar mais de 5km, numa inclinação média de 7%, que não ultrapassava 12%. Foi relativamente tranqüila: cheguei no final às 10h35, bem no meio da turma: tinha um monte de gente que já estava lá e mais um monte que chegou depois. Os únicos problemas dessa primeira parte é que, bom, peguei dois atalhos no meio do caminho, que não me economizaram muito em tempo, apesar de economizar um bocado em trajetória, e que me deixaram beeeem cansado, e também que o vento gelado e a altitude começaram a ter efeito: já tive que colocar uma blusa, mesmo fazendo um calor tropical no nível do mar, de onde a gente tinha partido.

Começando a subida do Teide. Por enquanto, todos animados, andando juntos, ainda com calor e em uma subida leve...


Quase terminando a primeira parte da subida: os primeiros 421m dos 1151m


7.3. Segunda parte da subida: de 2820m a 3260m
Depois da pausa para água e comida, continuamos a subir, às 10h55 (20min de pausa até que dá pra descansar um bocado, né?). Enquanto que a primeira parte da subida era larga, de inclinação máxima de 12%, e por onde passava até carro, a segunda parte, que ia dos 2820m aos 3260m, era de fato uma trilha, estreita, bem mais inclinada, passando por pedregulhos maiores (até então, eram pedregulhos pequenos). Nessa parte da subida, uma técnica boa é a pausa-foto: você pára para tirar uma foto de um lugar bonito e aproveita pra recuperar o fôlego. É bem cansativo, e vai piorando conforme se sobe: o ar fica mais rarefeito, o vento, mais gelado, e o cansaço, acumulado.

Pausa para foto na metade do caminho da segunda parte. Por maior que seja o cansaço, a vista vale a pena!

Cheguei no final da segunda parte às 11h55, novamente bem no meio do grupo, e depois de decorridas 2h30 da partida já. Nessa segunda parada, tem um refúgio, o Refúgio Altavista, basicamente uma casa no meio do nada, onde aqueles que sobem ou descem o Teíde podem parar para tomar um ar. E, bom, a vista de lá de cima é muito boa.

Uma parte da vista a partir do Refúgio Altavista. Morto de cansaço, mas vendo as nuvens muuuuuuuuito de cima!

Dessa vez, a pausa foi um bocado maior: partimos de novo às 12h40, mas, bom, a segunda parte da subida, com seus 440m, bem mais íngreme, era de fato bem mais cansativa e merecia uma pausa maior.

7.4. Terceira parte da subida: de 3260m a 3550m
A terceira e última parte da subida era a pior. As pedras agora eram bem maiores, e boa parte da trilha era na verdade escadas de pedras, muito difíceis de se subir. Nessa hora que eu senti a importância daquela varinha que os alpinistas usam: em vários momentos, eu buscava apoio das mãos nas pedras para conseguir continuar subindo, porque só as pernas já não agüentavam me manter em pé. A gente já tinha subido quase 1km, e, acreditem, subir quase 1km dá uma dor tremenda nas pernas!

Terceira parte da subida. Trilha bem mais terrível, pedras maiores, dor na perna extrema

No meio da terceira parte, ainda fizemos um pequeno desvio da trilha principal pra ir pra um ponto de observação, de onde a vista era muuuuuuuito boa!

Vista do ponto de observação, quase no final da subida

Do ponto de observação até o ponto final, não faltava quase nada e o caminho era basicamente plano: tinha poucas subidas e descidas, ou seja, a gente já estava a cerca de 3550m, e a grande aventura de subir o Teide já tinha acabado (e as minhas pernas também!)

O pico do Teide. Para chegar mais perto dele do que isso, só com autorização especial que os reles turistas não têm


7.5. Lá em cima
A partir do ponto de observação, a trilha continua no mesmo estilo: estreita, com pedras largas e alguns degraus de pedra, mas com a diferença que ela já é plana nesse ponto, e a gente já está a 3550m de altitude. A partir de então, é só apreciar a paisagem e tirar fotos! Tirei várias, com o pessoal, sozinho, panorâmicas, da paisagem, da montanha... e finalmente andamos até... o teleférico! Porque, sim, esse caminho de subir 1151m a pé não é o único jeito de chegar lá em cima: tem também um teleférico, que parte dos 2399m e sobe até os 3550m! Ali no teleférico, tem toda uma região de observação da paisagem, onde a gente ficou, esperando todo mundo chegar. Cheguei lá às 13h50, isto é, 4h25min depois de ter saído!

Vista panorâmica a partir do ponto de observação do teleférico

E o que a gente faz depois de chegar lá em cima? Bom, primeiro, uma sessão de fotos, esperando todo mundo chegar...

3550m de altitude e um pico de vulcão na paisagem

E, bom, depois que todo mundo chega e tira as suas fotos... a gente desce, uai! Mas, claro, depois de 4h30 de subida, todo mundo tava morrendo de fome, e como a gente não tinha levado nada tão decente assim de comida, descer a pé era meio que impensável, e a gente desceu de teleférico. Resultado: 4h25min pra subir, 7min pra descer!

Esse bichinho aí ajuda a descer um bocado mais rápido...

Bom, depois disso, fomos almoçar num restaurante que tinha a uns 10min da base do Teide (10min de ônibus, claro, que a maior parte do pessoal mal agüentava andar a pé até o ônibus...)

7.6. Embaixo
Depois do almoço, ficamos um pouco ali na região da base do Teide, visitando algumas formações rochosas de origem vulcânica que tem por ali. São umas rochas de formatos estranhos, todas de origem vulcânica.

Vale perto das rochas que a gente visitou. A pedra alta mais pro centro-direita ali é conhecida como catedral


Na frente das formações rochosas que a gente foi visitar

Essas formações são consideravelmente altas e se destacam no vale que tem em torno da base do Teide. De lá, dá pra ter vistas muito boas, principalmente do Teide.

El Teide. A casinha que tem ali perto do pico é o ponto de chegada do teleférico, até onde a gente subiu a pé. Altinho, né?


7.7. A volta
E, bom, depois disso, voltamos dos 2000m e tantos para o nível do mar, de ônibus. A volta foi por um outro caminho, mais para o oeste da ilha, onde a paisagem é um pouco diferente, as florestas praquele lado são um pouco mais densas, e as vistas que se tem do Teide são diferentes.

Pico Viejo com o Teide ao fundo, e marcas bem claras da erupção de 1798

A gente voltou vendo o sol refletindo nas nuvens. Porque, afinal, como na maior parte do dia, a gente tinha que olhar para baixo para vê-las!

Ilha de La Gomera coberta por nuvens


7.8. E a Física funciona!
E um pequeno detalhe... como eu disse, a gente levou água pra tomar em cima. Pois bem, a última vez que eu tomei água da garrafa que eu levei foi a 3550m de altitude, já que, depois, a gente desceu pro restaurante, e lá eu já tomei da água que eles ofereceram. O resultado é que a garrafa vazia na minha mochila voltou fechada e...

Δp=ρgh funciona! Nesse caso, Δp é uns 0,3 ou 0,4 atm (preguiça de fazer uma conta decente...)


7.9. O resto do dia...
A gente voltou pro hotel por volta das 18h30. E o que eu fiz no resto do dia? Acredite: não tem resto do dia quando você sobe 1151m a pé! Cheguei, tomei um banho, jantei e dormi, tudo isso em uma velocidade incrivelmente lenta e com várias pausas de vários minutos pra ficar deitado sem fazer nada, só sentido a perna latejar! c[= Bom, e ainda aproveitei pra acabar com o filme da máquina (ou melhor, o cartão de memória: os 12 vídeos que eu fiz subindo a montanha comeram uns 500 mega...) e tirei umas fotos da vista da janela do quarto à noite (até porque, eu não ia conseguir me deslocar muito mais que até a janela)

Nada mal, a Playa de las Américas à noite, né?


8. Quarto dia: Santa Cruz de Tenerife
No quarto dia de viagem, eu, o Yany e o Ivan fomos pra Santa Cruz de Tenerife, a capital de Tenerife, que fica no nordeste da ilha. Santa Cruz é uma cidade grande, a 21ª maior da Espanha e a segunda maior cidade da União Européia fora da Europa, sendo também o segundo porto mais movimentado da Espanha. A cidade é bem antiga: há 2000 anos, a região onde hoje é a cidade já era habitada, e mais tarde virou um importante porto devido à sua posição estratégica. Bom, dado o cansaço da subida no Teide, a gente só partiu pra Santa Cruz bem tarde: pegamos o ônibus por volta das 11h da manhã, e chegamos lá por volta de meio-dia. A Playa de las Américas fica no extremo sul da ilha, então, para ir até Santa Cruz, é necessário passar por toda a costa leste da ilha. A paisagem é bem bonita, com o mar à direita da rodovia o tempo todo e as montanhas à esquerda. Nas regiões planas à beira-mar, tem os cataventos gigantes, geradores de energia eólica, que, creio eu, sejam a maior fonte de energia da ilha, já que não tem muitos rios expressivos (na verdade, eu não vi nenhum rio na ilha, nem no mapa da ilha) pra ter geração hidroelétrica e não vi nenhuma central térmica ou nuclear. Enfim, tem todos aqueles campos de cataventos gigantes, forma uma paisagem bem legal.
Chegando a Santa Cruz, passamos pelo auditório da cidade, um prédio com arquitetura bem moderna, e fomos em direção ao parque marítimo da cidade.

Parque marítimo de Santa Cruz. Muito legal, mas falta algo, tipo, ahn... água?

De lá, fomos para o centro da cidade. A cidade é completamente diferente de Playa de las Américas: enquanto que em las Américas tudo gira em torno do turismo, Santa Cruz tem bem mais cara de cidade verdadeiramente canária, e as pessoas que se vê nas ruas são majoritariamente os habitantes de lá, e não majoritariamente turistas; isso faz a cidade parecer bem mais real. Fomos no mercado municipal de lá, o Mercado de Nuestra Señora de África, que fora fundado em 1944 e é beeem grande, com lojas de todos os tipos: de carnes, de castanhas, de frutas e verduras, de flores, barzinhos, cafeterias, etc.

Entrada principal do Mercado de Nuestra Señora de África

De lá, andamos em direção a um grande parque que tem na cidade, e, no meio do caminho, encontramos o centro comercial da cidade, composto por várias ruas com calçadão, diversas lojas e até que bastante gente.

Rua no centro comercial de Santa Cruz (tá, na verdade, essa foto tá meio longe da parte com mais lojas e mais gente, mas, bom, não achei foto melhor)

Lá, encontramos mais dois da nossa turma, o Jiatu e o Manh, e eles foram com a gente. Andamos mais um pouco e chegamos até uma praça; de lá, fomos até outra praça (Plaza de los Patos, que tinha uma única estátua de pato no meio) e chegamos em seguida a um parque.

Plaza de los Patos, no centro de Santa Cruz de Tenerife

O Parque Garcia Sanabria é uma área verde até que grande no meio de Santa Cruz, e é bem agradável: bem arborizado, com vários bancos e vários lugares pra caminhar.

No Parque Garcia Sanabria

A gente ficou um tempo por lá, e voltamos para o centro para procurar um lugar pra almoçar. A gente tinha a intenção de ir procurar alguma outra cidade, um vilarejo pequeno, ali por perto, mas terminamos de almoçar às 16h30 e o último ônibus de Santa Cruz para Playa de las Américas era às 20h: ia ficar meio ruim pra ir até a estação, pegar um ônibus até outra cidade e em seguida voltar correndo pra não perder o último ônibus, e ainda assim perder a janta no hotel, já que a viagem até a Playa de las Américas demorava uma hora, a janta terminava às 21h e tinha 20min de caminhada da estação de ônibus até o hotel. Acabamos então desistindo da idéia de ir pra outra cidade, e passeamos mais um pouco por Santa Cruz. Andamos mais pelo centro da cidade, até chegarmos ao Parque la Granja, no norte da cidade. Ficamos um tempo sentados lá, conversando e apreciando o parque, que é num estilo bem tropical, eu diria, já que ele é gramado e a maior parte das árvores são palmeiras.

Parque la Granja

Nisso, a gente estava consideravelmente longe da estação de ônibus, e então, de lá, descemos a pé até a estação e pegamos o ônibus de volta pra voltar a tempo pra janta. Depois da janta, fiquei conversando com o pessoal até tarde, mas não tanto, já que no dia seguinte tinha que acordar cedo pra fazer passeio de jipe.

9. Quinto dia: Jipe em La Gomera
La Gomera é uma das ilhas Canárias, a mais próxima de Tenerife e bem menor que esta. Ela é pequena, com um relevo muito montanhoso, e destaca-se pela produção de banana. O nosso quinto dia foi dedicado a um passeio de jipe por lá. Às 7h da manhã, o despertador já tocava, e a gente partiu pouco depois das 8h, em oito jipes em direção à balsa que nos levaria à La Gomera. Balsa talvez não seja o termo certo praquele monstro: a balsa que nos levou tinha três andares, dois para veículos e um para pessoas, e a parte para pessoas era dividida em três ambientes fechados, com um mini-bar em cada um, e um aberto, uma coisa imensamente monstruosa. A viagem de balsa de Tenerife até La Gomera dura cerca de 40 minutos e, no meio do caminho, dá pra ver golfinhos e às vezes até mesmo baleias (é o que dizem; a gente só viu golfinhos, e bem de longe).

Na balsa para La Gomera


Tenerife vista da balsa

Depois dos 40min de balsa, já saímos nos jipes e começamos a subir as estradas nas encostas das montanhas. A vista era muuuuuito bonita: de um lado, uma montanha mó alta e, do outro, o vale lá embaixo. Depois de andar um pouco, a gente fez uma pausa pra fotos e os motoristas dos jipes explicaram o caminho que a gente ia fazer pela ilha, dando praticamente uma volta completa nela ao longo do dia.

Paisagem montanhosa em La Gomera

Motorista de jipe não é normalmente conhecido por respeitar muito as leis de trânsito, e foi bem o caso: as placas de limite de velocidade, pra eles, representavam velocidade mínima, e o objetivo das curvas era jogar a gente contra as laterais do jipe, além de cantar pneu em algumas. E túneis foram evidentemente feitos para se buzinar! Enfim, tudo pra colocar um pouco mais de "emoção" na viagem.

E a gente sendo arremessado pra lateral do jipe a cada curva...

As montanhas em La Gomera tem umas quedas muito abruptas, e a paisagem lá é muito bonita! Depois de andar um pouco, paramos pra apreciar a paisagem, e o guia falou sobre uma das coisas mais tradicionais da ilha: plantação de bananas. A ilha é repleta de bananeiras, apesar de as plantações estarem diminuindo conforme o pessoal vai mudando de ramo de serviço e passando para o turismo.

Paisagem em La Gomera: várias montanhas, e plantações nas regiões habitáveis

Passamos em seguida por um pequeno vilarejo e chegamos em uma "praia", composta na verdade de pedras, que na verdade não era de areia mas de pedras.

Na praia em La Gomera

Ficamos lá tirando fotos e sendo molhados pelas ondas fortes que nos pegavam de surpresa. Eu até resolvi fazer um videozinho de uma onda chegando...

Êba, essa onda vai ficar boa no vídeo!


Olha a onda chegando......


Olha como ela quebra perto!


Ahhhhh!! Perto demais!!

Continuamos andando pela ilha, e, depois de um tour por paisagens diversas, paramos para almoçar. Durante o almoço, a gente teve uma apresentação de assobios. Como o relevo em La Gomera é excessivamente montanhoso, conversar com o seu vizinho pode ser uma tarefa complicada: se você está em uma encosta de montanha de um lado do vale e ele do outro lado, a comunicação fica muito dificultada: atravessar é cansativo, e falar aos berros, pouco eficaz. Por isso, o pessoal de La Gomera desenvolveu uma técnica de assobios para comunicação: é basicamente a linguagem normal, mas assobiada. No restaurante, um cara falava uma palavra, em espanhol, inglês ou francês, e um habitante da ilha fazia a tradução para a fonética do assobio. Para mostrar que não era pura charlatanice ou engana-turista, eles ainda pegaram diversos objetos pessoas das pessoas que estavam no restaurante e os colocaram em outras mesas, e chamaram então uma garçonete do restaurante pra devolvê-los pros seus devidos donos: o cara assobiava descrevendo o objeto e o dono e ela ia lá e colocava tudo de volta no lugar certo! Ou seja, a língua de assobios deles parece funcionar mesmo!

Assobio: a forma de comunicação mais eficaz em La Gomera

A vista que a gente tinha do restaurante também era muito bonita, e a gente aproveitou o cafèzinho depois do almoço pra apreciá-la.

Vista do terraço do cafèzinho ao lado do restaurante

Continuamos a viagem até a região do parque nacional de Garajonay, onde visitamos um pequeno jardim botânico com um ponto de observação sobre o parque. O tempo não ajudou muito, já que começou a chover, mas, bom, ao menos foi só um leve chuvisqueiro, que não estragou em quase nada a viagem.

Vista de parte do parque nacional de Garajonay

Continuamos andando pela região do parque, numa parte de mata bem fechada, até chegarmos a uma clareira, onde tinha um pequeno parquinho infantil. Ficamos lá por um tempo, apreciando a paisagem e, bom, voltando um pouco à infância do parquinho (fazia tempo que eu não subia num balanço! Hahahaha)

Clareira no parque nacional de Garajonay

Depois, continuamos ainda no parque, e paramos no Roque de Agando, um rochedo que tem lá, para tirarmos fotos.

Roque de Agando. A vista normalmente deve ser boa, mas as nuvens atrapalhavam um bocado...

E, de lá, descemos as montanhas e voltamos até onde tínhamos chegado na ilha, a cidade de San Sebastián de la Gomera, a capital da ilha. Tivemos só uma hora lá, o tempo de tomar um sorvete e conhecer algumas ruas e praças centrais, e a impressão que tive foi de uma cidade bem agradável e simpática.

San Sebastián de la Gomera

E, de lá, pegamos a balsa para voltar para Tenerife. Outros 40 minutos naquela balsa gigantesca, que eu aproveitei para tirar fotos e tentar, sem muito sucesso, observar golfinhos.

Mas ao menos deu pra ver bem San Sebastián de la Gomera à distância

Chegamos no final da tarde no hotel, e aproveitei as últimas horas do dia pra nadar na piscina de lá junto com a maior parte do pessoal. Depois jantei e fiquei à toa até a hora de dormir.

10. Sexto dia: Siam Park
Siam Park é um parque aquático próximo de Playa de las Américas, e a gente reservou o nosso sexto dia de viagem pra ir lá. O Siam Park tem tema tailandês e, segundo o artigo na Wikipédia, tem cinco recordes mundiais, dentre eles o de maior estátua de dragão e o de maior prédio tailandês fora da Ásia. E, bom, o parque é muito divertido. Não tenho nenhuma foto minha lá, já que, bom, eu pensava mais em aproveitar o parque que tirar fotos e por isso nem levei minha máquina. A gente conseguiu juntar um grupo de 20 pessoas pra ir no parque, o que já foi ótimo porque a gente teve 5€ de desconto cada um na entrada (que não é lá a coisa mais barata do mundo, diga-se de passagem, apesar de não ser tampouco abusivamente cara). Logo na entrada, uma das atrações do parque, uma piscina com leões marinhos, pras crianças ficarem lá olhando, e um mercado flutuante, com as lojinhas pros pais das crianças que ficam olhando os leões marinhos ficarem comprando souvenirs ultra-caros. Chegando lá, a gente teve um pouco de problema pra achar os guarda-volumes onde a gente poderia deixar as mochilas mas, depois disso, já começamos a ir nas atrações.

Mapa do Siam Park

A primeira atração em que eu fui foi o Nagaracer, um tobogã bem alto, que serviu pra já me molhar um bocado. O treco é bem divertido, e acho que foi uma das atrações em que eu mais fui (já que era uma das que tinha menos fila e em que a fila andava mais rápido); no final, eu já tava pegando o jeito de empurrar bem contra a parede pra já sair rápido e quase voar nas descidas. De lá, fui pra Jungle Snake, logo ao lado. É basicamente o que você espera encontrar em um parque aquático: você senta em uma bóia e desce um tubo a alta velocidade, fazendo várias curvas nas quais você quase faz um loop e caindo numa piscina no final. O Jungle Snake conta na verdade com quatro opções de tubos, com diferentes características: em alguns, você cai bem rápido e passa por várias partes escuras; outros são mais abertos e a queda é mais lenta. E, de lá, fui para o Dragon, que, na minha opinião, é a melhor atração do parque. Quando você começa, parece normal: você está de novo numa bóia, agora maior, para 4 pessoas, entrando em um tubo, também maior. E parece ser mais do mesmo, ou até nem tanto, já que no começo vai devagar. Até que, de repente, quando você menos espera...

Dragon, no Siam Park

Tem uma queda bem rápida e você cai a toda velocidade nessa espécie de cone. A bóia fica oscilando de um lado para o outro, e a primeira oscilação é beeeeeeem forte, dá a impressão que você vai dar um loop! É, de longe, a melhor atração do parque! E ainda depois tem uma bela queda até a piscina do final. Bom, depois, a próxima atração em que fui foi a Tower of power. Ela é a mais impressionante do parque, e bem boa, apesar de não ser melhor que o Dragon, na minha opinião. E, bom, o que é essa tower? Isto:

Tower of Power, no Siam Park

Você sobe e escorrega num tobogã de 28m de queda quase livre (o que daria uma velocidade de 84km/h no final se fosse de fato uma queda livre no vácuo; ouvi falar que lá pode-se chegar até uns 50km/h), passando num tubo no meio de um aquário no final (não que isso seja tão grande coisa: à velocidade que você passa por lá, você nem entende o que tá acontecendo!). Bom, meu primeiro pensamento, ao ver a torre e ao começar a subir as escadas pra ir lá, foi: "bom, tem um tobogã e depois um tubo; se você abrir os braços, as pernas ou levantar a cabeça antes de entrar no tubo, isso deve ser perigoso, ainda mais na velocidade que você chega". Não me enganei nem um pouco: até o final da subida, tinha ao menos umas 50 placas onde estava escrito pra manter os braços e pernas cruzados e não levantar a cabeça. Não bastassem as 50 placas, quase no final da subida, tinha uma TV com um vídeo educativo, mostrando uma pessoa com braços e pernas cruzadas e a cabeça abaixada passando normalmente pelo tubo e um OK verde aparecendo na tela, e uma pessoa de braços e pernas abertas e a cabeça levantada tentando passar pelo tubo e batendo a cabeça e os braços na entrada. Além disso, logo antes de você ir, a moça pergunta qual língua você fala e mostra uma placa com o aviso para cruzar braços e pernas e não levantar a cabeça. Qualquer ser humano fica evidentemente tenso com tantos avisos assim, e comigo não foi diferente. Assim que fui, o medo de levantar a cabeça foi tanto que eu praticamente a colei contra a rampa. Resultado: todas as ondulações da rampa batiam na minha cabeça, e eu cheguei lá embaixo depois de ter levado várias pancadas na nuca (mas ao menos são e salvo! \o/). Além do quê, quando você cai na piscina lá no final pela primeira vez, você fica compleeeeetamente desnorteado, sem saber que lado é pra cima e que lado é pra baixo. A segunda vez que eu fui, bem mais tarde, foi melhor: não colei a cabeça contra a rampa e não fiquei perdido ao cair na piscina, e idem pra terceira vez. O treco é legal pela sensação, mas nem um pouco pela vista: tudo se passa tão rápido que não dá tempo de você ver nada. Nada de vista do parque durante a queda, nada de vista do aquário quando você passa pelo tubo a várias dezenas de km/h... mas vale pela sensação!
Nas 8 horas que a gente ficou lá dentro (!!!), acabei indo em todas as atrações do parque (exceto uma que era exclusiva pra crianças c[= ). Tem o Volcano, que é mó legal: ele fica do lado do dragão, e é um tubo completamente escuro, sendo que, no meio, você cai em algo que representa um vulcão: o ambiente é um pouco mais quente que fora, com bastante vapor de água e várias luzes que representam raios. Fui também no El Gigante: mais um em que você desce em tubos, caindo dessa vez em um treco circular onde você fica girando antes de cair no buraco do centro e ir parar na piscina. Tem também o Mekong Rapids, mais um em que você cai em tubos, mas dessa vez bem rápido, e com mais água que os outros, aparentemente; você acaba se molhando bastante... tem o Mai Thai River, onde você pode fazer uma espécie de passeio de bóia pelo parque: você vai devagar, guiado pela correnteza fraca, exceto numa subida em uma rampa e numa descida lá em que você vai um pouco rápido; é ideal pra fazer a comida descer depois do almoço. Tem também uma praia artificial lá e, nela, o que eu considero a segunda melhor atração do parque: The Wave Palace, a piscina de ondas. A piscina começa depois da praia artificial, e vai aumentando de profundidade, até não dar mais pé (ao menos pra mim c[= a maior profundidade que eu vi marcada na lateral foi 1,90m, mas acho que chega a 2m). No final, tem o treco que gera ondas de até 3m de altura. Aí fica um monte de gente na piscina esperando as ondas; antes de elas quebrarem, o pessoal só sobe e desce, mas, na região onde elas quebram, todo mundo acaba sendoarremessado, e, se você tentar nadar com a onda, você acaba indo bem longe e bem rápido; além disso, tem as várias ondas pequenas que seguem. É muito divertido, o único problema é que é só durante 20min a cada hora (e, se você tiver azar, você chega lá bem no final, pegando só as duas últimas ondas! =( ). Bom, essas são as atrações do parque, e a gente conseguiu se divertir muuuuuuuuuuuuuuuito lá durante 8 horas! =D
Depois do parque, voltamos pro hotel; tomei um banho e, à noite, saí com o pessoal; eu ainda não tinha saído e queria ver como que era a Playa de las Américas à noite. Não é nada tããããão animado assim, mas é legalzinho; acabei voltando cedo que eu tava bem cansado.

11. Sétimo dia: Tour da ilha
Na sexta-feira, acordei cedo com o objetivo de tentar viajar pra algum canto da ilha que eu não conhecia. Eu tinha falado com o Remy na véspera, e acabei indo com ele, com o Henri e com o Jean-Leopold pra Puerto de la Cruz.

11.1. Puerto de la Cruz
Puerto de la Cruz fica no norte da ilha, e eu diria que é uma cidade intermediária entre Playa de las Américas e Santa Cruz de Tenerife: ela é turística, mas não tanto quanto Playa de las Américas, e tem também muito cara de ser uma cidade mais típica canária, mas não tanto quanto Santa Cruz.

Uma rua no centro de Puerto de la Cruz

A gente desceu da rodoviária e andou um pouco pelo centro da cidade, que deu a impressão de ser bem limpo e organizado, e fomos depois pra beira-mar. Andamos um pouco para um lado sem praias, onde vimos um fonte, algumas igrejas e alguns pontos de onde se via bem a cidade.

Puerto de la Cruz vista da beira-mar

Andamos um pouco na direção contrária até chegarmos a uma praia. A praia parecia ser bem simpática, e tinha uma peculiaridade: a areia era negra!

Praia de areia negra em Puerto de la Cruz

Eu já tinha ouvido falar que tinha praias assim em Tenerife, mas ainda não tinha visto nenhuma. A areia negra da praia é de origem vulcância, e, bom, tirando a cor, ela é idêntica à areia normal: fina, macia, agradável pra se andar descalço. A gente acabou não parando nas praias por lá, mas continuamos andando à beira-mar, procurando um café razoável pra comer alguma coisa. Acabamos nos distanciando um pouco do centro e resolvemos voltar, já que, dali para frente, não parecia ter nenhum café. Voltamos para o centro da cidade, dessa vez não à beira-mar mas mais pelo meio, e paramos num restaurante pra almoçar. O almoço foi bom, apesar de caro, e, depois de passear mais um pouco pelo centro, pegamos um ônibus para ir para outra cidade.

11.2. La Orotava
Fomos para La Orotava, uma cidade pequena perto de Puerto de la Cruz, que fica mais pro alto da montanha, longe do mar. A cidade é muito bonita; mais ainda que Puerto de la Cruz, eu diria.

Vista de La Orotava, perto do centro histórico

O centro histórico possui várias casas antigas, todas com plaquinhas de informação na frente contando um pouco sobre a história, e algumas com entrada gratuita pra visita. Entramos em uma delas, a Casa Méndez-Fonseca, que é uma das Casas de los Balcones. A casa é de 1657 e é muito bonita, tanto por dentro quanto por fora.

Vista de fora da Casa Méndez-Fonseca

Andamos mais um pouco por La Orotava, e paramos num café pra tomar um suco, antes de ir pra rodoviária pra pegar um ônibus de volta a Puerto de la Cruz, para, lá, pegar outro ônibus.


Rua no centro histórico de La Orotava


11.3. Icod de los Vinos
Em Puerto de la Cruz, pegamos o ônibus para Icod de los Vinos. A viagem é um tanto demorada, pouco mais de uma hora, mas vale muito a pena pela paisagem.

Uma das belas paisagens que tem na estrada pra Icod de los Vinos. Tá, não parece tão bela assim, mas eu juro que eu fiz o meu melhor, e não tá tão mal pra uma foto de dentro do ônibus...

Depois de um tempo de estrada, já dá pra perceber que a paisagem do lado oeste da ilha é bem diferente da do lado sul e leste: o ambiente parece mais úmido, e é possível de ver florestas por lá com árvores bem diversificadas; do lado sul e leste, o clima parece mais desértico, e as únicas florestas estão bem altas e são florestas de pinheiros. A nossa idéia em Icod era ir pra praia, e a cidade nos surpreendeu um pouco: não esperávamos que a altitude média lá fosse de 235m, nem que a rodoviária ficasse num ponto tão alto da cidade. Tentamos descer para ir à praia, mas, depois de muito descer, a gente ainda via o mar láááááá embaixo, e acabamos desistindo e subindo de novo.

Icod de los Vinos. Um pouco longe demais da praia pra gente...

Mas, ao menos, a paisagem lá era bonita, bem como a cidade. De lá, dá pra se ter uma boa vista do Teide.

Teide visto de Icod de los Vinos

O nosso plano era voltar direto de Icod, mas, chegamos na rodoviária junto com o ônibus que ia pra Los Gigantes, um dos lugares que a gente queria visitar.

11.4. Los Gigantes
Igualmente, o caminho pra Los Gigantes é meio demorado, mas, de novo, a paisagem vale a pena. A gente passou primeiro por uma floresta e depois por um grande vale, onde a vista do Teide era excelente.

Teide visto da estrada de Icod de los Vinos a Los Gigantes

Passamos por alguns vilarejos, bem pequenos, no caminho para Los Gigantes, até finalmente chegamos à cidade. Em Los Gigantes, ficam as falésias de Los Gigantes, que têm de 500m a 800m de altura. Quando a gente chegou lá, já era quase pôr-do-sol, mas ainda assim deu pra ver as falésias.

Ao fundo, as falésias de Los Gigantes

O mar fica a oeste e, logo em frente, a ilha de La Gomera, e a gente acabou tendo uma bela vista do sol se pondo atrás da ilha.

Pôr-do-sol em Los Gigantes

A gente foi pra uma pequena praia lá, também de areia negra, onde eu molhei meus pés no mar pela segunda vez desde o começo da viagem!

Molhando os pés numa praia de areia negra

Não dava pra nadar na praia lá, já que o mar é muito bravo e tinha muitas pedras, mas a gente aproveitou pra olhar o pôr-do-sol e tirar algumas fotos. Depois, pegamos o ônibus de volta, e chegamos na Playa de las Américas às 20h, antes da janta ainda!

Los Gigantes à noite


11.5. Playa de las Américas
E, de volta, antes da janta, ainda passamos no apéro (aperitivo) que estava tendo no quarto dos chefes de esporte. Jantamos e, depois da janta, arrumei as minhas coisas pra viagem de volta.

12. Oitavo dia: A volta
Acordamos cedo pra tomar o café-da-manhã e ir logo cedo pro aeroporto. No ônibus até o aeroporto, boa parte do pessoal já foi dormindo. Acabei não dormindo nos vôos; fiquei ouvindo música a viagem inteira. O primeiro vôo deu um pouco de medo: no teto, tinha televisões, que deveriam, creio eu, passar algum filme, ou mostrar as informações do vôo; no entanto, elas ficaram desligadas, chacoalhando muito durante a decolagem. Além disso, elas podiam fechar, e o piloto ficava se divertindo fechando e abrindo elas de tempos em tempos. Mas o pior foi quando...

Ooops... bom, ao menos não é Windows 3.1 ou algo assim

E o pior foi a tela que estava antes da inicialização do Linux: era uma tela de boot de um 486 (sim, eu juro que eu consegui ler um 486, mas não deu tempo de pegar a máquina fotográfica!!). Espero que os sistemas de controle do avião sejam um pouco mais modernos que os sistemas da TV...
E, bom, sobrevoando a França já começaram a aparecer nuvens, e chegamos no aeroporto de Orly com o bom tempo parisiense: chuva e nuvens! Mas valeu muito a pena a viagem, e eu recomendo as Ilhas Canárias pra quem tiver uma semana de férias e quiser algo bem tropical não tão longe da Europa.

E, bom, das Ilhas Canárias, é isso. Uma ótima semana de folga, que valeu muito a pena! =D Superou todas as expectativas!
# postado por Gui em 16:01:00
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Em Paris  
Sétimo post da série de posts atrasados. Vai, já tô contando a metade de outubro, logo deve acabar...

Pro meu dia 17 de outubro não ficar marcado como um dia exageradamente chato depois de toda aquela cerimônia militar chata, fui pra Paris; ao menos, se fosse ótimo em Paris, em média no final seria um dia médio.

E até que foi bem legal em Paris. O George e o Chico, os dois que estudavam engenharia elétrica na Unicamp, iam pra Paris encontrar com uma garota da sala deles que estava estudando no sul da França e indo pra Paris pela primeira vez. Ela estudava numa das Écoles Centrales e o pessoal da escola dela ia pra Centrale de Paris; os dois iam então encontrar com brasileiros que estavam estudando em várias escolas da França inteira, e eu fui de bicão! c[= E os planos eram bem simples: a gente ia visitar...

... essa torrezinha!

Encontramos com o pessoal lá embaixo da Torre Eiffel, e ficamos um bom tempo conversando por lá. O pessoal das Centrales é mó gente boa, conheci bastante gente que estuda em várias cidades da França. A gente atravessou o Champ de Mars, e fomos até o outro lado dele pra tirar fotos da e com a Torre

Clássica foto na frente de uma antena de telecomunicações da Torre Eiffel

E, depois, a opção mais natural era subir até o topo. Foi a terceira vez que subi no topo da Torre Eiffel: a primeira tinha sido em pleno inverno, na minha primeira semana na França, e a segunda, um mês antes, em setembro. Dessa vez, quando a gente subiu, já era noite. Tirei váááárias fotos lá em cima, afinal, Paris sempre é bonita à noite.

Paris à noite. Bem no meio da foto, o Arco do Triunfo

Uma coisa que eu tinha visto da segunda vez que tinha subido, e que eu não tinha conseguido fotografar direito, foi isso:

Em caso de emergência... pule?

Em todos os prédios da França, tem uma plaquinha indicando como sair em caso de emergência, com um mapinha do lugar, o chamado plano de evacuação. O topo da Torre Eiffel não é uma exceção: tem lá uma plaquinha mostrando o mapa do topo da Torre e quais são as saídas em caso de emergência. Imagino que, em caso de emergência, o jeito mais fácil de se descer 276,13m não seja pelas escadas, mas, enfim... outra coisa que vi lá em cima é que eles vendem champagne por lá! Até pensei em comprar, mas o preço de 10€ por taça não é lá muito animador, e eu desisti da idéia.

De lá, a gente foi pro Quartier Latin comer um crepe. E, pra quem quiser comer um bom crepe em Paris, recomendo fortemente a Crêperie de Cluny. Ela fica aqui, bem no meio do Quartier Latin. O carinha que faz os crepes pra levar (« vente à emporter ») é bem simpático, e os crepes são uma delícia. Vale muito a pena, já fui lá várias vezes e sempre que tô por perto e com vontade de comer um crepe, vou lá (e isso nem é um post patrocinado, até porque não sei quando uma crêperie ia querer anunciar num blog como o meu...).

E, bom, depois disso voltamos, que já estava bem tardinho, mas valeu a pena, e até que fez valer o dia esse passeio em Paris. E descobri que, como era de se esperar, um passeio em Paris acaba com qualquer chateação oriunda de cerimônias militares!
# postado por Gui em 01:49:00
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sábado, 26 de dezembro de 2009

Cérémonie de présentation au drapeau  
Mais um post da série de posts atrasados - o sexto. Pelo visto isso vai longe...

A data da cerimônia de entrega das espadas foi bem planejada. Isso porque a gente recebeu as espadas no dia 7 de outubro, sendo que, no dia 17, a gente tinha uma cerimônia militar em que a gente tinha que usá-las.

Bom, já que eu vou descrever essa cerimônia aqui, já vou avisando que estou deixando aqui as minhas opiniões sobre a cerimônia. Muitos podem discordar do que eu vou escrever aqui, então lembro que isso é só minha opinião e que não é de forma alguma uma verdade absoluta sobre cerimônias militares. Enfim...

O que a Polytechnique chama de "tradição", eu costumo chamar de besteira e encheção de saco. Quando a Polytechnique virou uma escola fresca militar, sob o regime de Napoleão, logo foi feita uma bandeira pra ela, que é essencialmente a bandeira da França com os escritos "Pour la patrie, les sciences et la gloire" em dourado no meio. Essa bandeira fica sempre com uma turma da École, e tem duas cerimônias importantes que a envolvem: a apresentação à bandeira (Présentation au drapeau) e a passação da bandeira (Passation du drapeau; eu descrevi essa cerimônia na parte 6 desse post com uma visão bem diferente da que eu tenho hoje). A bandeira está atualmente com a turma X2007, e ela foi apresentada pra nossa turma nessa cerimônia do dia 17 de outubro. Ou seja, é uma cerimônia em que a gente tem que ficar de pé lá enquanto alguns alunos da turma X2007 desfilam com a bandeira na nossa frente. Meio ilógico? Bem militar... Simples? Bom, nem um pouco!

Porque, várias semanas antes disso, começam os ensaios. Os estrangeiros, além de tudo, tem alguns ensaios a mais: a gente aprende posição de sentido (« garde-à-vous! »), de descansar (« repos »), a virar pra esquerda, pra direita, a dar meia-volta, a marchar... logo depois que a gente recebe a espada, tem os ensaios com a espada: apresentar armas, portar armas, etc. (Ironia mode on) Enfim, tudo aquilo o que eu sempre sonhei ao sair do Brasil pra ir pra França: ser militar, aprender a marchar, a obedecer ordens do tipo "sentido! repouso! sentido!", toda essa disciplina inteligentíssima e racional; quem liga pra matemática que se ensina na Polytechnique?! Quem liga pros estudos?! Importante mesmo é saber marchar!! (Ironia mode off; melhor limpar um pouco que esguichou veneno aqui...). Os ensaios começam só com os estrangeiros, depois é com todo o pessoal da seção esportiva, em seguida é com o pessoal da companhia e, finalmente, com toda a turma. Faltei em um ou dois ensaios com toda a turma, mas, no final, tive que ir, vi que não teria como escapar...

Mas não são só esses ensaios. Tem também os ensaios de canto! Porque, sim, a gente tem que cantar duas músicas: A Marselhesa e a música da nossa turma. Os ensaios de canto são a coisa mais chata que pode existir, e nem sei porque eu fui; na hora, só cantei A Marselhesa, e me recusei a cantar a música da turma, que era de tema militar (A Marselhesa também é, mas é o hino da França, e é até que bonitinho). Nos ensaios, a turma toda (ou a parte dela que vai ensaiar) fica lá nos anfiteatros, enquanto que o regente fica lá da frente, xingando todo mundo porque ninguém canta direito (ou seria xingando Todo Mundo porque Ninguém canta direito? Enfim, divagações...). (Ironia mode on) Os ensaios são beeeeeeeeeeem chatos, mas, bom, foi o que eu fui fazer na França, né, aprender a cantar direitinho pras cerimônias militares, porque, afinal, esse negócio de ir pra França estudar Engenharia é inútil; quem quer ser engenheiro?! Quem quer aprender matemática?! Ninguém, o importante é cantar bonitinho pra manter as tradições da Polytechnique. Não as tradições no estudo de matemática, que vêm da época de Cauchy, de Poincaré, de Laplace, de Poisson, de Liouville, mas as tradições militares, essas que realmente importam. Afinal, quem é mais conhecido, Napoleão ou Cauchy?! (Ironia mode off).

A parte chata poderia parar aí, se o ilmo. sr. François Fillon, primeiro ministro francês, não tivesse ido ver a nossa cerimônia. Porque, como ele foi, os nossos chefes militares piraram e chamaram o triplo de ensaios: tudo tinha que sair perfeito pro Fillon ver. Ensaiamos pra caramba: entrada, os cantos, o pessoal X2007 desfilando com a bandeira, a saída e depois passar marchando na frente do ministro. Inclusive o último ensaio foi engraçado: enquanto um major passava vendo as tropas, simulando a passagem do ministro, o celular de um chinês tocou. Não bastasse tocar pra caramba, ele bateu no bolso da calça tentando desligar (a gente estava em posição de sentido, com a espada levantada), e o que se ouviu depois que a música do toque parou foi um "Alô?": ele tinha ligado o viva-voz! O major não percebeu, mas todo mundo que tava por ali riu um bocado. Também no último ensaio um brasileiro deixou cair a espada, fez um bom barulho, mas nessa hora a gente não estava fazendo nada de importante (bom, estritamente falando, a gente não fez nada de importante em momento algum nesses ensaios...).

Meus pensamentos eram mais pra matar essa coisa, mas acho que o meu chefe ia ficar infinitamente p(*) da vida comigo, então resolvi agüentar a chatice e ir. Acordar cedo no sábado, vestir aquele uniforme maravilhoso, tomar um café-da-manhã reforçado pra não passar mal de enjôo com tanta m(*)... chegamos lá e começou a cerimônia; todos os pais dos franceses estavam lá, orgulhosos de verem seus filhos militares (mais orgulhosos por eles serem militares do que por eles estarem estudando em uma escola de altíssimo nível científico, pelo visto). Entramos, ficamos em posição, um pessoal leu uns trecos lá e teve a famosa "gag" da Khômiss, uma das besteiras tradições dessa cerimônia. Não foi nada de muito interessante: o GénéK (general da Khômiss, o único aluno da Khômiss que é conhecido publicamente) falou que, como os militares tinham pedido pra Khômiss não fazer nenhuma "gag", já que o ministro iria, eles não fariam nenhuma "gag", mas um passe de mágica. Estava o general e mais dois caras fantasiados de coelho perto de uma cartola gigante; enquanto o GénéK falava que ia fazer o comandante de promoção desaparecer, os coelhos simulavam reprodução e, quando o GénéK virou e viu os coelhos, ele derrubou a cartola e tinha vários coelhos vivos lá embaixo. O pessoal começou então a espalhar os coelhos, espantando os pobres bichos e pegando-os pela pele e jogando-os pra longe: além de não ter graça, a "gag" deles ainda maltratou animais! Depois jogaram um pano branco sobre um prédio lá, pra fazer parecer que ele tinha "sumido", a mágica do GénéK; graça alguma... e depois eles arrumaram tudo e saíram. E a gente ficou lá, esperando o ministro. E esperamos o ministro. E esperamos o ministro. E esperamos o ministro. O cara chegou com uma bela meia hora de atraso, durante a qual eu, que fiquei na última fila, fiquei tomando garoa fina nas costas e vento gelado na nuca, uma delícia. A cerimônia continuou: teve mais falação, o ministro foi ver as tropas, o pessoal X2007 foi lá desfilar com a bandeira na nossa frente, a gente saiu e passou desfilando na frente do ministro e - fim!

Ou quase. Porque, depois, o ministro ainda ia dar discurso, e a gente era obrigado a ir ver. O discurso foi mais curto do que eu esperava, mas ainda foi meio longo; foi sobre coisas políticas, a política de implantação de um pólo de tecnologia em volta da Polytechnique, blábláblá, podia até ser interessante, mas, pra quem tinha acabado de sair de uma cerimônia militar infernal, era mais pra tedioso.

E, depois do discurso, ia ter um almoço no Magnan; seria mó chique e talz, vários pais de alunos iam. Como eu já tava de saco cheio, voltei é pra casa, fiz um arrozinho e tirei aquele uniforme desconfortabilíssimo. E finalmente acabou a primeira das duas cerimônias chatas da Polytechnique. E a próxima, só no dia 2 de abril - como eu queria uma desculpa pra não ter que participar (É, parece que a minha mentalidade mudou um pouco desde quando eu assisti a cerimônia dos X2007). Mas, enfim, é a vida, a gente tem que engolir essas coisas chatas de vez em quando... não é minha culpa se a escola que mais aceita estrangeiros na França é também a escola com mais frescuras militares...

Bom, e, por esse post, é isso. A falta de ilustrações vem do fato de que eu não queria tirar nenhuma foto desse momento chato. Quem quiser ver o ministro na Polytechnique, só procurar por "François Fillon Polytechnique" no Google; esse link aqui, por exemplo, tem algumas fotos, e até o discurso completo do ministro está disponível on-line. Por mais que possa parecer legalzinho nas fotos, acreditem, estar lá de uniforme durante a cerimônia é extremamente chato!
# postado por Gui em 15:27:00
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Remise des tangentes  
O quinto da série de posts atrasados - quantos posts atrasados será que vai ter? Bastantinho, até agora...

Em junho, depois de ter vestido o uniforme da Polytechnique pela primeira vez, teve a cerimônia em que a gente recebeu o nosso chapéu, a bicorne. Pra ser um uniforme completo, só faltava a espada, né? Pois bem, no dia 7 de outubro, a gente teve finalmente a cerimônia de remise des tangentes, a entrega das espadas. A nossa espada é conhecida como tangente pela posição dela: ela é usada tangente à perna. Essa cerimônia foi bem mais simples que a remise de bicornes: não foi em Paris, mas no próprio campus da École. O bom é que é uma cerimônia bem mais rápida, a gente não precisa ir atééééé Paris. A cerimônia também é mais curta e, diferentemente da remise de bicornes, ela começa no horário (a nossa remise de bicornes começou com 45 minutos de atraso), ou pelo menos com menos atraso. O parrain (padrinho) é o mesmo da remise de bicornes; o problema é que eles fazem toda a cerimônia com as luzes apagadas e, pra achar onde você tem que ficar e pro seu parrain te achar só com a luz da lua, é bem mais complicado. Enfim, todos os alunos posicionados, a cerimônia começa; o GénéK, o general da Khômiss (grupo responsável por "manter as tradições da École", ou ao menos o que eles chamam de tradições...) fala algumas baboseiras como sempre e pede pros bixos se ajoelharem (o que foi feito com um pouco de protesto, já que tinha chovido e o chão estava molhado); os parrains entregam então a espada e... a cerimônia acaba. Bem menos falação que a outra, bem mais simples. Ou quase acaba, né. Assim como é tradição tomar champagne na bicorne, é tradição comer espetinho depois da remise de tangentes, usando a espada com espeto. Pão, queijo, maçã, presunto, o espetinho na espada é até que bem completo, vale por uma janta!

Os 12 brasileiros X2008 depois da entrega das espadas, a maioria ainda sem ter terminado de comer o "espetinho"

E o que alunos fazem quando acabam de receber uma espada? Bom, como não tem corte (o que é bem sensato, diga-se de passagem), a melhor coisa a fazer é brincar com ela!!

Por exemplo, brincando de espetar uma maçã!


Em guarda!

Ah, sim, a propósito, me lembrem de não brincar de espada com um cara que faz esgrima, dá medo! Hauhauahuaha
Bom, depois disso, a cerimônia acabou; teve até uma festa, mas eu nem fui (afinal, a cerimônia foi numa quarta-feira!!). Ah, sim, e fiquei um bom tempo brincando com a espada depois - é muito legal ficar tirando ela da bainha, faz barulho de... de espada saindo da bainha, mó legal! Hahuahauhauha... (sim, que bom que ela não tem corte mesmo!!)

Bom, e é isso! Inté mais!
# postado por Gui em 01:06:00
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal  
Um Feliz Natal pra todos os visitantes do Blog dos Nerds! É o que deseja toda a equipe Blog dos Nerds (i.e., eu!)
# postado por Gui em 19:59:00
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

E mais nada de interessantes nas outras três semanas...  
Mais um - o quarto - post contando sobre as coisas antigas...

E o que eu fiz na segunda metade de setembro e no começo de outubro? Quase nada fora da rotina de estudos. Quase nem fui pra Paris nesse meio tempo, e cheguei a ficar dois finais de semana seguidos na Polytechnique, sem ir pra Paris, coisa que eu não tinha feito até então (e que eu não repeti - ficar na Polytechnique aos finais de semana deixa qualquer um maluco em pouco tempo!). Dá pra entender: no dia 14 de setembro a gente recebeu o enunciado do trabalho de matemática pra entregar pro dia 30 de setembro, e, pro dia 7 de outubro, a gente tinha também um trabalho de mecânica pra entregar; isso explica os fins de semana sem sair e a rotina de estudos. O máximo que fiz nesse meio tempo foi ir pra Paris, no dia 3 de outubro, pra comprar óculos de natação - os meus, de mais de 5 anos já, tinham estourado e, apesar de eu ter colado com super bonder, não pretendia continuar usando-os daquele jeito. Acabei comendo um crepe por lá (crepes são uma delícia, diga-se de passagem!) e até queria ir no cinema com o pessoal, mas a gente chegou na porta do cinema bem tarde, os filmes iam começar muito tarde e a gente não ia conseguir pegar o trem pra voltar. E acabou que ficamos em uma praça perto do metrô Odéon vendo um grupo de capoeira. Devia ter vários brasileiros lá, mas, pelo sotaque com que eles cantavam as músicas, tinha vários franceses no meio também. Até que a roda de capoeira era grande, e muita gente tinha parado pra ver, foi interessante. Mas, bom, nessas três semanas do fim de setembro e começo de outubro, foi só isso de interessante mesmo.
# postado por Gui em 05:12:00
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Cérémonie des couleurs  
Et voici o terceiro post da série de coisas que aconteceram entre as férias de verão e as férias de Natal.

A cérémonie des couleurs é uma cerimônia que tem na Polytechnique quase sempre. Dos 500 alunos de cada turma, 100 são estrangeiros, que representam diversas nacionalidades. E, por causa disso, quase toda terça-feira tem uma cerimônia pra celebrar a festa nacional de um ou mais países. Eu nunca tinha ido em nenhuma porque (i) é cedo demais e (ii) você tem que ir com o uniforme, o que implicaria ir de uniforme pra aula de matemática logo depois, e ficar de uniforme na aula de inglês e até o almoço, o que não é nem um pouco confortável. Mas, bom, 7 de setembro é a festa nacional no Brasil, e, no dia 15 de setembro teve a cerimônia do Brasil. Do Brasil, do Chile (cuja festa nacional é no dia 18 de setembro) e do Vietnam (cuja festa nacional é 2 de setembro).

Brasileiros, chilenos e vietnamitas na cérémonie des couleurs

Participam dessa cerimônia os alunos das nacionalidades em questão, e também todo o pessoal do departamento de relações exteriores, vários dos militares e os alunos que quiserem ir; em geral, os chefes chamam os alunos das seções esportivas que possuem alunos das nacionalidades da cerimônia.

Alguns dos militares que participam da cerimônia

Na nossa, foram vários alunos até; talvez por sermos 12 brasileiros, todos os 12 bem distribuídos em várias seções esportivas, além dos chilenos e dos vietnamitas.

Os alunos que participaram. Bem mais do que eu imaginava que teria!

Os alunos cujas festas nacionais são festejadas ficam todos ao lado da bandeira, enquanto que os convidados formam um bloco. A cerimônia tem todas as frescuras de uma cerimônia militar: os alunos que vão assistir tem que ficar em posição de sentido, o diretor geral da escola passa vendo os militares e os alunos, e depois começa o hasteamento das bandeiras. Foi por ordem alfabética, e começaram então pela do Brasil.

Começando a hastear a bandeira do Brasil

E descobri que tem como deixar o nosso hino ainda mais curto do que quando só cortam pela metade! Começou normalmente: introdução, "ouviram do Ipiranga", etc, mas, do "brilhou no céu da Pátria nesse instante", já pulou pra "gigante pela própria natureza", e evidentemente que, depois desse corte, cortaram também a segunda parte inteira. O resultado é que o coitado do Ricardo, que começou hasteando a bandeira beeeeeeem devagar, sabendo o tamanho do hino, teve que correr da metade pra frente, pra conseguir terminar junto com a música.

"Pátria amada, Brasil!"


E a nossa bandeira lá no topo! =D

Depois foi a vez dos chilenos e dos vietnamitas; não sei se o hino deles foi tão cortado quanto o nosso. E, no final, as três bandeiras estavam lá no céu da Polytechnique. Foi até legal: não estava ventando muito, mas, assim que os vietnamitas terminaram de hastear a deles, o vento ficou um pouco mais forte e as bandeiras começaram a balançar.

As flâmulas do Chile, do Brasil e do Vietnam no céu da Polytechnique


Brasileiros na frente das bandeiras, após a cerimônia

Na saída da cerimônia, ainda tem um coquetel com os militares, durante o qual os alunos fazem um discurso. A idéia do nosso foi do Ricardo, o Mineiro o ajudou a escrever e eu também dei uma mãozinha, e bom, ficou muito bom, na minha opinião.

E eis o discurso, com legendas (um pouco fora de sincronia...)

Enfim, apesar de eu não ser o maior fã de cerimônias militares (outras piores serão descritas nesse blog), até que foi interessante essa cérémonie des couleurs. E, bom, logo depois do discurso, eu já teria que ir pra aula de matemática sem aproveitar o coquetel; decidi comer algo e depois voltei pra casa pra tirar o uniforme e ir só pra aula de inglês mesmo. E acabou sendo a única cerimônia em que eu fui; não fui nas dos outros, já que é beeeem chato ter que ir e depois ou ir pra aula de matemática de uniforme ou matar aula.

Bom, e é isso. Em breve mais dos posts atrasados!
# postado por Gui em 04:11:00
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Turistando em Paris  
O segundo da série de posts atrasados... no fim de semana de 10 a 13 de setembro, o Cuco e o Trombose foram pra Paris, ficaram lá em casa e eu acabei saindo um bocado com eles por lá, pra visitar a cidade. Et voici o que a gente fez por lá!

1. Louvre, Tuileries, Champs-Elysées e o Arco do Triunfo
No primeiro dia deles por lá, eles andaram um pouco pela região da Notre-Dame; encontrei com eles por lá, e fizemos o caminho de lá até o Arco do Triunfo, um caminho clássico em Paris, que passa pelo Louvre, pelo Jardin des Tuileries e pela Champs-Elysées.

Louvre e uma pontinha da Île de la Cité vistos da Pont Neuf

Encontrei com o pessoal num Subway por lá e passamos pela Pont Neuf, indo em direção ao Louvre. O pessoal ficou maravilhado com o Louvre, do mesmo jeito que eu tinha ficado da primeira vez que eu vi aquilo. Também, o Louvre é gigante, e a vista da pracinha bem no meio dele é de fato impressionante. O pessoal aproveitou pra tirar um monte de fotos; uma boa, já que o dia tava beeeeeem bonito!

Musée du Louvre. Mó grandin, né?

De lá, a gente passeou bastante também no Jardin des Tuileries. Tava mó bonito, no verão, com o sol do fim de tarde batendo nas árvores. A gente até aproveitou pra parar um pouco por lá e sentar à beira de um dos laguinhos artificiais que tem por lá, pra tirar fotos, tava mó bom.

Turistando no Jardin des Tuileries. Muito legal lá no verão.

E, de lá, andamos a famosa Avenue des Champs-Elysées do começo ao fim (quase 2km!!), com direito a uma pausa no meio do caminho pra jantar, o que fez a gente chegar no Arco do Triunfo já de noite.

O começo da Champs-Elysées...


... e o final!

A gente ficou um tempo lá embaixo e depois subimos no Arco do Triunfo, e recebi a maravilhosa notícia que não são os jovens europeus de menos de 26 anos que não pagam pra subir no Arco, mas sim os jovens que moram na Europa - ou seja, subi sem pagar =D É bom, que daí dá vontade de ir mais vezes (apesar de eu ainda não ter ido mais nenhuma =D). Ah, sim, a propósito, algumas informações sobre o Arco do Triunfo. Em 1806, depois da batalha de Austerlitz, Napoleão declarou que seus soldados só voltariam aos seus lares sob arcos de triunfo. O Napa, pouco megalomaníaco que era, queria algo gigantesco no estilo romano. Ele queria algo na praça da Bastilha, mas o pessoal acabou construindo na praça da Estrela, que era maiorzinha. Ele demorou 30 anos pra ficar pronto, também devido à instabilidade política da época. A escada para subir ao topo tem 284 degraus e, lá em cima, tem uma sala com informações da história da construção, informações sobre outros arcos do triunfo em outros lugares do mundo, etc.

Pequena escadaria para subir ao topo (foto do Cuco)

Inútil dizer que a vista de lá de cima é muuuuuuuito boa, ainda mais à noite - o único problema é que eu não sou bom fotógrafo!

Champs-Elysées vista do Arco do Triunfo. É mais bonito ao vivo, é que o fotógrafo não é dos melhores...

E a vista que a gente tem da Torre Eiffel de lá também é muuuuuuito boa

Torre Eiffel vista do Arco do Triunfo. É, normalmente, ela não é branca

Essa foto que eu tirei foi de longa exposição. Quando eu a vi, eu estranhei: uai, por que a Torre Eiffel tá branca?! A iluminação dela é amarela! Foi aí que eu olhei pra ela e vi que (1) todo mundo tava olhando pra ela, porque (2) ela tava piscando! E foi então, quase 8 meses depois de ter chegado na França, que eu descobri que a Torre Eiffel piscava à noite!!! Na verdade ela pisca por um tempo (acho que 5 ou 10min) a cada hora, mas, até então, eu não sabia disso (oooooooooooooooooooolha só, nuuuuuuuuuuuuuuuuunca tinha reparado, né?!).

Ooooooooolha só!!


A Torre Eiffel pisca!!!

Enfim, e foi só isso desse dia, já que eu ainda tinha que apresentá-los às escadarias de Lozère antes de eles poderem dormir! c[=

2. Aniversário do Levi
No segundo dia deles por lá, eu estava em aula, e acabei só saindo à noite. Era aniversário de um brasileiro da Polytechnique, o Levi, e a gente foi comemorar em Paris, comendo uma pizza.

Pessoal causando na pizzaria no aniversário do Levi (foto do Tiago)

Depois a gente ainda andou um pouco à noite em Paris, ali na região da Notre-Dame e um pouco no Quartier Latin, antes de voltar pra Polytechnique.

Uma pontinha do palácio da justiça de Paris (à esquerda) e a Pont au Change, vistos da Pont Notre-Dame


E a Notre-Dame até que fica bem iluminada à noite!


3. Palácio de Versalhes
No sábado, fomos pro Palácio de Versalhes. Eu tinha ido só uma vez para lá, no começo da primavera, e ainda não tinha visitado o palácio em si, só os jardins; dessa vez, a gente foi com a intenção de visitar o palácio.

Humildes portões do Palácio de Versalhes


Turistando na frente do palácio

A visita ao palácio de Versalhes começa bem: a primeira coisa que se vê lá dentro é a Capela Real, gigantesca, toda enfeitada, muito bonita. Mas, depois, ela fica um pouco sem graça: começam as Galerias do Século XVII, que são temáticas mas não são muito bem organizadas, na minha opinião. Não tem nada explicando o que é o quê, nem no audioguia nem em nenhum panfleto: são só quadros, que dão a impressão de serem meio jogados aleatòriamente. Subindo as escadas, no final da galeria, tem um gigantesco corredor, com várias estátuas. Dentre eles,

Deriva em cima e deriva embaixo. L'Hôpital, um matemático com uma das regras de cálculo mais famosas!

E depois desse corredor com as estátuas é que vem a parte boa: os Grandes Aposentos do Rei e da Rainha. São 17 salas, cada uma com um tema, que eram as salas do rei e da rainha. Das primeiras 7 salas, 6 são dedicadas a deuses da antigüidade: sala de Hércules, sala da abundância, sala de Vênus, sala de Diana, sala de Marte, sala de Mercúrio e sala de Apolo.

O trono na Sala de Apolo

Depois dessas salas, vem a sala da Guerra e então a parte mais famosa do Palácio de Versalhes: a Galeria dos Espelhos.

Galeria dos Espelhos no Palácio de Versalhes. Utilizada antigamente para as grandes recepções e os casamentos da família real, ela é hoje lugar de peregrinação turística, como se vê na foto...

A Galeria dos Espelhos tem 73m de comprimento, 10,5m de largura e 12,3m de altura. A galeria servia, no dia-a-dia, como passagem do rei até a capela ou até os aposentos da rainha, e era também usada nas recepções, nos casamentos da família real e na recepção de embaixadas. E, claro, ela tem esse nome por ser lotada de espelhos. A vista que se tem de lá e dos jardins.

Jardins do Palácio de Versalhes vistos da Galeria dos Espelhos

Da galeria de Espelhos, dá pra ir até a sala de l'Œil-de-bœuf (literalmente, olho de boi), a antesala para entrar no quarto do rei. O quarto tem janelas para o sol nascente - nada melhor para um rei que se chamava de rei-sol, né? Ele foi usado como quarto por Louis XIV de 1701, quando foi construído, até a sua morte em 1715, e fica bem no centro do palácio.

Cama do Louis XIV. Bem humilde, né?

E, saindo do quarto do rei e voltando para a Galeria dos Espelhos, tem o gabinete do Conselho. E, finalmente, saindo da Galeria dos Espelhos, do lado oposto à sala da Guerra, fica a sala da Paz. E, finalmente, as quatro últimas salas são os aposentos da rainha: o quanto, a antesala, a sala dos Nobres e a sala dos Guardas da Rainha, onde atualmente fica uma segunda versão do famoso quadro da coroação de Napoleão.

Detalhe do « Sacre de Napoléon », a versão que tá em Versalhes.

Depois disso, acabam os grandes aposentos, e tem uma sala gigante, a Galeria das Batalhas, com quadros das principais vitórias militares francesas. A galeria tem 118m de comprimento e, pra encher tanta coisa assim, acabaram tendo que começar a pegar as vitórias francesas desde o ano 496.

Turistando na Galeria das Batalhas

E, terminando o andar de cima, tem mais um corredor gigante com estátuas. Dessa vez, outra estátua de famoso:

O inventor do F(s), Tio Laplace, salvador dos engenheiros!

Descemos e, no andar de baixo, visitamos os aposentos do príncipe herdeiro e das filhas do rei Louis XV, e, vencidos pelo cansaço (a nossa visita lá durou três horas e meia), e também por termos visitado tudo, voltamos pra Paris.

4. Torre Eiffel
Até então, eu só tinha visitado a Torre Eiffel uma única vez, ainda no inverno, fazia muito frio, o tempo tava feio... dessa vez, em pleno verão, não perdi a oportunidade de ir com o pessoal.

Na frente de uma antena gigante de telefone celular torrezinha em Paris

Por ser verão, estava lotado de gente, mas até que foi uma boa. Isso porque a gente pôde ver Paris ao pôr-do-sol e à noite: enquanto a gente ficou no segundo andar, o sol se punha e, quando a gente finalmente subiu pro terceiro, depois de um bom tempo de fila, já era noite.

Paris ao pôr-do-sol...


... e Paris à noite

Dessa vez, também descobri outra coisa que não tinha visto na última vez que tinha subido: tem lá em cima uma reconstrução mostrando o Gustave Eiffel recebendo o Thomas Edison. Aquela reconstrução faz até pensar que o Eiffel tinha um escritório por lá ou algo assim, mas na verdade é só uma reconstrução mesmo: o máximo que teve no topo da torre foram um laboratório meteorológico e um ponto de experimentos de telégrafo sem fio.

Vendo Paris beeeeeem de cima

Depois de descer, fomos ainda até o Palais de Chaillot, que é conhecido por ser o melhor ponto para tirar fotos da Torre Eiffel.

Torre Eiffel vista do Palais de Chaillot, o ponto de vista mais clássico da Torre

E, bom, depois disso voltamos, que já estava um bocado tarde...

5. Stade de France
No domingo, eu e o Cuco fomos até o Stade de France, mais conhecido como "o lugar onde o Brasil levou uma lavada de 3 a 0 da França na final da Copa de 98". Bem mais conhecido assim, na verdade! A gente foi lá pra fazer o tour guiado, e aproveitamos o tempo de espera pra visitar o museu. O museu tem várias coisas interessantes: dados sobre a construção do estádio, diversas matérias de jornal sobre os jogos importantes que foram lá, camisetas de jogadores, guitarras de músicos que foram lá, vários vídeos, etc.

Guitarra dos Rolling Stones, do show deles lá em 2006

Mas o problema é a música de fundo. Ou melhor, o som de fundo. Porque, em um canto do museu, fica, em loop, o final da narração da final da Copa de 98. « La France, championne du monde, a battu le Brésil! » ("A França, campeã do mundo, ganhou do Brasil!") Com certeza, o museu não foi feito pra ser visitado por brasileiros... tem até a camiseta... do Ronaldo!

Camiseta do Ronaldo na Copa de 98. Bom, é bom que ela esteja na França, já que o fato de ele não ter jogado ajudou um pouco a França ganhar, né?

A visita do estádio em si é bem interessante. A gente começa nas arquibancadas, entra nos vestiários, depois de uma explicação de como as arquibancadas se movem pra aumentar o tamanho do estádio (pra competições esportivas de outras modalidades, como atletismo) e como isso custa caro e dá trabalho (são vários dias pra mover as arquibancadas e precisa de toda uma equipe de engenheiros responsáveis). A gente passa pelos corredores reservados ao pessoal do estádio, pelos corredores dos jogadores, e até pelo corredor pelo qual os jogadores entram em campo (mas a gente não pôde entrar no gramado; tinha tido um show lá e tinha vários caminhões desmontando o palco).

Gramado do Stade de France visto das arquibancadas

A visita vale a pena; ela dura pouco mais de uma hora e a gente visita boa parte do estádio e anda pra caramba lá.

6. E é só!
Depois disso, eu e o Cuco ainda andamos um pouco por Paris. Ele ficou em casa mais alguns dias, mas, como eram dias de aula, nem pude sair mais com ele, mas já valeu o fim de semana: nunca tinha ido na visita do Stade de France, nunca tinha entrado no Palácio de Versalhes e ainda não tinha subido a Torre Eiffel no verão, então valeu bem a pena o fim de semana turistando em Paris!
# postado por Gui em 03:16:00
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cité des sciences et de l'industrie  
Como eu demorei mais de 3 meses pra postar sobre as férias de verão, muitas coisas aconteceram nesse meio tempo. Vou contar algumas delas aqui em alguns posts; esse daqui é o primeiro da série, sobre a minha visita à Cité des sciences et de l'industrie no dia 5 de setembro (faz tempo, hein!)

No nordeste de Paris, fica a Cité des sciences et de l'industrie. É um museu da ciência - na verdade, é o maior museu de ciência da Europa. Foi inaugurado em 1986, e hoje ele tem vááááárias exposições permanentes, e muitas outras exposições temporárias. E também é bem localizado: fica próximo ao Parc de la Vilette, um parque ao norte de Paris, muito bonito, próximo à Cité de la Musique e do lado da Géode, um cinema em formato de esfera gigantesca, que faz parte da Cité também.

Fomos em um grupo de umas 5 pessoas lá pra Paris pra visitar a Cité des sciences et de l'industrie, mas, na hora de entrar, acabamos entrando só eu, o George e o Linhares; o resto do povo ia em algum outro lugar que eu não lembro onde era fazer alguma outra coisa que eu não lembro o que era. Enfim, eu, o George e o Linhares tínhamos acabado de entrar, estávamos olhando o folheto da Cité pra ver o que tinha lá quando um cara apareceu, perguntou pra gente se a gente gostava de jogos e chamou a gente pra participar de uma pesquisa. A gente olhou um pra cara do outro; eu, particularmente, nunca tinha participado de nenhuma dessas pesquisas aí, e sempre quis participar pra ver como era; o George e o Linhares acabaram aceitando também, e a gente desceu dois andares e entrou por uma porta minúscula em um dos laboratórios do subsolo da Cité! O laboratório era de neurociências, e a pesquisa era nessa linha: a gente tinha basicamente que resolver um desses joguinhos quebra cabeça, do tipo daqueles em que você tem as pessoas de um lado do rio e você tem que levá-las pro outro lado com um barquinho e várias regras. Esse um era na verdade com tartarugas: você tinha tartarugas em piscinas e tinha que tirá-las de lá segundo algumas regras; o software ia monitorando todos os movimentos que você fazia e talz, e, depois de fazer isso duas vezes, você tinha que resolver o mesmo problema, mas com uns botões em vez de tartarugas (segundo o cara, a idéia era ver como as pessoas assimilavam um algoritmo pra aplicá-lo em outro caso parecido). Enfim, o mais interessante foi a expectativa, né: fui o último dos três a participar, e, como eles não podiam me contar o que era, eu fiquei lá, imaginando o que poderia ser, como o jogo poderia funcionar... (momento ego grande: e, segundo o cara, eu fui o único que tinha conseguido resolver o jogo com o número mínimo de movimentos, 42 =D). Enfim, é mó legal participar dessas pesquisas, gostei, apesar do tempo que tomou. Mas, bom, pra compensar o nosso tempo, a gente ainda acabou ganhando um cheque de 10€ cada um! =D

O problema, claro, é que demorou um bocado e, como a gente não tinha ido muito cedo pra lá, acabamos ficando com pouco tempo pra visitar a Cité em si. E acabamos visitando só duas exposições: a de Matemática, e a vizinha, sobre o Som. Eu achei a de Matemática muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito interessante. Logo de cara, já tinha uma demonstração prática do Teorema de Pitágoras: era um triângulo retângulo e três quadrados ocos construídos em cada lado do triângulo. A peça era móvel e, em uma dada posição, o quadrado da hipotenusa estava pra baixo, e cheio de água, enquanto que os outros dois estavam vazios. Aí virando o conjunto, toda a água ia pros dois outros quadrados, e o quadrado da hipotenusa ficava vazio! E voilà o teorema de Pitágoras! Tinha também algumas coisas sobre topologia, um jogo da velha em 3D (mas se você demorar muito pra pensar, o jogo se reseta; eu e o George tivemos esse problema...). Tinha também um treco sobre a braquistócrona, a curva que uma partícula deve seguir pra ir de um ponto a outro, só sob ação do campo gravitacional, em menor tempo possível. Tinha então uma braquistócrona e uma linha reta ligando dois pontos; duas partículas eram lançadas, e a que seguia a braquistócrona chegava primeiro. Ainda no cálculo variacional, tinha também aros de arame de vários formatos diferentes, que mergulhavam no sabão pra mostrar qual era o formato da bolha que ia surgir dali. Tinha também uma de probabilidades: mais de 200 bolinhas caíam e seguiam um caminho aleatório até cair em uns 10 caminhos possíveis no final; depois que todas as bolinhas caíam, a distribuição das bolinhas nos 10 caminhos se aproximava de uma gaussiana. Tinha também várias exposições em vídeo sobre diversos assuntos; enfim, muito interessante.

A gente ficou pouco tempo na de Som, mas mesmo assim achei bem legal o que deu pra ver. Tinha, por exemplo, um muro com vários fonemas de vários idiomas - foi lá que eu descobri que existem mais de 100 sons vocálicos no mundo, e muitos mais de consoantes. Tinha também coisas sobre instrumentos musicais, e dois espelhos de som: eram duas superfícies parabólicas, uma de face à outra; você baixinho no foco de uma delas e a outra pessoa colocava o ouvido no foco e ouvia direitinho, e ninguém no meio do caminho ouvia a conversa dos dois (ao menos esse é o princípio; a gente não chegou a testar). Outra coisa interessante foram os fones de ouvido com cancelador de ruído: o ruído era gerado em uma sala e você colocava o fone pra ouvir a diferença, muito interessante (apesar de que o fone da Apple que a gente tinha visto na loja da Apple em Zurique cancelava o ruído muito melhor que esse um do museu!).

Antes de a gente poder ver tudo na de som, as exposições fecharam, mas, mesmo assim, a biblioteca da Cité ficava aberta mais um tempo, e a gente aproveitou pra ir lá ver o que tinha. Andamos um pouco por lá, e depois atravessamos o Parc de la Villette, passando pela Cité de la Musique, que já tava fechada.

A vontade de voltar pra lá é grande: tem várias outras exposições que a gente não viu. Por exemplo: exposições sobre a luz, sobre a história do Universo, sobre satélites, sobre desenvolvimento durável, sobre segurança, sobre atualidades em ciência, sobre genética, sobre imagens, isso sem contar as exposições temporárias (quando a gente foi, tinha 6). Isso sem contar a biblioteca, a Géoge, o aquário, o cinema, o planetário, enfim, a Cité faz jus ao fato de ser o maior museu de ciência da Europa!

Ah, e, a propósito, foi malz a falta de ilustrações desse post: não levei minha máquina fotográfica no dia c/= Bom, e é isso! Inté!
# postado por Gui em 02:55:00
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

No Brasil  
Depois de uma odisséia, cheguei ao Brasil. E agora tenho um trabalho de Mecânica pra fazer até quarta-feira! Espero que dê tempo... c/=
# postado por Gui em 15:10:00
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Show do Paul McCartney  
Foi suuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuuuu uuuuuuuupeeeeeeee eeeeeeerrrrrrrr!!!
Depois coloco as fotos aqui e / ou no meu Orkut.
Fui a delírio completo quando ele tocou Ob-La-Di Ob-La-Da, Back to the USSR e Live and Let Die.
Muuuuuuuuuitas músicas dos Beatles, muito rock. 3h de show. E o Paul sempre animado, muito mais animado, com seus 67 anos, que muito cantor mais jovem... esse show me confirmou também algo sobre a personalidade dele: o Paul é muuuuuuuuuito gente boa! Ele às vezes fazia piadinhas entre uma música e outra, tentava falar francês... muuuuuuuuuuuuito 10!!!
Ah, sim, apesar de uma presença significativa de jovens (principalmente no gramado; quase não tinha nos lugares mais caros...) boa parte da platéia (mesmo no gramado) tinha cabelos grisalhos, quando os tinha... e mesmo assim todo mundo pulando e cantando o tempo todo! (e é a primeira vez que eu vejo gente de terno num show!)
Enfim, depois eu escrevo mais aqui.
Inté
# postado por Gui em 02:45:00
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Fim de ano  
A parte boa:
Hoje: Show do Paul McCartney (uhuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuu uuuuuuuuuuuuuu \o/) (parto em uns 50min! =DDDD)
Amanhã: Brasiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiil!!!! \o/ (Vôo às 23h)

A parte ruim:
Hoje: tive prova de História da Religião logo pela manhã
Amanhã: dois trabalhos pra entregar (um dos quais "quase" pronto, outro pela metade e que vou terminar só depois do show); ainda não arrumei as malas; aula o dia inteiro amanhã... não sei se vou ter tempo de dormir essa noite!!!

Mas vai valer a pena! Depois eu conto como foi o show!!! =DDD
# postado por Gui em 16:32:00
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