E aqui, valem igualmente as considerações desse post: quando a gente planejou a viagem pra Suíça, eu achei que dois dias de descanso em Paris fossem razoáveis, ou mesmo até demais, mas, chegada a hora de partir pra Suíça, eu ainda sonhava em poder ficar uns 5 dias pelo menos deitado em Paris, sem fazer absolutamente nada, e a idéia de ter só dois dias de "descanso" (nos quais eu ainda ia lavar roupa, desarrumar a mala, descarregar as fotos pro computador e organizá-las, etc) era terível. E dois dias entre aspas ainda, já que a gente chegou em Paris no dia 11 de agosto lá pelo meio-dia, mas no Charles de Gaulle, do outro lado de Paris, ou seja, cheguei em casa mesmo só lá pelas duas da tarde, e, no dia 13 de agosto (dia internacional do canhoto, diga-se de passagem!!) às 11h da madrugada a gente já estava na Gare de Lyon em Paris, partindo pra Genebra. Cansativo!
Glasgow 13.1. Em Glasgow e no albergue Chegamos em Glasgow às 11h da manhã, na estação Queen Street, que fica bem no centro da cidade, e já andamos um bocado pelo centro até chegar no albergue. O albergue em que a gente ficou em Glasgow era da Euro Hostels e acho que foi um dos maiores em que a gente tinha ficado até então: tinha vários andares, elevador, uma cafeteria dentro do albergue, parecia um hotel, a menos do quarto, que era típico de albergue por ser pra várias pesssoas e ter uns quatro beliches, mas ainda assim tinha banheiro e chuveiro no quarto, coisa muito rara de se ver em albergue.
Vista do albergue. Não é algo que se diga nooooooooossa, que vista, mas tá valendo
13.2. Passeio pela cidade Nosso primeiro passeio em Glasgow foi no centro da cidade. Glasgow é a maior cidade da Escócia, e vê-se isso nas ruas do centro, na região de comércio, que estavam lotadas de gente. Várias das ruas do centro são na verdade calçadões com diversas lojas e vários pedestres.
Buchanam Street, uma das ruas de comércio no centro de Glasgow
Começamos andando na região do albergue, em seguida pelo centro, e depois fomos indo mais para longe da cidade, em direção à Cadetral de Glasgow. No caminho, passamos pelo prédio da administração municipal de Glasgow, o Glasgow City Chambers, na frente da George Square.
Glasgow City Chambers, vista da George Street na altura da George Square
O próximo lugar por onde passamos foi a Universidade de Strathclyde, a segunda mais antiga de Glasgow, e, em seguida, chegamos na Catedral de Glasgow. A Catedral de Glasgow situa-se onde supostamente o santo padroeiro de Glasgow construiu a sua primeira igreja, no século VII. O prédio atual é medieval, e a catedral (que não é oficialmente uma catedral, já que não tem bispo) é até que pequena, mas ainda é utilisada com igreja e é um dos pontos turísticos de Glasgow.
Turistando na catedral de Glasgow
13.3. Gaita de foles De lá, voltamos para o centro de Glasgow. Naquela semana, estava tendo um festival de gaita de foles lá, e a gente ficou um tempo ouvindo na frente do prédio do National Piping Center, o centro nacional de gaita de foles, antes de entrar para uma sessão "come and try", ou seja, pra tentar tocar gaita de foles. A gente começou com um instrumento que é usado pros iniciantes, que é basicamente o tubo principal da gaita de foles, onde você toca as notas. O treco não era tão diferente de se tocar de uma flauta doce (quer dizer, podia ser diferente na posição das notas, mas eu não conheço a posição das notas numa flauta doce, então...), apesar de ser completamente diferente no som.
Brasileiros tentando tocar gaita de foles
Depois de um tempo treinando com esse instrumento, a gente tentou com a gaita de foles completa. Digo tentar mesmo, porque poucos conseguiram tirar um som daquilo, e eu falhei miseravelmente. A idéia é o seguinte: você assopra em um tubo que vai encher a bolsa da gaita de foles. Com o cotovelo, você espreme a bolsa contra o corpo, e isso teòricamente faz sair som pelos outros 4 tubos da bolsa; 3 deles com notas fixas, e outro em que você pode fazer as notas fechando os buracos com o dedo, como numa flauta doce. A teoria é linda, mas, na prática, espremer o treco com o cotovelo pra fazer o som sair por todos os 4 tubos já é suficientemente complicado; normalmente, é fácil de fazer sair som pelos 3 tubos de notas fixas, mas foram poucos os que conseguiram fazer sair o som pelo outro tubo e, os que conseguiram, não conseguiram por muito mais que alguns segundos...
Cadê o ar da sala?!?!?!
Admito que gaita de foles poderia muito bem ser considerado um esporte: saí de lá mais cansado do que quando eu nado 50m borboleta.
13.4. O almoço: haggis Depois de lá, fomos almoçar, e o pessoal resolveu pedir o prato típico escocês: haggis. Bom, e o que é haggis? Imagine uma feijoada. O que vai nela? Tudo o que não se come do porco, certo? Pois bem, o conceito do haggis é bem parecido. Pegue uma ovelha. Coma a parte boa. O que sobra? Bom, sobra coração, fígado, pulmão, estômago... então que tal colocar coração, fígado e pulmão dentro do estômago, junto com uns temperos, e cozinhar? Voilà le haggis! Hoje em dia, o haggis é ao menos colocado em uma camada sintética em vez do estômago, mas os outros ingredientes são mantidos. Além disso, o haggis tem diversas variantes, com carne de porco e de boi, e existe inclusive haggis vegetariano, com pulmão, fígado e coração de alface com cereais e lentilhas em vez de miúdos de carneiro. Eu acabei não comendo isso (até porque no restaurante em que a gente foi não tinha o vegetariano), preferi um salmão, mas o resto do pessoal arriscou. Bom, e enfim, o que os turistas acham de comer haggis? Pra não assustar turistas, como a nossa guia do tour em Edimburgo explicou, uma conversação assim não seria nada incomum: [Turista] - O que é haggis? [Escocês] - Você não é daqui, né? [Turista] - Não, sou de ___________ (país longínquo) [Escocês] - Ahhh, então... haggis na verdade é um prato feito à base de haggis selvagem, um bichinho típico das Highlands escocesas. Ele é pequenininho, e a carne dele é muito boa e é um prato típico escocês. [Turista] - Ah, muito obrigado! Se o turista em questão for americano, ainda tem mais chance de ele acreditar que o haggis existe: 33% dos turistas americanos acham que o pobre bichinho existe, e algumas operadoras de turismo estadunidenses até colocam tours de caça a haggis selvagens! Enfim, não sei se o tal do haggis é bom ou não; da próxima vez que eu for pra Escócia, eu como um haggis vegetariano e eu falo.
13.5. Passeios à beira do rio Depois do almoço, voltamos pro albergue e, de lá, fomos passear às margens do Rio Clyde. A paisagem lá até que é legal, e tem várias pontes bonitas, como a Tradeston e a Clyde Arc, que é um dos cartões postais de Glasgow.
Às margens do rio Clyde, com a Clyde Arc ao fundo
Vista do rio Clyde com a ponte Tradeston ao fundo
13.6. Glasgow Green A gente voltou na direção do albergue, e eu e o Chico continuamos depois beirando o rio na direção do Glasgow Green, o parque mais antigo de Glasgow, do século XV. O caminho até lá é legal, ainda com várias pontes sobre o rio Clyde, estar agora com uma cara mais antiga.
Ponte sobre o rio Clyde no caminho para o Glasgow Green
O Glasgow Green é um parque até que agradável, mas ele estava muito vazio quando a gente foi, não tinha quase ninguém.
McLennan Arch, na entrada do Glasgow Green
Ficamos lá, sentados, à toa, descansando e conversando por um bom tempo. A gente estava bem cansado; até então, a viagem já tinha somado 27 dias, dois quais 24 viajando mesmo e só 3 de descanso em Paris; acabamos, então, nem andando muito por lá.
Glasgow Green, com o Nelson's Monument ao fundo
Ficamos lá até mais de 20h, e depois voltamos pro albergue, onde ficamos conversando com o pessoal na cafèteria por um tempo.
13.7. De volta pra casa (2) No dia seguinte, de manhazinha, pegamos um táxi para o aeroporto, para, finalmente, voltar pra Paris.
De volta para casa, finalmente! (2) (Mas por menos tempo ainda!)
Valem aqui as mesmas palavras que eu escrevi no post sobre Porto: viajar é bom, mas cansa, e depois de mais 13 dias longe de casa, andando pra caramba todos os dias, subindo em torres e monumentos e tirando fotos (e põe tirando fotos nisso: desde o começo das férias, com o show do U2, até então, eu já tinha apertado o botãozinho da máquina 5273 vezes!), tudo o que eu queria era a minha cama confortável e os meus curtíssimos dois dias de folga em Paris.
Edimburgo 12.1. Chegada em Edimburgo A vantagem (se é que existe) de pegar vôos de madrugada (leia-se: antes das 7h da manhã, o que a gente fez várias vezes) é que você chega beeeem cedo na cidade de destino e aproveita bem o dia (se não estiver caindo de sono e morrendo de cansaço, mas, bom, isso um belo café normalmente resolve). No caso de Edimburgo, esse bem cedo foi às 8h30 da manhã, horário em que a gente já estava no ônibus que nos levava do aeroporto até o centro da cidade. Chegando no centro, já comecei a adorar Edimburgo: tinha uma estátua de James Clerk Maxwell!!
Tio Maxwell ganhou uma cidade no meio de Edimburgo e a cidade ganhou o meu respeito na hora c[=
Eu ainda nem fui lá depois para ver a estátua, mas o Mineiro foi, e, além de tudo, tinha isso na base da estátua:
O que mais poderia ter no pé da estátua, senão as Equações de Maxwell?
E com isso eu já comecei adorando Edimburgo! =D
12.2. Café-da-manhã Ficamos num albergue muito bem localizado (dependendo do ponto de vista. O albergue ficava bem no centro da cidade, maaaaas na verdade era num beco na frente da porta dos fundos de um Burger King) e, depois de termos deixado as malas lá, fomos tomar café-da-manhã. Em Londres, a gente só tinha tomado café-da-manhã no albergue e saímos de lá sem saber muito o que era um café-da-manhã britânico. O albergue de Cambridge já tinha um café-da-manhã mais britânico, mas tinha a opção de um café-da-manhã normal também. Em Liverpool, o café-da-manhã era normal, e, em Dublin, a gente tomou um café-da-manhã britânico. Mas o mais representativo eu diria que foi o de Edimburgo. O albergue não oferecia café-da-manhã mas, no mesmo quarteirão, tinha um barzinho que servia café-da-manhã britânico. Bom, e o que tanto tem no café-da-manhã britânico? Eu peguei o vegetariano, e veio: pão com ovo frito, uma outra massa estranha, feijão (!!!) e tomate. O não-vegetariano parece-me que vem também com bacon e outras coisas similares. Depois de um café-da-manhã daqueles, o almoço é quase dispensável, e vários lugares servem café-da-manhã o dia todo: dá pra de fato almoçar ou jantar um desses!
12.3. Visita guiada Resolvemos ir na visita guiada, que em Edimburgo era também da Sandemans New Europe Tours. Não poderia ser melhor: a guia, muito simpática, era muito animada, e ficou apresentando a cidade pra gente por três horas e meia! Começamos na rua principal de Edimburgo, a Royal Mile. Essa rua (na verdade, a Royal Mile é uma sucessão de ruas) fica na cidade antiga e passa por diversos pontos importantes da cidade; além disso, ela começa no Castelo de Edimburgo e vai até o Palácio de Holyroodhouse (que é onde a Rainha fica quando ela vai pra Edimburgo). A propósito, a Royal Mile estava lotadíssima de gente: a gente foi pra lá na época do Festival de Edimburgo, que acontece todo ano no mês de agosto e é um dos maiores festivais de arte do mundo. Tem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo: apresentações de teatro, feiras de livros, cinema... a Royal Mile vira um palco de propaganda, onde vários grupos apresentam alguma coisa convidando para ver alguma peça ou ir em algum evento, e, no final, o resultado é uma multidão na rua.
12.4. Começo da visita guiada na Royal Mile Começamos a visita na câmara municipal de Edimburgo, um prédio antigo que era antes usado no comércio. De lá, atravessamos a rua até a Mercat Cross, um monumento cujo original que data do século 14 e que era essencialmente o marco do centro da cidade: ponto de referência central, logo em frente ao mercado, era onde eram feitos os anúncios reais e onde ocorriam castigos públicos e execuções. A parte dos castigos públicos e das execuções acabou, mas os resultados das eleições na Escócia e a mudança de monarca são ainda anunciados lá.
Mercat Cross, com o unicórnio, antigo emblema da Escócia, e vários outros brasões na lateral
12.5. St. Giles Cathedral e a estátua de Carlos II A Mercat Cross fica logo em frente à St. Giles Cathedral. A catedral, assim como a grande maioria das grandes catedrais européias, tem quase o seu milênio de história: o local da catedral é usado como centro religioso há uns 900 anos. Bom, a nossa guia contro várias histórias sobre a catedral, mas a única que eu me lembro é a do John Knox, o responsável pela Reforma Protestante na Escócia. Um dos seus desejos era ser enterrado no jardim da Catedral, e foi o que de fato foi feito. Mas quem visita a Catedral hoje vê que ela não tem jardim, e a sepultura do pobre Knox está marcada por uma placa dourada no estacionamento atrás da Catedral! Atrás da Catedral, no meio do estacionamento, tem também uma estátua de Carlos II, que é a estátua mais antiga de Edimburgo, datando de 1685, ano da morte de Carlos II. A estátua tem algumas peculiaridades. Em primeiro lugar, ela não se parece nem um pouco com Carlos II: o rei tinha cabelos compridos, e a estátua representa ele com cabelos curtos. Isso pode ser devido ao fato que a estátua era pra ser do Oliver Cromwell, mas mudanças no governo implicaram mudanças nos planos da estátua. Além disso, ela é claramente uma estátua de imperador romano, e não de um rei do Reino Unido. Enfim, lembro que tinha algumas outras curiosidades em torno da estátua, mas não lembro quais.
Carlos II: rei do Reino Unido ou imperador romano?!
12.6. Gladstone's Land e as escadas em Edimburgo De lá, passamos pela Gladstone's Land, uma construção do século XVII no meio da Royal Mile, que é uma popular atração turística: o interior do prédio foi restaurado e mostra como era a vida em Edimburgo no século XVII. De lá a gente andou mais um pouco pelo centro, com a guia sempre contando histórias interessantes sobre Edimburgo. Por exemplo, as escadas!
Um vestígio de escada antiga em Edimburgo, com cinco degraus. Ou seriam quatro?
As escadas antigas das casas particulares de Edimburgo tinham uma peculiaridade: um degrau falso! Como nessa uma da foto, um dos degraus era exageradamente estreito. A idéia era que os donos da casa soubessem onde fica o degrau falso, mas não um eventual invasor, que se espatifaria lá e ia fazer barulho (além de se machucar), acordando todo mundo e forçando-o a sair correndo (e eventuamente sem um dente). A guia inclusive citou um prédio turístico de Edimburgo onde tinha um degrau assim até hoje (não me lembro mais qual) (qual prédio, não qual degrau, evidentemente).
12.7. The Hub e uma vista do Castelo de Edimburgo De lá, fomos até The Hub
The Hub, em Edimburgo
The Hub tem bem uma cara de igreja, né? Pois bem, mas não é. Ou não é mais. Era uma igreja, construída em 1840 e poucos, até 1929, quando deixou de ser usada como igreja. E, atualmente, é um dos centros do Festival de Edimburgo, com salas para eventos e um café, o Hub Café. Tudo isso num prédio que foi uma igreja, o que é bom, consideravelmente estranho, vai! Eu nunca tinha me perguntado o que acontecia com prédios de igreja que deixavam de ser igrejas, sei lá, achei que prédios de igreja nunca deixassem de ser igreja, mas não parece ser o caso... De lá, descemos uma rua da onde a gente teve uma primeira visão do Castelo de Edimburgo.
Castelo de Edimburgo. E essa é só a vista dos fundos!
Bom, eu já citei o castelo aqui antes, mas não disse nada sobre ele. O rochedo onde fica o castelo é habitado desde o século 9 a.C. (!!!) e os registros mais antigos de uso como castelo real são do século XII. No século XVII, o castelo passou a ser uma fortaleza militar. Atualmente, é uma das maiores atrações turísticas da Escócia e abriga atualmente um museu, apesar de ainda ter uma presença militar. E, bom, o castelo é muuuuuuuuuuuuuuuuuito bonito (ao menos por fora; a gente não entrou...): fica no alto de um rochedo, num dos pontos mais altos da cidade, e é gigante, ele se destaca e é um verdadeiro cartão postal de Edimburgo.
12.8. Victoria Street e Grassmarket De lá, fomos para o Victoria Terrace, um pequeno terraço logo acima da Victoria Street. A Victoria Street é atualmente uma rua de comércio, bem turística, com várias lojas e vários pubs, e termina na Grassmarket, uma antiga praça no centro da cidade. Essa praça foi a praça central de comércio da cidade do século XIII até o começo do século XX e, em 1630, ela foi escolhida como a praça onde seriam realizadas as execuções, que aconteciam antes na Castel Hill ou na Mercat Cross. Várias pessoas foram executadas lá ao longo dos anos, e vários casos de execução ficaram famosos. Um deles foi o da Maggie Dickson, que, em 1728, foi condenada por ter um filho fora do casamento e foi enforcada. No entanto, no caminho para o enterro, ouviram-se barulhos do caixão, e na verdade ela estava viva. A lei na Escócia proibia que uma pessoa fosse punida duas vezes pelo mesmo crime, e então a Maggie Dickson acabou ganhando uma segunda chance - e foi a única a conseguir "escapar" da pena de enforcamento, e ela hoje dá nome a um pub na Grassmarket.
Vista panorâmica da Grassmarket
12.9. Bobby Fizemos uma pausa na Grassmarket (afinal, a gente já tinha feito quase duas horas de tour) e depois continuamos em direção ao Greyfriars Kirkyard, um cemitério de Edimburgo. Dentre as várias histórias sobre o cemitério, a que é a mais famosa é sem dúvida a do Bobby, um cãozinho que passou 14 anos da sua vida indo diariamente até o túmulo do seu dono, que era um vigia noturno de Edimburgo e morreu de tuberculose em 1858. O cão ficou famoso na sua época, e, ao morrer, a igreja recusou-se de enterrá-lo no cemintério, já que aquele era um solo consagrado e não podia conter um cachorro não-batizado. A solução para o dilema foi enterrar o cachorro bem perto da porta do cemitério, onde o solo não era consagrado. A história do cãozinho ficou famosa: tem vários filmes sobre ela hoje, e a estátua dele é um dos grandes pontos turísticos de Edimburgo. A estátua era originalmente virada para o cemitério, mas um pub local virou-a ao contrário para que a fachada do pub aparecesse nas várias fotos que são tiradas da estátua.
Bobby, o cãozinho do século XIX mais famoso de Edimburgo
12.10. Monumento a Sir Walter Scott De lá, andamos pela Ponte George IV em direção à Royal Mile e descemos uma rua para ter uma vista do monumento a Sir Walter Scott. Sir Walter Scott foi um escritor do século XIX que ficou famoso no mundo inteiro na época. Nunca li nada dele para saber se é tão bom assim, mas, pelo monumento que fizeram para ele, deve ser. Afinal, bem no meio de Edimburgo, no East Princes Street Gardens, tem um monumento a Sir Walter Scott de 61 metros de altura. O monumento é um dos pontos de destaque de Edimburgo, e é possível subir os 287 degraus para chegar até o topo.
Monumento a Sir Walter Scott. Não é todo escritor que ganha um desses...
12.11. Pedra do Destino O tour terminou no West Princes Street Gardens, onde a guia nos contou a saga da Pedra do Destino. Essa pedra tem, aparentemente, história, já que a lenda diz que ela foi utilisada como travesseiro por Jacó (Gênesis 28:11, para os curiosos), e sabe lá como ela foi parar na Escócia, virando a pedra sobre a qual os reis da Escócia sentavam para serem coroados já em 847 e sendo usada para tal até 1296, quando ela foi tomada por Eduardo I após uma guerra contra a Escócia. A pedra foi colocada no Trono do Rei Edward, trono usado na coroação dos reis ingleses desde 1308 (que está atuamente na Westminster Abbey, que eu visitei lá em Londres =D (parte 8.22 desse post)), e, bom, ficou lá até... 1996! Ou quase. No Natal de 1950, um grupo de estudantes resolveu que já estava na hora da Pedra do Destino voltar pra Escócia, e resolveram ir até Westminster pra pegá-la de volta. Evidentemente, o pegá-la de volta envolvia roubá-la de lá e, para a provável surpresa deles, o plano deu certo. Ou quase. No processo de remoção da pedra, ela, bom... quebrou! (na verdade, isso foi o que disse a nossa guia, e o que tá escrito na Wikipédia em francês e em espanhol, mas a Wikipédia em inglês diz que eles encontraram a pedra já quebrada e que ela deveria estar assim há séculos (estratégia do "não fui eu", pelo visto...)). E, claro, o pessoal sentiu falta da pedra bem mais rápido do que eles esperavam, ou seja, antes de eles voltarem para a Escócia. Eles acabaram se escondendo com a pedra roubada por um tempo, ainda na Inglaterra, e conseguiram disfarçá-la suficientemente bem para passar pelo controle policial na Escócia. Voltando lá, a pedra foi entregue (de forma escondida) a um político local, que conseguiu levá-la num restaurador ("nem parece que quebrou, tá novinha!"). Ela ficou escondida até abril de 1951, quando foi abandonada na Arbroath Abbey, e, assim que a polícia britânica soube, ela foi devolvida pra Westminster Abbey. Ela acabou voltando pra Escócia em 1996, desta vez de forma oficial, e fica atualmente no Castelo de Edimburgo. E uma curiosidade quanto à pedra é que existe uma profecia quanto a ela: onde a pedra estiver, os escoceses reinarão. De fato, em 1296, a pedra foi retirada da Escócia, e em 1603 (tá, demorou um tempo...) o rei escocês James IV virou rei da Inglaterra, unificando as coroas da Inglaterra e da Escócia. Em 1996, a pedra foi devolvida para a Escócia e, em 1999, a Escócia voltou a ter um parlamento próprio. No mínimo curioso...
12.12. Vista do Castelo e fim da visita guiada E, depois da história sobre a Pedra do Destino, a gente terminou a visita no meio do West Princes Street Gardens, que, quando o tempo ajuda, é um dos melhores pontos para se tirar fotos do Castelo de Edimburgo. Não foi tanto o caso, já que estava bem nublado, mas mesmo assim ainda deu pra tirar umas fotos boas...
Castelo de Edimburgo visto do West Princes Street Gardens
Depois do tour, a guia ainda levou quem quis para uma lanchonete, onde a gente almoçou uns lanches gigantes com uma promoção de compre dois e pague um exclusiva pro pessoal da visita guiada ainda =D
12.13. Whisky Depois do almoço, fomos até uma loja de whisky que tinha umas visitas aos locais de produção de whisky com uma degustação no final. Esse treco ficava no final da Royal Mile (ou no começo, depende do referencial), pertinho do Castelo de Edimburgo. Entramos lá na loja de whisky, mas, bom, eu não comprei nada, e também não estava nem um pouco a fim de ficar para a visita. Então eu, o Hayssam e o Chico acabamos partindo, com o objetivo de ir até o monumento a Sir Walter Scott e subir no topo.
12.14. O clima em Edimburgo Antes de falar sobre a subida no monumento, algumas palavras sobre o clima em Edimburgo. Sempre chove em Edimburgo. Ponto. Tá certo, a gente só ficou três dias na Escócia, dois em Edimburgo, mas foram três dias com chuva, e Edimburgo tem fama de ter bastante chuva: são, em média, 240 dias de chuva por ano. A chuva é um tanto imprevisível: pode estar sol, mas, de repente, o tempo começa a fechar e chove, às vezes bem pouco, só uma garoa, mas, bom, chove. Outro clima em Edimburgo é um clima meio fantasmagórico. Edimburgo é uma das cidades onde aparentemente os fantasmas mais aparecem - ou ao menos onde as histórias deles são bem divulgadas, a ponto de ter um tour fantasma (no qual a gente foi, diga-se de passagem). A cidade parece que tem um ar fantasmagórico, talvez pela cara dos prédios da cidade antiga: pedras amarelo-escuras tendendo pro preto devido ao tempo, parece ser um lugar ideal para os fantasmas. Somando-se a isso o clima gerado por praças onde foram queimadas e enforcadas várias pessoas ao longo dos tempos e histórias fantasmagóricas que atravessaram os séculos, Edimburgo acaba sendo considerada uma das cidades mais fantasmas. E o terceiro ponto, que não sei se está relacionado com o fato de eu ter ido na época do festival ou não, é que tinha um som contínuo de gaita de foles em Edimburgo. Em todo lugar dava pra se ouvir gaita de foles, era incrível! Escoceses (vestidos com kilt, claro) tocando gaitas de fole nas esquinas, nas ruas, às vezes sozinhos, às vezes em grupo... enfim, em Edimburgo, você tem noção de que você está de fato na Escócia!
12.15. Monumento a Sir Walter Scott (agora subindo até o topo) Resolvemos ir até o monumento a Sir Walter Scott: dada a sua altura e a sua localização bem no centro da cidade, ele parecia ser um ótimo lugar para ter uma vista boa de Edimburgo. E de fato é. Para subir no monumento, são 287 degraus (0,973 Lozère na escala polytechnica de dificuldade de escadas), com uma ou duas paradas na metade com pontos de observação já.
Turistando na frente do monumento a Sir Walter Scott
Como dá pra se ver na foto, o monumento vai ficando bem estreito na ponta, e o mesmo ocorre com as escadas: logo antes de chegar lá no topo, as escadas ficam exageradamente estreitas, a ponto de a largura da escada ficar quase igual à distância entre os ombros! E, chegando lá em cima, o espaço disponível para você andar é estreitíssimo, você fica muito apertado lá.
No topo do monumento a Sir Walter Scott, com o Holyrood Park no fundo
Apesar de ser exageradamente estreito lá em cima, vale muito a pena. A vista é incrível, e eu tirei 71 fotos de lá de cima (eu disse que a vista era incrível!)
Vista da cidade antiga do topo do Scott Monument. Na foto, dá pra ver a cidade antiga, o Castelo de Edimburgo, a Galeria Nacional, parte da Academia Real Escocesa e o Princes Street Gardens
Outra vista da cidade antiga, agora do lado do Holyrood Park
Não lembro exatamente quanto paguei pra entrar, mas lembro que era mó barato, e a vista vale muito a pena!
12.16. Calton Hill De lá, o Chico foi embora, e eu e o Hayssam fomos até a Calton Hill. Calton Hill é um morro no centro de Edimburgo que foi comprado em 1724 pelo governo municipal, passando a ser um dos primeiros parques públicos do Reino Unido. Há vários monumentos no parque, e ótimos lugares para ver a cidade; o topo do parque tem 100,42m de altitude. Lá ficam, por exemplo, o Nelson's Monument, um monumento a Horatio Nelson, e também o National Monument, um monumento construído para comemorar os soldados escoceses mortos nas guerras napoleônicas e que consiste num Parthenon. Ou consistiria: a construção começou em 1826, mas, três anos depois, ela foi parada por falta de dinheiro, e nunca continuou (e os pobres soldados escoceses mortos nas guerras napoleônicas ficaram com meio monumento só...). Lá em cima também fica o observatório da cidade e outras coisas aleatórias, incluindo um canhão português (Eu disse que eram coisas aleatórias!!!).
Na frente do Monumento Nacional
Andamos um pouco lá por cima, passando por todas as coisas que tinha por lá
Cidade antiga vista de Calton Hill
E aproveitamos também a vista da cidade, além dos diversos caminhos que tem por lá.
Cidade nova vista de Calton Hill
12.17. Um passeio pela Royal Mile e o Palácio de Holyroodhouse A essa altura do nosso primeiro dia em Edimburgo (sim, primeiro dia ainda!), a gente já tinha visto uma bela metade da Royal Mile, mas ainda faltava uma outra. Eu e o Hayssam decidimos andar no outro sentido na Royal Mile, até o Palácio de Holyroodhouse. Não tem muuuuuita coisa de turístico na Royal Mile até o Palácio de Holyroodhouse, são mais lojas normais e restaurantes. Tá, lojas nem tão normais assim...
Uma loja de kilts!! Com manequins usando kilts!! Coisas que você só vê na Escócia!
Mas, a menos de lojas de kilts com manequins usando kilts, as outras lojas são normais mesmo. No final da Royal Mile, tem o Palácio de Holyroodhouse. A gente chegou lá um pouco tarde já, e não tinha mais visita pro palácio; tivemos que nos contentarmos com tirar fotos no portão do lado de fora.
Palácio de Holyroodhouse
Ao menos do lado de fora, o Palácio não é lá nada taaaaaaaaaaaaaaaaanto assim, não é lá o que se diga "nossa, que palácio", mas é bem bonitinho, e acho que combina muito bem com a arquitetura da cidade e com a cara de Edimburgo. Também, o palácio é antigo como várias coisas na cidade: o palácio atual é de 1500. Logo de frente pro palácio, tem o Parlamento Escocês, em um estilo completamente diferente, já que o prédio atual foi inaugurado em 2004. Ele é bem mais moderninho, mas bem legal ainda assim.
Na frente do Parlamento Escocês
E, bom, dado que eu já escrevi 10 páginas de texto descrevendo um único dia em Edimburgo, dá pra imaginar como esse dia foi cansativo. Eu tava morto de cansaço a essa hora (acho que dá pra ver pela minha cara no foto, não?), e então eu e o Hayssam fomos comer alguma coisa e voltamos pro albergue. O pessoal até saiu à noite pra comer uma pizza ou algo assim, não lembro, mas eu, chegando no albergue, fui direto tomar um banho e dormir, que o dia seguinte prometia ser animado!
12.18. Procurando o monstro (sim, o do Lago Ness) Quando a gente planejou a viagem pra Escócia, a gente achou que seria muito inviável ir para o Lago Ness: ele fica muuuuuuuuito ao norte, longe de todas as grandes cidades, e simplesmente desencanamos. Inocência de turistas! Claro que em Edimburgo tem umas 20 empresas de turismo diferentes que fazem visita ao Lago Ness e, mais geralmente, às Highlands, as terras ao norte na Escócia, que representam uma Escócia bem mais tradicional e bem menos turística que a Escócia de Edimburgo. A gente só teve o trabalho de escolher uma, no nosso primeiro dia lá, que fizesse visitas no dia seguinte e que tivesse vaga pra 6 brasileiros. E, bom, no nosso segundo dia em Edimburgo, a gente acordou cedo pra ir pra nossa visita às Highlands, que ia durar a maior parte do dia.
12.19. O guia Chegamos no ponto de partida do tour de manhãzinha. Conhecemos o nosso guia, o Chris. A primeira impressão que tive dele foi normal, tipo, um guia turístico, mas, conforme a viagem foi passando, a impressão foi mudando um bocado. O grupo de turistas em que a gente foi era constituído basicamente de jovens na faixa dos 19 até uns 23 anos, algo assim, e o guia queria passar a impressão do tiozão que entendia tudo de jovens, salvo que ele se esqueceu que jovens de 19 a 23 anos não são adolescentes de 15 anos... ele dizia que a gente deveria pensar nele como o primo escocês distantes que a gente tinha acabado de descobrir que tinha... enfim, a opinião final que fiquei dele foi meio ambígua: ele até que era gente boa, mas tratava a gente meio que como crianças às vezes. E, bom, outra coisa era o nacionalismo exagerado dele. Ele falava como se fosse evidente que a Escócia necessitasse urgentemente da independência do Reino Unido pra constituir um país independente. Bom, ele pode evidentemente ter essa idéia, mas ficar pregando isso pra turistas estrangeiros, do jeito que ele fazia, parecia que ele tava querendo fazer uma lavagem cerebral na gente pra que a gente acreditasse nele. Mas, bom, sei lá, por outro lado, ele parecia fazer aquilo por acreditar naquilo mesmo, e não parecia tão mal assim. De forma que eu achei o nosso guia uma personalidade bem estranha, e não consigo dizer se gostei ou não dele.
12.20. A viagem até as e pelas Highlands da Escócia Partimos bem cedinho e, no começo, a paisagem parecia uma paisagem de campo normal; não estávamos tão longe assim de grandes cidades. Depois de vários quilômetros, a paisagem começou a se modificar, a ficar mais rural. Depois de um tempo, paramos em um pequeno vilarejo, Pitlochry, para uma pausa para café e banheiro. Continuamos até a nossa próxima parada, já nas Highlands escocesas, numa região de floresta, à beira de um rio.
Segunda parada nas Highlands, à beira de um rio
Ficamos um bom tempo lá, enquanto o guia falava algumas coisas sobre a região e mostrava alguns frutos comestíveis. De lá, continuamos a viagem, e a nossa terceira parada foi num grande vale, com uma paisagem típica das Highlands.
Um vale nas Highlands escocesas
Continuamos a viagem, e a paisagem foi ficando mais montanhosa, até chegarmos ao lago Lochy, que fica um pouco ao sul do lago Ness. A vista lá era realmente muito boa; apesar de não termos parado, o lago é bem comprido e a estrada o segue por um bom tempo, e acabei tirando algumas fotos de dentro do ônibus mesmo.
Lago Lochy, logo ao sul do Lago Ness
E, em seguida, chegamos ao lago Ness.
12.21. Loch Ness Ao se chegar no lago Ness, a primeira coisa que você vê é o monstro é isso:
Mas isso é um lago ou é um rio?!
Mas logo você percebe que, bom, aquilo é um rio que vai até o Lago Ness, e que o lago mesmo, atrás de algumas árvores, tem cara de ser bem maior, apesar de ainda não ser possível de vê-lo. Naquele ponto do lago, tem uma minúscula cidade, com lojinhas de souvenires (e bichos de pelúcia do monstro!!), lojas de comida e as empresas que realizam os passeios de barco no lago. Compramos o bilhete pro passeio de barco, depois comida, e depois entramos no barco.
Bom, parece ter um lago grandinho ali atrás...
O passeio de barco no Lago Ness vale a pena. O lago é beeeeem grande, e, do barco, não dá pra ver o final dele. Ele é fino e comprido, mas mesmo assim a distância entre as laterais é considerável. A água do lago é meio escura, não sei bem porque, mas, bom, acho que isso dificulta um pouco a visão do monstro...
Loch Ness!
Dentro do barco, tem monitores que mostram o perfil do fundo do lago na região em que o barco está, pra quem quer procurar o monstro com um pouco mais de tecnologia do que os próprios olhos. Mas a maior parte do pessoal fica em cima, onde dá pra ter uma bela vista do lago.
Procurando o tal do monstro...
O barco faz um tour pelo lago, que dura cerca de uma hora. E, em uma hora, é claro que dá pra vê-lo, o monstro do lago Ness!
O monstro do lago Ness!!!
Porque, afinal, qual a graça de ir pro Lago Ness e não tirar foto do monstro?! =D E não, não é montagem! Simplesmente, o pessoal do barco teve a brilhante idéia de colar adesivos com silhuetas de monstro nos vidros do barco, pros turistas que querem mesmo uma foto do monstro conseguirem uma!
E o monstro tem até filhotinho!
Enfim, o passeio no Lago Ness vale a pena, a paisagem é muito bonita e, apesar de não dar pra ver o monstro de verdade, dá pra aproveitar bastante a vista.
Vista ultra-panorâmica do Lago Ness
12.22. Mais Highlands... ou não! Depois do passeio de barco, como não tem muita coisa mais pra fazer por lá, o plano era voltar por uma outra estrada e aproveitar a paisagem das Highlands, parando em mais alguns lugares. No entanto, tinha acontecido um acidente, e a estrada que a gente ia pegar tinha sido fechada, e não ia ser aberta tão cedo. Não tinha outro caminho pra desviar da parte fechada, a não ser fazer o mesmo caminho que a gente tinha feito na ida por boa parte, deixando de passar em alguns lugares que estavam previstos, e foi o que fizemos, contornando antes o lago Ness e passando pelo Castelo de Urquhart, um castelo de data de construção incerta, de cerca do começo do século XIII, e que foi destruído em 1692 por guerras entre clãs. O castelo já chegou a ser um dos maiores da Escócia, e hoje é possível visitar as suas ruínas, o que a gente não fez por falta de tempo.
Castelo de Urquhart
De lá, voltamos pela mesma estrada que a gente tinha vindo, passando por um outro vilarejo e fazendo uma pausa para comida em uma lojinha na saída de um vilarejo, ao lado de um campo com ovelhas.
Algo mais escocês que um campo com ovelhas? Só se tivesse um pastor de kilt também!
O guia nos deu a opção de voltar direto ou de fazer um desvio e passar por Stirling, uma das cidades que estavam no plano original, para ver o Castelo de Stirling. No entanto, esse desvio ia atrasar a volta em ao menos umas duas horas; além disso, estava chovendo um bocado e todo mundo estava cansado, e a gente acabou voltando direto pra Edimburgo, cortando um pouco a viagem.
12.23. Tour fantasma Como eu já comentei, Edimburgo é uma cidade conhecida pelo seu ambiente meio fantasmagórico e, pra entrar no clima, a Sandemans New Europe Tours também tem um Ghost Tour de Edimburgo. O Ghost Tour é bem interessante: a gente parte à noite e, em cada lugar que a gente pára, a guia vai contando histórias sobre Edimburgo. Eu lembro que as histórias eram bem interessantes, mas, bom, pedir para eu me lembrar das histórias já é demais (até porque eu fiz esse tour no dia 9 de agosto e hoje é dia 1 de novembro!!). Diferente da visita guiada, que era de graça, o Ghost Tour era pago, mas nada absurdamente caro, e era mais ou menos o que se paga espontàneamente pela visita guiada. O local de partida era o mesmo, mas o trajeto era bem diferente: a gente partia da cidade antiga e, passando pela North Bridge, visitava alguns prédios na cidade nova e também o Calton Old Burial Ground, um cpequeno cemitério, onde a guia contou algumas das histórias dos poltergeits que mais o assombravam. De lá, fomos para Calton Hill, que, à noite, é muito bonita. O Monumento Nacional fica iluminado, fica bem legal.
Monumento Nacional à noite. Eu juro que ao vivo é legal, é só que o fotógrafo não é lá aquelas coisas...
A vista que se tem da cidade, tanto da cidade antiga quanto da cidade nova, é muito boa, mas, bom, o fotógrafo aqui não é lá tão bom, e o melhor que eu consegui foi isto:
Vista da cidade antiga a partir de Calton Hill
E, no final do tour, a gente ainda ganhava uma cerveja / vinho de graça num pub lá. A gente ficou lá só durante o tempo de tomar o que a gente tinha pego, e já voltamos, que no dia seguinte cedo a gente iria para Glasgow.
E, bom, é isso de Edimburgo. Teria muita coisa a mais pra fazer por lá; valeria muito a pena passar mais um dia, mas, enfim, o cansaço já estava forte e a gente ainda tinha mais uma cidade, Glasgow, antes dos próximos dois dias de descanso em Paris.
Dublin 11.1. Achando fadas Chegamos na Irlanda beeeem cedinho. Bem cedinho meeeeeeeesmo: a gente saiu de Liverpool às 6h30 da matina! Porque, afinal, o pensamento ao comprar passagem é "bom, de manhã é mais barato e ao menos assim a gente aproveita bem o dia", e não "merda, vou ter que acordar de madrugada pra ir pro aeroporto e ficar com sono o dia seguinte inteiro!". A gente chegou muito cedo lá, e, na hora que a gente chegou no albergue, eles ainda estavam servindo o café-da-manhã (e a gente evidentemente não pôde fazer o check-in). E, bom, quanto ao título dessa parte... na Irlanda os idiomas oficiais são inglês e irlandês. Irlandês é uma língua meio bizarra que não se assemelha a nada que eu conhecesse. Para se ter uma noção...
Precisa estacionar seu carro por muito tempo? Ache uma fada!
Me pergunto (1) como é que "estacionamento de longo termo" vira "achar fada" em irlandês e (2) por que é tão parecido com o português?!?!
11.2. Brasileiros A gente já tinha ouvido falar que tinha vários brasileiros em Dublin, e chegando lá a gente pôde verificar isso. Alguns outros falando português no vôo; no ônibus do aeroporto pro centro da cidade mais alguns falando português; no centro, tomando café-da-manhã, a mocinha que atendeu a gente era brasileira... e ouvimos muito mais português durante o tempo que a gente ficou lá; acho que a comunidade brasileira é bem representativa por lá. Não tinha pensado nisso antes, mas talvez tenha sido o motivo de a gente ter tido um pouco de problemas na entrada do país, só faltou o pessoal da imigração pedir tipagem sangüínea... isso pra ficar 2 dias lá! Mas, enfim, de fato, ouve-se muito português por lá!
11.3. Dor de garganta Porque, afinal, ia ser perdir demais pro tio Murphy pra deixar eu viajar 39 dias sem nem uma dorzinha de garganta. E, assim que a gente terminou o café-da-manhã em Dublin, eu já fui na farmácia comprar um spray pra garganta, que eu fiquei usando boa parte da tarde, enquanto a gente andava na cidade. Mas, bom, por enquanto, era só uma dor de garganta...
11.4. Duas catedrais e um castelo Começamos a andar pela região onde a gente tinha tomado o café-da-manhã, que é a área viking e medieval da cidade. Fomos primeiro até a Christ Church Cathedral, uma igreja que foi fundada em 1030 e bem grande e bem central. De lá, fomos pro Dublin Castle. O Castelo de Dublin é um pouco de propaganda enganosa: no mapa está escrito que é de 1204, mas, chegando lá, tirando uma torre lá, o prédio não tem nem um pouco cara de ser de 1204. E de fato: a maior parte do castelo é do século XVIII, e só uma única torre resta do castelo original de 1204. O castelo já foi um monte de coisa: construção de defesa, residência real, símbolo da dominação inglesa na Irlanda... e atualmente é usado para a posse presidencial e para visitas de Estado. Na verdade, parece que a dominação inglesa tem uma grande influência na Irlanda atual, já que eles conquistaram a independência só em 1922!
Vista panorâmica do Castelo de Dublin. Não tem cara de ter sido construído em 1204, tem?
De lá, fomos até a Catedral de Saint Patrick. A igreja é de 1192 e tem uma praça bem legal na frente. Ficamos um pouco lá na praça mas não entramos na igreja (tinha que pagar, acho c[= ); lá na praça tem uma placa marcando o local onde Saint Patrick batizava os convertidos.
Na frente da Catedral de Saint Patrick
11.5. Trinity College Fomos depois até a Trinity College, uma universidade que fica bem no centro de Dublin, fundada em 1592 e considerada uma das, se não a melhor universidade da Irlanda. Entre os famosos que estudaram lá, estão o matemático William Rowan Hamilton, o escritor Samuel Beckett, o escritor Bram Stoker (mais conhecido como "o autor de Drácula") e o famoso escritor Oscar Wilde. A biblioteca dela é gigantesca e contém o famoso Livro de Kells, um dos livros mais importantes da arte medieval, que contém os quatro evangelhos em Latim comentados e várias ilustrações e data do ano 800. Enfim, ficamos um bom tempo lá, acabamos almoçando num restaurante lá dentro e depois ficamos um tempão deitados no gramado lá.
Um dos prédios do Trinity College
11.6. Dor de garganta (beeeeeem) piorada Porque, afinal, não podia ser só uma dorzinha de garganta, né? Conforme a gente foi fazendo essas visitas, eu fui começando a me sentir cansado, a ficar com um pouco de dor de cabeça... e acabou que por volta das 15h ou 16h, a gente tava voltando pro albergue pra fazer check-in, eu com uma caixa de paracetamol no bolso e me sentindo com uma bela febre. Nada melhor, né: a Inglaterra era um dos países que tava tendo o maior número de casos de gripe porcina e uns 7 dias depois de chegar lá eu fico meio mal. Mas, bom, era só uma dor de garganta, e nada que dormir 16h não resolvesse. Acabei não andando mais nada em Dublin naquele dia, mas, bom, fazer o quê, eu precisava descansar, e o resto do povo acabou não andando também, já que todo mundo tava um pouco cansado e eles queriam descansar pra ir num pub à noite. Mas eu nem fui e fiquei 16h deitado, o que foi ótimo: no dia seguinte, eu já tava ótimo de novo! Também, paracetamol, dois remédios diferentes pra garganta e própolis, se não melhorasse, só mandando benzer, né!
11.7. Visita guiada No dia seguinte, logo cedo, a gente resolveu ir numa visita guiada, pra conhecer mais da cidade. A gente foi em uma dessas visitas guiadas em que você só paga depois, de acordo com o que você acha que valeu; a gente tinha ido em umas assim em Barcelona já e tinha valido a pena. Esse de Dublin que a gente foi é de uma empresa, a Sandeman, e eles estão presentes em várias cidades da Europa. O esquema é sempre o mesmo: primeiro você faz a visita e depois paga, se achar que a visita valeu a pena. Os guias em geral são jovens que gostam muito da cidade e resolvem apresentá-las pros turistas e que são muito bons nisso. A gente começou a visita no prédio da atual prefeitura e depois passamos por alguns dos lugares que a gente já tinha ido na véspera, mas valeu bem mais a pena porque, bom, agora explicavam pra gente o que eram as coisas. Fomos no Castelo de Dublin, passamos pela Chester Beatty Library, na Christ Church Cathedral, fomos num lugar onde tinha a planta de uma típica casa viking e andamos um pouco pela cidade. O guia contou várias histórias interessantes sobre a cidade, a maior parte das quais eu já esqueci, e ele até tocou um instrumento musical típico da Irlanda, o tin whistle. Uma das histórias interessantes que ele contou é sobre uma placa na O'Connell Bridge, do Padre Pat Noise. Na ponte, tem uma placa em memória do Padre Pat Noise, que morreu sob circunstâncias suspeitas depois que a carruagem dele caiu no rio em 1919. A questão é que nunca existiu nenhum Padre Pat Noise! Na verdade, pra comemorar a virada do milênio, a prefeitura tinha tido uma idéia genial: colocar um relógio que marca quanto tempo falta pra virada do milênio embaixo d'água, no rio! Quando alguém que passasse pela ponte resolvesse ver quanto tempo faltava, era só apertar um botão lá. Bom, qualquer pessoa com um pouco de bom senso deve imaginar que essa idéia não ia dar certo, e o fato de a água do rio ser turva atrapalhou mais ainda. O relógio estragou bem antes da virada do milênio e a prefeitura tirou ele de lá rezando pro pessoal nem lembrar daquela coisa. Maaaaas tinha ficado um buraco na ponte e, em 2004, um pessoal resolveu instalar essa tal placa em memória do tal padre fictício. Em 2006 (dois anos depois!) a prefeitura se deu conta que tinha uma placa lá, e até pensaram em tirar, mas foi só falarem em tirar que apareceu um monte de gente colocando flores em memória do tal padre, coitado, que morreu afogado, e, bom, não tinha mais como tirar a placa, então ela tá lá até hoje! Sim, meio maluco, e, quando o cara contou a história, eu achei que tinha entendido errado... mas tá até na na Wikipédia! Enfim, essa foi só uma das várias histórias que ele contou sobre Dublin. De lá, a gente ainda andou um bocado na cidade, passamos pelo Trinity College e terminamos o tour no Parque St. Stephen's Green.
Rio Liffey com vista pra ponte O'Connell, onde o Padre Pat Noise morreu afogado
11.8. Mais passeios na cidade A visita guiada acabou até que cedo, e a gente teve um bom tempo à tarde pra andar. Ficamos um tempo andando no St. Stephen's Green, que é um parque mó agradável, e depois fomos procurar algo pra almoçar (e esse algo acabou sendo um McDonald's).
No St. Stephen's Green
Almoçamos na Grafton Street, uma das principais ruas de comércio de Dublin, mó movimentada.
Grafton Street
De lá, andamos até o Merrion Square, outro parque ali por perto, onde tem um memorial do Oscar Wilde. Esse parque é meio sinistro: ele é muito arborizado, parece um bosque no meio da cidade, e tava consideravelmente vazio, era bem estranho, eu diria.
Merrion Square. Parece mata fechada no meio da cidade!
Passamos pela casa do Oscar Wilde e depois atravessamos o rio pra ver a parte da cidade que a gente ainda não tinha visitado tanto. Andamos mais um bocado, vendo praticamente tudo que tava marcado como turístico no mapa, e ainda fomos em uma loja de souvenirs muito grande lá.
Rio Liffey visto perto da ponte Sean O'Casey
Passamos também mais perto do Spire of Dublin, uma escultura em forma de um agulhão de 120m de altura que existe em Dublin desde 2003 e acaba sendo uma marca da cidade.
Spire of Dublin. O que faz alguém querer construir um agulhão como monumento?!
Enfim, depois de muito andar por lá, voltamos pro albergue, que no dia seguinte, a gente teria um vôo logo pela manhã.
11.9. Madrugando no aeroporto, de novo O dia seguinte foi dia de xingar muito o "Guilherme do passado", que tinha tido a brilhante idéia de viajar às 6h50 da matina!
Dublin antes do amanhecer. Fiquei fora até tarde? Não, a gente que resolveu viajar cedo mesmo!!
Fomos logo cedo pro aeroporto (de táxi ainda, ou "tacsai", em irlandês) pra ir pra Edimburgo. A visita em Dublin valeu muito a pena e acho que valeria mais um dia se a gente tivesse tempo. Dublin é muito legal e acho que tem mais coisa pra ver do que o que a gente pôde ver em 1 dia e meio praticamente (já que eu ainda fiz o favor de ficar doente por lá!)
Aviso importantíssimo próximo às escadas rolantes no aeroporto de Dublin: utilise os elevadores e escadas próximos se você não estiver familiarizado com escadas rolantes (!!!!!)
Bom, e é isso. No próximo post (que só deve vir semana que vem), Edimburgo, uma das melhores cidades em que já estive! \o/
Liverpool 10.1. Liverpool Depois de viajar de Cambridge até Londres, ter que trocar de estação a pé em Londres e mais uma viagem de Londres até Liverpool, acabamos chegando lá bem tarde, já por volta das 20h, sem muita coisa pra fazer na cidade além de ir procurar o albergue e caçar janta. E, bom, digamos que a escolha de janta não foi das melhores... um dos pratos tradicionais da Inglaterra é o fish and chips: peixe com batata frita. A gente pegou um fish and chips numa loja pequena meio estranha lá, e eu ainda pedi com maionese. O resultado: 500% da necessidade mensal de gorduras em um único prato! As batatas fritas, se colocadas em cima de um papel, poderiam deixá-lo transparente em questão de segundos. Some-se a isso o peixe, que estava no mesmo estado, e coloque maionese em cima. Ou seja, terrível. Minha dica é evitar fish and chips, ou ao menos evitá-lo nos lugares que não tenham muita cara de confiáveis!
10.2. O que fazer em Liverpool? Quase nada! Foi o que descobrimos lá. Liverpool não é nem um pouco uma cidade turística, e eu também não diria que é lá uma cidade muito bonita. Ela tem uma cara um pouco mais "suja", eu diria, e eu ao menos não me sentia muito seguro andando na rua lá depois de escurecer. Não tem nada taaaaaaanto assim na cidade, e eu diria que, pra quem planeja um tour pela Europa, Liverpool é completamente dispensável.
Liverpool vista do albergue onde a gente ficou. Nada tanto assim, vai...
10.3. Tour dos Beatles Eu disse que não tinha "quase" nada pra fazer em Liverpool, mas, bom, tem o tour dos Beatles, claro! Ou melhor, os tours dos Beatles, já que tem uma centena de empresas fazendo-os, eu diria. A gente foi em um de táxi: o taxista ia parando nos lugares que marcaram a vida dos Beatles e ia comentando. Passamos nas casas de todos eles, em Penny Lane, no Strawberry Field, no cemitério onde tem o túmulo de Eleanor Rigby, na igreja onde os Beatles se conheceram, enfim, em vários lugares que foram temas de músicas e que foram importantes pro grupo. É, bom, interessante, mas eu diria que nada tanto assim: o tour dos Beatles de Londres é melhor. Mas, bom, vale a visita pra conhecer os lugares, saber um pouco mais sobre o grupo e as histórias atrás das músicas deles. E, bom, é a única atração turística de Liverpool: no albergue e em todos os lugares turísticos, a única coisa anunciada nos panfletos é tour dos Beatles!
Na frente do portão do Strawberry Field, o orfanato que inspirou uma música do John Lennon
10.4. Andando pela cidade Depois do tour dos Beatles, a gente foi almoçar e fomos então andar pela cidade, o que fez com que a gente percebesse mais ainda que não tem nada de muito turístico por lá. Andamos na beira do rio, no centro da cidade, sentamos em praças, enfim, passamos boa parte da tarde andando. No final da tarde, fomos procurar o Cavern, o pub onde os Beatles começaram a tocar, mas não só eles: naquele pub minúsculo e underground (no sentido literal: tem que descer várias escadas pra chegar até lá), já tocaram Beatles, Rolling Stones, Queen, Oasis, The Who, The Kinks, Elton John, Stevie Wonder e vários outros.
Turistas no palco do Cavern
De lá, fomos procurar um outro pub (menos turístico e mais barato) pra jantar e fomos dormir cedo que, no dia seguinte, a gente iria pra Dublin logo pela manhã
Yellow Submarine na frente do Aeroporto John Lennon
Cambridge 9.1. Chegando em Cambridge Chegamos em Cambridge no meio da tarde, às 15h, e já com alguns problemas, já que a gente saiu do trem e só depois se deu conta que as passagens (que a gente ainda ia usar no dia seguinte para ir para Liverpool) tinham ficado lá dentro. Mas, por sorte, o trem ia voltar na estação porque iria para algum outro lugar depois, e a gente conseguiu recuperá-las, e, às 16h, a gente já tinha feito o check-in no albergue e estava andando à toa para conhecer a cidade.
9.2. A cidade Cambridge tem cara de uma cidade muito pequena, apesar de não ser tãããããão pequena assim: possui cerca de 110 mil habitantes, sendo mais de 22 mil estudantes, o que representa cerca de 20% da população. Mesmo com tanta gente assim (é maior que a população de Assis, vai, é bastante gente até), a cidade tem muito cara de cidade do interior (o ar da cidade me lembrou o de Cândido Mota: tudo parado, pouco movimento...). Além disso, Cambridge é bem plana, o que faz com que um dos meios de transporte mais comuns por lá seja a bicicleta. E, bom, pra completar, tem uma das melhores e mais antigas universidades do mundo. Cidade perfeita, não? c[=
Rua de Cambridge na região do albergue onde a gente ficou. Cara de cidade calma e pacata, não?
9.3. O primeiro passeio Depois de andar um pouco por lá, logo chegamos a um grande parque, o Parker's Piece, uma área verde gigante que fica numa região consideravelmente central da cidade. O parque era usado no século XIX como área de prática de esportes pelos universitários e fica bem próximo a vários dos colleges de Cambridge. Não estava muito movimentado (época de férias, talvez?), mas, dado o cansaço que a gente estava, aproveitamos pra ficar um tempo à toa na grama.
Parker's Piece. Nem parece que tem uma cidade mó antiga com uma universidade de 800 anos atrás desse parque!
De lá, andamos em direção ao centro da cidade, passando em frente de alguns dos colleges de Cambridge. Nenhum estava aberto para visitas (afinal, já eram quase 6h da tarde), e, depois de dar uma volta pelo centro da cidade (e de descobrir onde fica a livraria da universidade, algo muito importante =D (e muito ruim pro meu bolso)), fomos procurar algo para comer. Voltamos para o Parker's Piece descansar um pouco no gramado e voltamos meio cedo para o albergue para acordar cedo no dia seguinte.
9.4. Visita guiada Não adianta ir para Cambridge como turista e não fazer uma visita guiada, já que boa parte das coisas sobre a cidade você aprende durante uma dessas visitas. E foi o que a gente foi fazer logo cedo (depois de passar na livraria, onde comprei o Théorie Analytique de la Chaleur do Tio Fourier, em francês). A visita guiada começa pela manhã, por volta das 11h, e dura um bom tempo, durante o qual o guia explica a história da cidade e a gente passa por várias colleges. Cambridge foi fundada na época do Império Romano e ficava em um lugar bem estratégio para o comércio, o que fez com que a cidade crescesse pouco depois do ano 1000 e, em 1209, estudantes de Oxford, fugindo da violência que estava lá na época, foram para Cambridge, fundando uma universidade. A universidade de Cambridge não tem campus, já que ela foi crescendo ao longo de 800 anos, e está espalhada por toda a cidade. No centro da cidade, ficam os colleges, onde os alumos moram e onde ficam as bibliotecas; as salas de aula ficam em prédios da universidade um pouco mais longe, os prédios administrativos ficam meio no centro; enfim, a universidade é muito espalhada. Não tem muito o que comentar sobre a fama da universidade: milhões de descobertas científicas, 83 prêmios Nobel, 8 medalhas Fields, enfim... os ex-alunos e / ou professores incluem Niels Bohr, Henry Cavendish, Charles Darwin, Paul Dirac, Stephen Hawking, James Clerk Maxwell, Srinivasa Ramanujan, Ernest Rutherford, Brook Taylor, J. J. Thompson, John Wallis, e, claro, Sir Isaac Newton (citando só os nomes dos cientistas que eu conheço de uma gigantesca lista). E é interessante ver toda essa atmosfera em uma cidade: em um pub, por exemplo, tem uma placa indicando que foi lá onde, em 1953, Francis Crick e Jamos Watson anunciaram a descoberta da estrutura de dupla hélice do DNA (A propósito, a BBC fez uma ótima reportagem sobre o trabalho de um artista sobre os 800 anos de Cambridge, vale a pena vê-la aqui). A visita guiada passa pelo centro da cidade, na frente dos principais colleges, e entra na capela do King's College, cuja construção começou em 1441 e que possui uns vitrais muito bonitos.
King's College
Depois da visita, que durou umas duas horas, a gente foi almoçar, e, depois de andar um pouco pela cidade, pegamos o trem para Liverpool. Ou melhor, pegamos o trem para Londres para lá pegar o trem para Liverpool, já que não tinha trem direto (pequena falha de planejamento na viagem, acontece...)
E, de Cambridge, é isso. Infelizmente não deu pra fazer a matrícula lá, mas, bom, é a vida c[=
Londres 8.1. Trem para Londres Depois de um curtíssimo descanso de três dias em Paris, pegamos o trem para Londres. Sim, o trem: apesar do Canal da Mancha separar a Grã-Bretanha do continente europeu, o Eurostar, um trem a alta velocidade, faz várias vezes por dia o caminho Londres - Paris por baixo da região mais estreita do canal da Mancha, que tem só 33km e é atravessada de trem em questão de alguns minutos apenas.
No trem para Londres
Nem dá pra perceber que você está passando sob a água, na verdade: o trem entra na terra antes de se poder ver a água, e sai bem depois, e, bom, no meio do caminho, é simplesmente um túnel, e um desavisado poderia simplesmente pensar que o trem estava passando por uma montanha.
8.2. A chegada em Londres Chegamos em Londres na King's Cross, uma das principais estações de Londres, com trens para Cambridge, Liverpool, Edimburgo, Hogwats, etc. A estação também tem metrô, e fomos procurar como comprar bilhetes turísticos. Descobrimos logo que o nosso cartão bancário francês não funcionava para pagar o bilhete de metrô, mas conseguimos pagar com euros. Começamos pegando o trem certo, mas tivemos um belo problema com as conexões em Baker Street: a estação, gigante, é um pouco confusa com relação a como pegar a linha de metrô que a gente precisava, mas, depois de algumas tentativas (e erros), acetamos o caminho e conseguimos chegar até o albergue.
Metrô de Londres. Bem mais bonitinho que o de Paris, mas bem mais confuso também
O albergue em que a gente ficou não fica muito perto do centro de Londres (o que o deixa não tão caro), mas também não fica muito longe (o que deixa a viagem de metrô até que rápida), e numa região boa (isto é, com um Subway por perto, onde a gente podia almoçar / jantar caso não encontrasse nada melhor, o que foi o caso na maioria dos dias) (Tá, na verdade eu comi lanche no Subway nos 5 dias em que a gente ficou lá em Londres. Não adianta: em Portugal eu comi comida tradicional, bacalhau, todo dia; em Londres, também tinha que comer comida tradicional, fast food c[= ). E, bom, mal chegamos no albergue, já saímos para fazer algo.
8.3. The British Museum E o algo que a gente resolveu fazer foi visitar o British Museum. O British Museum é um museu de antigüidades em geral. Possui uma coleção imensa de múmias e de coisas do Egito (porque, afinal, quem tem menos coisa do Egito antigo nesse mundo é o Egito...), objetos antigos, etc... o preço? De graça. A gente estranhou muito, mas depois acabamos descobrindo que a maior parte dos museus na Inglaterra são de graça. De graça, podendo tirar fotos à vontade, lotado de gente... nesses pontos, nem parece um museu! Enfim, uma das grandes atrações (que fica lotada de gente olhando) é a Pedra de Roseta. Para quem não se lembra das aulas de história sobre o Egito, os hieróglifos egípcios foram sendo deixados de usar com o tempo e, com o passar dos séculos, ninguém mais sabia entender aquilo. Os egiptólogos sempre se perguntaram o que eram aqueles desenhos malucos, até que, em 1799, Tio Napa e seus soldadinhos acharam a tal da Pedra de Roseta próximo a Roseta (ohhhhh), no Egito. Essa pedra tinha o mesmo texto escrito em três versões: hieróglifo, demótico e grego. Daí até descobrir o que significavam os hieróglifos, dois pulos. Ou nem tanto: demorou cerca de 25 anos até que os hieróglifos fossem finalmente decifrados, e, a partir daí, todos aqueles desenhinhos malucos dos egípcios passaram a ter sentido. E hoje a pedra de Roseta é uma das principais atrações do British Museum: é quase como a Mona Lisa de lá: tá protegida por vidros e tem sempre um monte de turista em volta, o que dificulta muito as fotos.
Eu disse que o excesso de turistas e o vidro dificultam as fotos!
O museu também tem muitas coisas da antigüidade, e a gente viu duas exposições especiais: uma sobre moedas, que começa com moedas da antigüidade, passa por todo o histórico das moedas em diversas partes do mundo (com inclusive algumas feitas no Brasil no século XVII) e termina com... uma máquina de cartão de crédito! A outra exposição especial foi sobre relógios, explicando como funcionam relógios mecânicos (um mecanismo mó interessante, diga-se de passagem), e tem inclusive alguns relógios de 1450 em exposição funcionando! Enfim, muito legal, a visita do British Museum com certeza vale a pena!
Na entrada do British Museum
8.4. Les Misérables Acabamos passando boa parte do dia no museu, e, saindo de lá, voltamos para o albergue fazer o check-in, e eu e o Ricardo decidimos ir ver Les Misérables. Eu já tinha ido ver Les Misérables antes (parte 18 desse post), mas sempre vale a pena ver de novo um musical como esse; é emocionante como se fosse pela primeira vez (e beeeeeeeeem mais barato que em Nova Iorque, diga-se de passagem). O musical é baseado no livro homônimo de Victor Hugo, que conta a história de Jean Valjean, um homem preso por ter roubado pão. A história começa com a libertação dele e continua passando por vários episódios da sua vida. O musical consegue captar bem a história e ao mesmo tempo ter músicas maravilhosas; pra quem tiver a oportunidade, recomendo!
Na saída do Queen's Theatre, depois de ter visto Les Misérables
8.5. Elementar, meu caro Watson Comentei aqui que a gente passou pela estação de metrô Baker Street. E sim, essa é a Baker Street onde mora Sherlock Holmes, e a gente não perdeu a oportunidade de, logo pela manhã no nosso segundo dia por lá, passar no número 221b da Baker Street para visitar o Museu Sherlock Holmes. A própria estação de Baker Street já é decorada com um mooooooooooooooooonte de Sherlock Holmes de chapéu e cachimbo, e várias ilustrações de histórias do famoso detetive. E, saindo da estação, nem é tão complicado de se achar a casa do Sherlock...
Sherlock Holmes, detetive particular
No térreo, fica a loja, com um monte de lembranças de Londres e de coisas do Sherlock Holmes, incluindo, evidentemente, livros, e eu evidentemente não perdi a oportunidade de comprar um =D O museu começa no primeiro andar, com o quarto do Sherlock e do Watson (com um Watson, diga-se de passagem, que além de tudo falava algumas frases em português!). A decoração do quarto segue fielmente as descrições presentes nos livros, e os objetos mencionados nas histórias estão todos presentes lá. Já o segundo andar é dedicado a estátuas de cera representando várias das histórias do Sherlock, todas com uma plaquina com o resumo da história, além de um livro com as diversas cartas de fãs.
Elementar, meu caro Watson
8.6. Regent's Park De lá, fomos para o Regent's Park, que fica logo ao lado. Uma das coisas bem legais em Londres são os parques: há vários, todos muito bem cuidados, bem agradáveis. O Regent's Park é bem grande, bem arborizado, com um lago no meio e um jardim muito legal.
Regent's Park
Andamos bastante por lá e, apesar da idéia de fazermos um piquenique por lá como almoço, acabamos não achando nenhum lugar por perto pra comer e fomos almoçar em um Subway em outro lugar.
8.7. St. Paul's Cathedral Depois do almoço, fomos para o centro de Londres. Começamos a visita pela Saint Paul's Cathedral. A primeira catedral construída naquele lugar data de 604, mas a atual é do começo do século XVIII. A igreja é bem bonita, por dentro e por fora, apesar de, por fora, ela estar em reformas, e a gente ter visto só a fachada oeste.
Turista perdido na frente da St Paul's
De lá, fomos ao Museum of London, que, bom, é mais da cidade de Londres, e a gente acabou não entrando, e fomos em direção ao Tâmisa.
8.8. Londres e Paris Depois de andar um pouco pelo centro de Londres, já dá pra perceber o quanto essas duas capitais européias são diferentes. Paris guarda a história: o fato de prédios altos não poderem ser construídos em Paris e de a maior parte das construções serem bem antigas faz com que uma foto tirada em Paris possa passar muito bem por uma foto do século XVIII. Já Londres é uma cidade com uma cara bem mais moderna, misturada com história. Os prédios antigos estão cercados de prédios modernos, e há vários arranha-céus na cidade. Uma foto do Sena em Paris mostra vários prédios antigos às suas margens; uma foto do Tâmisa em Londres mostra uma mistura completa de prédios antigos e modernos. As duas cidades têm espíritos completamente diferentes e, bom, acho as duas muito legais também por isso.
Tâmisa e Londres
8.9. London Bridge e Shakespeare's Globe Atravessamos a London Bridge, uma das pontes mais históricas de Londres, a única que atravessava o Tâmisa na região de Londres até meados do século XVIII; a primeira ponte naquele lugar tinha sido construída no ano 50 d.C., ou seja, há muuuuuuito tempo, e muitas outras pontes vieram depois, até a atual, de 1973. Enfim, de lá, passamos pela Southwark Cathedral e fomos até o Shakespeare's Globe, o teatro do Shakespeare. O Globe atual não é na verdade o mesmo teatro que o do Shakespeare: o original, construído por Shakespeare, foi destruído em 1613, reconstruído em 1614 e fechado em 1642, e só em 1997 o Globe atual foi inaugurado, a mais ou menos 200m do lugar original do Globe. O teatro é bem legal por fora, mas acabamos não entrando: além de ser carinho, a gente ainda queria visitar várias outras coisas.
8.10. Tower Bridge e Tower of London Fomos então para a Tower Bridge, uma das pontes mais famosas de Londres.
Tower Bridge. Não parece um pouco coisa da Disney?
A Tower Bridge, apesar de ter uma cara moderninha com esse azul todo e essa cara de castelo da Disney, é na verdade de 1894, e as torres na verdade foram feitas para ficarem coerentes com a Tower of London, que fica logo ao lado. E foi para lá que a gente foi, ou tentou ir, depois. A Tower of London (que não é propriamente uma torre, mas mais um castelo) começou a ser construída em 1078 e foi residência real por um bom tempo, e hoje é um lugar histórico aberto a visitas. No entanto, a gente chegou lá meio tarde, e as visitas já estavam fechadas; tivemos que nos contentar em ver a torre do lado de fora.
8.11. The Phantom of the Opera Mais uma vez, a noite foi reservada para ver um musical, dessa vez O Fantasma da Ópera, outro musical que eu já tinha visto (parte 14 desse post) e queria ver de novo. Dessa vez fomos eu, o Ricardo e o Hayssam, e, bom, como era de se esperar, o musical foi ótimo (e também bem mais barato que o em Nova Iorque). As músicas d'O Fantasma da Ópera são uma obra-prima e a história em si também é muito interessante. Altamente recomendado, evidentemente.
Saída do Her Majesty's Theatre, depois de ver O Fantasma da Ópera
8.12. Ônibus de dois andares e metrô de Londres Olhando agora para as fotos da viagem, me dei conta que ainda não falei aqui de duas coisas bem particulares de Londres: os ônibus de dois andares (double-deckers) e o metrô. Os double-deckers são praticamente um cartão postal de Londres e são vistos facilmente pelas ruas. Sempre vermelhos, eles são quase parte da paisagem de Londres, e fica meio difícil de imaginar Londres sem eles. Acaba sendo uma forma de transporte bem prática e, bom, é bem divertido entrar num ônibus, subir as escadas, tentar conseguir um lugar bem na frente e apreciar o passeio!
Double-deckers à noite
Já os metrôs de Londres, a grande particularidade deles, na minha opinião, é o formato. Os trens são todos semicirculares! Não faço a menor idéia do porquê; acho que, quando construíram os túneis em formato semicircular, só depois perceberam que um trem quadrado ia ficar ou muito espremido ou muito baixo ali e, pra aproveitar melhor a área útil do túnel, acabaram fazendo os trens semicirculares também! Bom, de fato isso aproveita bem a área útil, porque a impressão que dá é que a parede está a poucos centímetros do trem em todas as direções quando ele está dentro do túnel. E outra coisa interessante é a escolha de cores: o metrô é branco, vemelho e azul. É beeeeeeem melhor que o branco - verde claro daqui de Paris, que é eu diria que até meio enjoativo. Bom, enfim, tudo isso só porque no sábado de manhã eu andei de double decker em Londres pela primeira vez \o/
Metrô de Londres: semicircular por causa dos túneis?
8.13. Tour dos Beatles E, bom, a gente teve que pegar ônibus pela primeira vez porque, sortudo do jeito que a gente é, a gente foi pra Londres num fim de semana em que algumas linhas de metrô não iam funcionar por estarem em reforma. E, sortudo ao quadrado do jeito que a gente é, claro que uma delas era exatamente a que passava perto do nosso albergue. Mas, bom, ao menos tinha vários ônibus de reposição, e a gente conseguiu se virar por lá. Enfim, sábado de manhã acabei não indo junto com o pessoal: fui sozinho fazer um tour guiado dos Beatles. O tour é muito interessante pra fãs dos Beatles, e passa em vários lugares, cenas dos filmes deles, casas onde eles moraram, estúdio da Apple, terminando com a clássica faixa de pedestres de Abbey Road.
Foto com uma faixa de pedestres? Não, mas com "a" faixa
Eu até considerei a idéia de tentar tirar uma foto atravessando a faixa, mas a quantidade imensa de pessoas que tentava fazer isso fez com que eu preferisse uma foto mais simples mesmo. E, bom, me arrependi muito de não ter ido para Londres uma semana depois. Isso porque, no sábado seguinte, 8 de agosto, era o aniversário de 40 anos da famosa foto dos Beatles lá, e ia ter uma comemoração. E, bom, teve, que foi até noticiada pela BBC (com direito a um vídeo; o guia de visita que fala no fim do vídeo é o guia da visita guiada que eu fiz).
8.14. Big Ben Se há algo bem estranho nessa minha viagem pra Londres, é que eu só vi o Big Ben no terceiro dia de viagem! Londres é uma cidade com tanta coisa pra se fazer, com tantos lugares pra se ver, que você se perde com tanta coisa. Enfim, depois do Tour dos Beatles, reencontrei o Ricardo e o Hayssam ao lado do Big Ben. Ficamos lá um tempo, o suficiente para tirar fotos, e, claro, acertar o relógio, porque afinal ir pra Londres e não acertar o relógio com o Big Ben é quase como não ir pra Londres! (A propósito, eu seeeeei que Big Ben é o sino e não o relógio, que se chama Clock Tower, mas, ah, é um mero abuso de linguagem, eu tenho o dieito, vai. Então, para os chatos de plantão que vão pensar que eu subi na torre e vi o sino quando eu falei que vi o Big Ben, substituam tudo por Clock Tower, ok?)
Eu e um relógio c[=
Enfim, é nessas horas, na frente do Big Ben, olhando o prédio do Parlamento, que você se dá conta que você é um turista em Londres c[=.
8.15. The National Gallery De lá, fomos até a Trafalgar Square, e, depois de almoçarmos por lá (em um Subway, diga-se de passagem), fomos até a National Gallery. Os museus em Londres são bem diferentes dos museus de Paris. Enquanto no Louvre tem absolutamente tudo, os museus em Londres são bem mais específicos, pelo visto. Assim como o British Museum só tem coisas de antigüidades, a National Gallery só tem quadros (só quadros, nada de esculturas ou outras obras de arte). E, bom, é um dos mais importantes museus da Europa, ficando de frente pra Trafalgar Square. Ele contém quadros do século XIII até o começo do século XX, com a coleção impressionista e expressionista. Tem vários quadros de artistas famosos, como Botticelli, Uccello, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, Velázquez, Rembrandt, Monet, Van Gogh, e inclusive o famoso quadro dos girassóis de Van Gogh está lá. Ficamos um bom tempo lá, o suficiente pra ver os quadros mais famosos, e depois continuamos andando em Londres.
8.16. Piccadilly Circus, Royal Academy e Green Park Fomos então para o Piccadilly Circus, uma das praças mais movimentadas de Londres, bem no centro (por onde a gente já tinha passado antes, diga-se de passagem, já que boa parte dos teatros ficam ali por perto, e inclusive os dois onde a gente foi ver os musicais).
Piccadilly Circus à noite
De lá, fomos até a Royal Academy, a academia real britânica de artes, mas não entramos (e nem perguntamos se podia entrar visitar), e então fomos ao Green Park, um parque comparativamente pequeno, mas que fica bem no centro de Londres e ao lado do Palácio de Buckingham. O passeio no Green Park não foi lá aquelas coisas, já que estava um tempo chuvoso terrível (acho que eu não comentei aqui, mas o tempo nas ilhas britânicas não é lá aquelas coisas... depois de ter pego calor de 40°C em Madri, acabei passando até um pouco de frio nas cidades da segunda viagem).
8.17. Palácio de Buckingham Outro monumento de Londres que acabei visitando tarde na viagem: o Palácio de Buckingham, residência oficial da monarquia britânica. O pessoal já tinha ido lá pela manhã, para ver a troca da guarda, que ocorre a cada dois dias (os guardas de lá são aqueles das roupas vermelhas e do chapéu preto que parece uma ponta de cotonete), e que eu acabei não vendo. Devo admitir que o palácio, apesar de gigante, não me impressionou tanto. Se eu tivesse viajado direto para Londres, sem ter passado antes pela França, eu acho que eu ia ficar abismado com o tamanho daquilo, mas, tendo visto o Louvre e Versalhes antes de ir pra lá, o Palácio de Buckingham não parecia lá tããão grande. Tá, pode-se argumentar que foi só impressão minha ou algo assim, então, pra tirar da dúvida, usei o Google Maps.
Comparação na mesma escala entre o Museu do Louvre, o Palácio de Versalhes e o Palácio de Buckingham
Bom, isso mostra algumas coisas: (1) os reis da França do século XVII tinham um ego beeeeeem maior que os reis ingleses (é meio difícil competir com um rei que se chama de Rei Sol também, né...); (2) os reis ingleses preferiram um palácio no meio da capital, perto da maior aglomeração de gente, enquanto que os reis franceses deram o fora de Paris; (3) isso provavelmente ajuda a explicar porque cortaram a cabeça do rei francês e a monarquia inglesa tá aí, firme e forte. Enfim, fora essas considerações de tamanho, o Palácio de Buckingham é bem legal, e eu fiquei um tempão lá na frente (principalmente olhando pros guardas, que tavam trocando de posto a hora que eu fui lá)
Turistando na frente do Palácio de Buckingham
Imagino que o palácio deva ser bem mais legal também em um dia ensolarado, mas não tive muita oportunidade de ver Londres em dias assim...
8.18. A Ratoeira À noite, mais teatro! Dessa vez fui sozinho, já que o Ricardo não quis ir e o Hayssam foi ver Les Misérables, que ele tinha ficado com vontade depois da propaganda que a gente tinha feito. E eu fui ver A Ratoeira, a peça encenada há mais tempo na história do teatro, em exibição em Londres há quase 57 anos (que serão completados no próximo dia 25 de novembro) e com mais de 23500 apresentações (completadas no último dia 18 de abril), escrita pela Rainha do Crime, Dama Agatha Christie. A peça foi um pedido da Rainha Mary da Inglaterra, que, para celebrar seus 80 anos, pediu uma peça da Agatha Christie. Christie escreveu Three Blind Mice, originalmente uma produção de trinta minutos para rádio, que depois foi alterada e adaptada para teatro pela própria Agatha. E, como toda obra da Agatha Christie, é muito boa. A história é sobre um jovem casal que resolve abrir um pequeno hotel, mas logo os primeiros hóspedes já são pessoas bizarras e acontecimentos estranhos culminam na morte de um dos hóspedes, as suspeitas recaindo sobre todos os demais, inclusive os donos do hotel. E, bom, mais que isso eu não posso contar, até porque, no final da peça, os atores pedem pra não contar pra ninguém quem é o culpado! c[= Mas, enfim, vale muito a pena e, se algum dia eu for pra Londres de novo, vou querer ver de novo, com certeza =D
The Mousetrap, em cartaz desde 1952 e no St Martin's Theatre desde 1974
8.19. London Eye No domingo, eu e o Ricardo fomos encontrar com o Cuco, que tinha chegado do Brasil no sábado para passar um mês em Londres. Começamos o nosso dia lá indo pra London Eye, uma roda-gigante no centro de Londres inaugurada em 1999 que é, desde então, uma grande atração turística da cidade (e de fato, estava muuuuuuita fila lá!). Essa roda-gigante é realmente gigante e, quando você está bem no topo dela, a vista de Londres que se tem é muuuuuuito legal!
Tâmisa e Parlamento vistos da London Eye
A London Eye é praticamente um estereótipo de atração turística: tem muita gente, os preços são caros e as filas são imensas. Mas, no final, eu diria que vale a pena: a vista que se tem de lá de cima é muito boa, dá pra tirar ótimas fotos, enfim, tudo o que um turista quer c[= Indo lá, no entanto, perde-se boa parte do dia, graças às filas pra comprar o bilhete e pra entrar.
8.20. Imperial War Museum De lá, fomos almoçar (no Subway!!) e depois fomos no Museu de Guerra Imperial. O museu é muito bom, e a gente passou várias horas lá, ainda assim sem ter visto muitas coisas. Vimos basicamente as exposições sobre as duas guerras mundiais e sobre o período entreguerras, muito interessantes, e a exposição especial sobre o holocausto (com direito a um grupo de judeus ortodoxos acompanhando a exposição junto com a gente), e na verdade a gente saiu de lá (1) por excesso de cansaço, mas (2) porque o museu estava fechando. Vale muito a visita!
8.21. Hyde Park De lá, o Cuco foi embora e eu e o Ricardo fomos para o Hyde Park, um dos maiores parques de Londres. Já tínhamos 15 dias de viagem até então, e só 3 dias de folga em Paris; como o cansaço aumentava, ficamos deitados um bom tempo no Hyde Park, esperando para encontrar com o Hayssam. Depois, fomos andar por lá. O Hyde Park é bem grande e bem legal: muita área verde, um lago no meio e é muito movimentado.
Hyde Park
Andamos da parte sul dele (onde a gente tinha ficado deitado, a parte mais sem graça, sem quase nada), até a parte norte, passando pelo lago, por uma região com mais árvores e uma região aberta onde o pessoal caminhava, fazia piqueniques ou praticava esportes. E, depois disso, fomos jantar e voltamos pro albergue, sem teatro essa noite.
8.22. Westminster Abbey A idéia original era de partir logo cedo de Londres na terça-feira, mas resolvemos ficar um pouco mais pra ir na Abadia de Westminster e no Museu Faraday. A história da Abadia de Westminster começou em 616, com a construção de um local de culto onde hoje é a igreja, que foi, ela, construída em 1245 (apesar de ter tido vários "puxadinhos" acrescentados com o tempo).
Turistando na Abadia de Westminster
Tem muuuuuuuuuuuuuita coisa pra se ver lá dentro, a igreja é muito densa; em cada milímetro quadrado tem um detalhe interessante, e seguir o audioguia é quase sinônimo de gastar umas 4h lá. Acabamos passando meio rápido, mas foi o suficiente para ver um monte de coisa; por exemplo, o trono onde os reis ingleses são coroados desde 1308, toda a arquitetura da igrja e os túmulos ou memoriais de famosos, que incluem William Shakespeare (ou Gvlielmo Shakespeare, como tá escrito lá) e Sir Isaac Newton (ou Isaacvs Newton)
Túmulo do Tio Newton. Pelo tamanho do túmulo, o pessoal gostava dele... (a propósito, como não pode tirar foto lá dentro, isso daí é foto de cartão postal c[= )
Além disso, tinha também os túmulos de alguns reis e rainhas da Inglaterra, e diversos outros túmulos e memoriais, incluindo um Túmulo do Soldado Desconhecido. Achei que fosse cópia do de Paris (que fica no Arco do Triunfo), mas pelo visto é o contrário: o de Londres é de 1920 e o de Paris, de 1921. Bom, enfim, vale muito a visita da Westminster.
8.23. Museu Faraday Depois da Westminster, fomos até o Museu Faraday, que é uma parte da Royal Institution. O museu é interessante, e tem várias coisas sobre a eletricidade, o Faraday, os laboratórios do Royal Institute, as diferenças da ciência na época do Faraday e hoje... é pequeno, até, mas vale a visita.
Fachada do "The Royal Institvtion of Great Britain"
8.24. Partindo de Londres E, depois de quatro dias e meio em Londres, partimos para Cambridge, com aquele sentimento que ainda tinha um monte de coisa pra se fazer em Londres. Dica aos viajantes: 4 dias em Londres é muito pouco!
8.25. E voltando a Londres Porque, bom, a gente pensou que teria trem de Cambridge direto para Liverpool, mas não era o caso, e, depois de ter visitado Cambridge, a gente ainda passou por Londres por algumas horas antes de ir para Liverpool. Não que dê para fazer algo em poucas horas assim, mas, bom, pelo menos a gente tentou pegar o trem pra Hogwarts...
Oops... expresso para Hogwats também sofre os efeitos de reformas...
Mas, no final, quem procura consegue achar a plataforma certa mesmo em uma estação com reforma...
Agora sim, no caminho para pegar o trem para Hogwarts!
Bom, e é isso, infelizmente, de Londres. Queria ter ficado mais lá, mas, bom, na próxima vez eu visito as coisas que faltaram!
Lembro-me muito bem que, antes de começar as viagens, eu reclamei com o pessoal que a gente ia passar 3 dias em Paris entre voltar de Porto e ir pra Londres. Eu achava 3 dias muito: como assim, tudo isso de tempo em Paris? Só se for pra visitar algo por aqui! Mas, bom, voltando de Porto, o meu pensamento estava mais pra "droga, só três dias em Paris? Eu por mim ficava uns 5 lá, deitado feito uma pedra, só pra poder voltar a sentir minhas pernas!". Fica a dica: ao planejar uma viagem, não subestime o cansaço! É sempre bom se lembrar que você também é humano e também precisa descansar, e que três dias às vezes não são suficientes pra isso.
Porto 6.1. Porto Depois de uma hora de espera pelo próximo trem para Porto na estação em Lisboa (falta de planejamento dá nisso...), acabamos chegando em Porto bem no final da tarde e não tivemos tempo de fazer quase nada; foi só o suficiente para ver a cidade à noite e jantar. Mas já deu para perceber uma coisa, algo bem útil para quem mochila por aí: é sempre bom ter mapas com relevo! A gente tinha visto no mapa que, da estação até o albergue, era pertinho, dava para ir tranqüilamente a pé. Mas é um pouco menos tranqüilo quando se leva em conta que o caminho era morro abaixo, morro acima. Nem era um morro tãããão considerável assim, mas era suficientemente grande para mochileiros cansados com mochilas lotadas. E, bom, Porto é em geral uma cidade com muuuuuitos morros (ao menos na parte da cidade em que a gente andou), o que gera em geral belas vistas da cidade mas também belas caminhadas...
6.2. Primeiros passeios: centro histórico Para começar bem o nosso segundo dia em Porto, acordamos cedo (bom, 9h da manhã num sábado é cedo para quem está de férias...) e saímos andar na cidade, tentando passar por todos os pontos turísticos marcados no nosso mapa de turista. O centro histórico de Porto é muito legal, e, bom, também, pudera: a cidade foi fundada no ano de 1123 e possui várias igrejas e prédios históricos. Começamos a nossa visita na Torre dos Clérigos, uma torre que ficava próxima ao albergue, um monumento nacional construído em 1754, que é a torre mais alta de Portugal. De lá, fomos até a Praça da Liberdade, uma das praças centrais de Porto, de onde se pode ver a Torre dos Clérigos, a Câmara Municipal e a Igreja de Santo Ildefonso, e em cujo centro fica uma estátua do Pedro IV de Portugal, Pedro I do Brasil.
Turista perdido na frente da Câmara Municipal do Porto. Regra do mochileiro: primeiro tire a foto, depois preocupe-se em saber o que é c[=
Andamos até a Câmara Municipal e depois fomos até a Igreja de Santo Ildefonso. De lá, fomos para a Sé do Porto. A igreja da Sé fica num ponto bem alto da cidade, com uma ótima vista, e a igreja mesma também é muito bonita, e bem antiga: foi construída no século XII, e tem uma pedra lá lembrando que em 1147 a igreja foi palco de uma pregação que instigou os cruzados a tomarem Lisboa
Sé do Porto
Porto visto a partir da Sé
6.3. Rio Douro Depois de ficar um tempo no terreiro da Sé, descemos até as margens do Rio Douro, o rio que consiste na fronteira sul da cidade do Porto. A região às margens do rio é bem turística, lotada de restaurantes, e acabamos almoçando por lá e ficando um tempo lá, e, depois do almoço, atravessamos a ponte e fomos até Vila Nova de Gaia, a cidade vizinha a Porto.
Porto visto de Vila Nova de Gaia
6.4. Vinho do Porto E, bom, o que tem pra se fazer em Vila Nova de Gaia? Vinho do Porto! Boa parte das casas que produzem o vinho do Porto ficam em Vila Nova de Gaia, às margens do Rio Douro. E boa parte dessas casas permite uma visita guiada aos locais de armazenamento de vinho, além de uma degustação na saída. Fizemos a visita da Sandeman, uma das grandes casas de vinho de lá, e valeu muito a pena. Vimos os barris onde são produzidos os vinhos, garrafas de mais de cem anos armazenadas, e ainda pudemos experimentar um pouco do vinho na saída; o pessoal ainda aproveitou pra comprar garrafas com desconto, mas, bom, aquele treco é forte demais pro meu gosto... meia taça me deixa zonzo, se eu comprasse uma garrafa com uma taça eu já ia cair c[=
Barrilzinho com só quase 50 mil litros de vinho!
6.5. Mais morro acima De Vila Nova de Gaia também se pode ter uma ótima vista de Porto, afinal, assim como em Porto, o relevo lá não é nada bom para as pernas... Logo ao lado do rio, é possível de se subir em um morro, a Serra do Pilar, da onde se pode ver praticamente todo Porto.
Porto vista de Vila Nova de Gaia
Apesar da preguiça depois do almoço e depois de degustar vinho do Porto, acabamos criando coragem e subindo o morro, e a vista de lá mostrou-se de fato muito boa. De lá dá pra ver que Porto tem bem uma cara de cidade européia mesmo: pode-se reparar nas ruas estreitas, nas casas, nos prédios antiqüíssimos, nas igrejas... enfim, muito legal!
6.6. De volta ao centro de Porto Depois disso, voltamos para o centro de Porto, e resolvemos subir no alto da Torre dos Clérigos. A Torre, apesar de ser a mais alta de Portugal, não é lá assim tãããão alta: com 225 degraus, chega-se no topo, de onde se pode ver praticamente todo Porto e as cidades vizinhas.
Porto vista do alto da Torre dos Clérigos
Torre dos Clérigos
De lá, ficamos um pouco sentados na Praça dos Clérigos, e continuamos depois o passeio pela cidade. Passamos pela Igreja do Carmo e andamos em direção à Igreja da Lapa, construída em 1756 e que abriga o coração do D. Pedro IV de Portugal, D. Pedro I do Brasil (apesar de o resto do corpo dele estar a uns 8 mil km de distância, em São Paulo), a pedido do próprio, que falou que doava o coração à cidade de Porto. De lá, fomos até a Praça da República e caminhamos até a Praça de Mousinho de Albuquerque, onde fica a Casa da Música, um prédio completamente moderno, cuja construção foi terminada em 2005 e que abriga algumas das salas de música mais modernas da Europa.
Turista perdido na Praça Mousinho de Albuquerque
De lá, voltamos para o centro e fomos jantar, depois de ter visto praticamente todas as coisas turísticas de Porto em um único dia!
6.7. Praia No domingo de manhã, nosso último dia da primeira parte da viagem, resolvemos ir à praia. Nos últimos 10 dias, tinha feito calor, sol, tínhamos aproveitado a praia em Barcelona, quase derretido em Madri, passado um belo calor em Lisboa e então, bom, por que não ir à Praia em Porto?! Pegamos um ônibus e fomos até Matosinhos, uma cidade vizinha que tem uma das melhores praias da região. E, de fato, a praia de Matosinhos é muito bonita: praia grande, bem diferente das praias do Mediterrâneo, é de fato uma praia do Atlântico, com areia bem fina e uma região beeeeem extensa de areia. Maaaaaas...
10 dias de viagem com sol e calor. E um dia que a gente tira para ir à praia. Obrigado, Murphy!
Bom, apesar da neblina e do tempo fechado, ao menos fazia calor, e deu pra andar na areia e molhar o pe na água. Apesar do tempo, a praia estava lotada de gente, inclusive na água, que nem estava tão gelada; na verdade, pouco tempo depois de a gente sair de lá, o tempo abriu e o dia ficou ensolarado. Murphy outra vez...
6.8. De volta pra casa Depois de 11 dias longe de casa, por melhor que tenha sido a viagem, não tem nada melhor do que voltar para casa. Afinal, 11 dias de viagem, são 11 dias andando, tirando fotos, subindo em torres e monumentos, andando por castelos, andando a pé em cidades, não tem pé que agüente. E por isso acabamos não fazendo nada em Porto depois de ter voltado da praia: fomos para o albergue, arrumamos as malas e fomos para o aeroporto, cansados, quebrados, esgotados depois de tanto viajar em 11 dias!
De volta para casa, finalmente! (mas não por muito tempo)
Lisboa 5.1. A chegada em Lisboa Portugal é o melhor país da Europa para se fazer turismo: é o único em que você pode falar a própria língua sem problemas, mesmo às vezes sendo um pouco complicado entender a resposta com aquele sotaque dos portugueses. Chegamos lá no meio da tarde de um dia nublado (vantagem de viajar de Madri a Lisboa: a viagem dura 1h20, mas a diferença de fuso faz você chegar apenas 20min depois do horário de partida), pegamos o ônibus do aeroporto até o centro da cidade, e descemos já na frente do albergue. Fizemos o check-in e saímos para andar um pouco.
5.2. Primeiro passeio: padaria E, de fato, andamos um pouco: atravessando a rua e indo até a padaria. Padarias em Portugal são um ótimo lugar, com todos aqueles doces deliciosos, e um doce típico de Lisboa são os pastéis de Belém.
Pastéis de Belém: impossível comer um só!
Como se vê pela foto, os pastéis de Belém não são nada parecidos com o que a gente chama de pastel no Brasil. São doces, com um recheio cremoso altamente calórico, altamente gorduroso e, portanto, altamente delicioso. Eles têm esse nome por terem sido inventados, em 1837, na Rua de Belém, no bairro de Belém, na loja que atualmente se chama Pastéis de Belém (não teria como ter outro nome mesmo), que a única que vende os "verdadeiros" pastéis de Belém, apesar de os da padaria de frente do albergue não deixarem nada a desejar!
5.3. No centro de Lisboa Depois de ter comido os pastéis, andamos um pouco até a estação de metrô mais próxima, que era a da Praça Marquês de Pombal, de frente pro Parque Eduardo VII. Pegamos o metrô e fomos até o centro de Lisboa. O centro de Lisboa é a região mais histórica da cidade, ficando bem na borda do Tejo. Descemos na estação Baixa-Chiado, e o primeiro ponto turístico que encontramos foi a Praça Luís de Camões, que tem uma estátua do Tio Camões!
"As armas e os Barões assinalados / Que da Ocidental praia Lusitana / Por mares nunca de antes navegados / Passaram ainda além da Taprobana, / Em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana, / E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram;" - Luís de Camões. Até dá pra imaginar o Tio Camões recitando isso! c[=
De lá, fomos em direção ao Tejo, passando antes em uma mini-feira do livro que tinha no meio do caminho.
5.4. Viajar em Portugal Viajar em Portugal não é como viajar no resto da Europa. Em primeiro lugar, tem a língua; como já disse, é o único país da Europa onde você pode falar a própria língua, e inclusive ouvir o próprio sotaque, já que tem uma quantidade considerável de brasileiros lá, vivendo ou simplesmente viajando. Mas isso não é tudo. Outro grande ponto é que é um ótimo lugar da Europa para comprar livros. Acabei gastando muito com livros lá: é muito bom poder comprar livros em português, e aproveitei inclusive para comprar um dicionário italiano - português, de que eu provavelmente vou precisar no meu curso de italiano agora e que seria um pouco complicado de comprar na França. E outra grande diferença que se sente é conhecer melhor as estátuas. Viajando pelos outros países, é muito normal ver praças e praças com estátuas de pessoas que você nunca ouviu falar. Em Portugal evidentemente tem umas assim, mas não é o caso da Praça Marquês de Pombal, da Praça Luís de Camões, da Praça Pedro IV (também conhecido como Pedro I no Brasil) e das estátuas de vários outros na rua. A gente passou em frente, por exemplo, de uma estátua representando Basílio e Luísa, personagens d'O Primo Basílio; se fosse em algum outro país da Europa, provavelmente seriam personagens de um livro que eu não li de um autor que eu talvez mal tenha ouvido falar. Bom, além dessas diferenças, também tem o fato que você se sente bem mais em casa em Portugal: tem mais cara de Brasil que de Europa. Enfim, um ótimo destino turístico para brasileiros.
5.5. Tejo O Tejo é de fato um rio bem largo quando passa por Lisboa, como dá pra ver pela foto (beeeeeeeeeeeeem) panorâmica abaixo.
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia." - Alberto Caeiro
Assim, fica até fácil de entender como é que os portugueses saíram para o mar: com um riozão desses, fica fácil! Bom, essa vista do Tejo, que foi a que a gente teve no primeiro dia, não é uma das melhores. Primeiro porque o dia não estava lá tão bonito: bem nublado, sem muito sol. E segundo que o lugar não era os melhores: depois, quando a gente foi pra Belém, a gente viu o Tejo ensolarado e com uma paisagem bem mais bonita em volta. A propósito, Lisboa fica bem perto do mar: apesar de a gente não ter chegado até uma praia, eu bebi um pouco da água do Tejo e, do jeito que aquilo é salgado, o mar não fica tão longe não...
5.6. O Pessoa Voltamos para o centro e, andando por lá, encontramos um monte de gente, que nos convidaram pra um vinho do Porto. Oferta irrecusável, claro!
Na foto, da esquerda para a direita: Fernando Pessoa, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e eu
Enfim, essa estátua do Fernando Pessoa fica na frente do café A Brasileira, fundado em 1905 trazendo café do Brasil, que era muito freqüentado pelo Pessoa. Evidentemente, um ponto turístico essencial de Lisboa! De lá, fomos para um shopping, onde o Ricardo comprou uma máquina fotográfica e eu comecei a compulsão por comprar livros em português, e voltamos a pé para o albergue, já à noite. Passamos por vários lugares interessantes: a Estação do Rossio, construída em 1886 e com uma arquitetura muito legal; a praça da Liberdade, com um monumento a todas as batalhas vencidas pelos portugueses contra invasores estrangeiros; e a avenida da Liberdade, que tem um passeio lateral muito bonito e bem arborizado e várias estátuas, que termina na Praça Marquês de Pombal.
Estação do Rossio à noite
5.7. Nem todo Mazanti sou eu; também, ...... Começamos nosso segundo dia em Lisboa procurando alguns lugares que a gente queria visitar, e o primeiro deles era o Museu Bocage. O clima em Lisboa é bem próprio à literatura, com a estátua do Camões, do Fernando Pessoa, a casa Fernando Pessoa, a estátua do Primo Basílio, etc, e a gente queria saber o que tanto tinha nesse tal de museu Bocage, o que tanto tinha sobre o famoso poeta português. E, bom, quem seguiu o link acima no nome do Bocage e viu o título dessa parte não vai ficar tão surpreso quanto a gente ficou quando viu isso:
Huuuuum... acho que nem todo Bocage é poeta, afinal!
E, bom, se a gente chegou a ver isso, é porque a gente foi bem lerdo. Começou quando a gente perguntou onde ficava o museu (não tinha nenhuma indicação nem nada nas vizinhanças) e o policial respondeu que ficava junto com o Museu de História Natural. Até aí, tudo bem; por que não, afinal? Chegamos no Museu de História Natural e esperávamos ver o Museu Bocage logo ao lado, mas, bom, não era lá que ele estava. Entramos no Museu de História Natural e perguntamos sobre o Museu Bocage, a moça falou que era lá mesmo. Estraaaaaanho, massss, bom, por que não, afinal? Poderia ser uma sala com outro tema, sei lá. E aí a gente entrou, fomos em direção ao tal museu e, quando a gente viu um monte de bicho empalhado, uma baleia no teto, e a placa da foto acima, a gente se deu conta que, bom, nem todo Bocage é poeta, né? Acabamos ficando no museu um tempo, como quem queria ver coisas sobre história natural mesmo, mas saímos não muito tempo depois, procurando pela Casa Fernando Pessoa e torcendo pra família do Fernando Pessoa poeta não ser muito grande e ele não ter tido nenhum primo que também se chamava Fernando e era astrólogo e a Casa Fernando Pessoa era sobre astrologia.
5.8. Casa Fernando Pessoa Mas, mesmo que Fernando Pessoa tivesse um primo astrólogo, a Casa Fernando Pessoa é sobre o poeta mesmo. E inclusive foi uma das casas de Fernando Pessoa: foi para onde ele mudou com 32 anos e permaneceu até a morte. A entrada é gratuita e a casa tem várias coisas interessantes, como a recriação do quarto do Alberto Caeiro, a máquina de escrever do Pessoa, alguns manuscritos originais, cartões de visita, documentos (vários dos quais eu já tinha visto em fotos no livro de literatura, como o boletim do Fernando Pessoa em Durban), além de uma imensa biblioteca e uma lojinha onde comprei um chaveiro e um livro ("Ficções do Interlúdio"; eu já tinha o "Poemas Completos de Alberto Caeiro", mas esse que comprei é o completo, com todos os heterônimos e o ortônimo).
Recriação do quarto de Alberto Caeiro
A Casa Fernando Pessoa é ótima, visita obrigatória para os que gostam das obras do poeta.
5.9. Estrela Da Casa Fernando Pessoa, a gente foi a pé até o bairro da Estrela, que fica próximo. Lá, tem o Jardim da Estrela, muito bonito, mas onde não ficamos muito tempo, só atravessamos, e a Basílica da Estrela, uma igreja do século XVIII bem bonita (por fora; não entramos).
Nos Jardins da Estrela. Detalhe para a sacola com as compras da Casa Fernando Pessoa
O prédio é bem bonito, bem como as vizinhanças: é bem perto do centro histórico, e tem várias ruelas, com subidas e descidas e vários pequenos prédios residenciais de dois ou três andares de cores diversas formando um mosaico de casas muito legal. Enfim, de lá, pegamos um ônibus para Belém (não a do Pará nem a de Israel, o bairro de Lisboa mesmo).
5.10. Belém: Pastéis, Mosteiro, Monumento e Torre A primeira atração turísitica de Belém são, sem dúvida, os Pastéis de Belém. Almoçamos em um restaurante da região (começando o que acabou sendo uma tradição pra mim em Portugal: comi bacalhau no almoço todo dia!), e depois fomos para Pastéis de Belém, a famosa padaria dos... bom, pastéis de Belém, né! A padaria está sempre lotada e tem uma quantidade gigante de mesas no interior. E os pastéis são deliciosos, claro! A gente nem comeu tanto assim, na verdade, só um cada um (acho que mais que um daqueles por dia já não deve ser muito saudável, na verdade... tudo o que é muito bom não é saudável!) e fomos depois para o Mosteiro dos Jerônimos. O Mosteiro é beeem antigo, do século XVI, e é gigantesco!
Vista panorâmica do Mosteiro dos Jerônimos
O mosteiro tem uma igreja, muito bonita, onde ficam os túmulos de Vasco da Gama e Luís de Camões, e tem também o claustro.
Claustro do mosteiro dos Jerônimos
O jardim no meio do claustro é mó bonito, bem arejado, e as salas lá dentro também são bem legais. Lá dentro fica o túmulo do Alexandre Herculano e também o do Fernando Pessoa (que é vertical! Bem estranho, não sei bem por que é assim, se ele foi cremado e lá tem só as cinzas ou se ele queria ficar em pé...). Além disso, o mosteiro ainda abriga o Museu Nacional de Arqueologia (mas hein?) e o Museu da Marinha (Museu da Marinha num mosteiro... só pode ser brincadeira, mas, bom, não era...). De lá, fomos para o parque que fica logo em frente e em seguida para o Monumento aos Descobrimentos, um monumento feito em 1940 e desmontado em 1958, sendo o atual uma réplica do anterior, inaugurado em 1960. De lá, é possível ter uma bela vista sobre o Tejo também.
Tejo visto a partir do Monumento aos Descobrimentos (cuja ponta aparece na foto)
E o último lugar que visitamos em Belém foi a Torre de Belém. A Torre foi construída no século XVI com objetivos militares, mas, com a construção de outros lugares de fortificação, acabou mudando de função ao longo dos anos, tendo sido alfândega, telégrafo, farol e posto de saúde. Ela tem de fato uma ótima vista sobre a região de Belém e sobre o Tejo.
Torre de Belém
Bom, Belém é de fato uma das melhores regiões pra se visitar de Lisboa: com os pastéis, o mosteiro, o monumento e a torre, dá pra se gastar um bom tempo; além disso, os parques da região são muito bonitos, e a região como um todo é bem mais agradável que o centro de Lisboa.
5.11. Bondes e Castelo de São Jorge De Belém, voltamos para o centro de Lisboa. Algo que eu tinha me esquecido de comentar sobre Lisboa: os bondes. Da primeira vez que eu ouvi falar sobre bondes na Europa, eu achei estranho: a imagem que eu tinha de bonde era de um veículo antigo, pequeno, carregando um monte de pessoas e saído diretamente do século XIX. Mas a primeira vez que vi um bonde, em Marselha (apesar de ter bondes em Paris, eu nunca vi um: eles não circulam pelo centro, só pelas periferias), percebi que, apesar de a palavra continuar a mesma, os bondes não continuavam: os bondes lá eram bem modernos, eram uma espécie de metrô sobre a terra, bem mais lento, bem menor, e que circulava às vezes no mesmo caminho onde circulam carros. E assim foi em outras cidades européias onde tinha bonde. Mas não em Lisboa. Em Lisboa, os bondes lembram mais o que eu imaginava que seriam bondes: isto:
Direto do túnel do tempo: um ponto de bonde na frente da Praça do Comércio em 1909, quer dizer, 2009
Apesar de parecerem bem legais, acabei não andando em um deles pra saber como é. Enfim, fomos então para o Castelo de São Jorge. O Castelo fica numa colina bem alta no centro histórico da cidade (e, para chegar lá, a gente subiu as Escadinhas de São Crispim, que, de diminutivo, só têm o nome!) e vale muito a visita. Os vestígios mais antigos de construção da região são do século VI a.C., mas só há registros de um castelo com os muçulmanos no século XI. O Castelo é bem histórico: foi lá que Vasgo da Gama foi recebido depois de regressar da Índia, e também lá que Gil Vicente apresentou o Auto do Vaqueiro, primeira peça de teatro portuguesa. A gente infelizmente não teve muito tempo para a visita, mas já foi o suficiente para ver boa parte do castelo e ter uma ótima vista de Lisboa.
Lisboa ao pôr-do-sol, vista do castelo
De lá, tentamos ir até a Catedral da Sé, mas, como já ficava tarde, desistimos e acabamos voltando para perto do albergue, onde a gente jantou antes de ir dormir.
5.12. Universidade de Lisboa No dia seguinte, pela manhã, começamos visitando a Universidade de Lisboa. Bom, a universidade em si era normal, mas o que a gente queria ver mesmo era a Torre do Tombo, local onde são guardados os arquivos históricos de Portugal desde 1387. Bom, infelizmente não tem muita coisa lá para visitantes, e, bom, eu achava que o prédio seria o prédio original da Torre do Tombo, mas me enganei um pouco nesse ponto: o prédio original era uma torre no Castelo de São Jorge, e o prédio atual é só de 1990. Mas, bom, valeu a visita à universidade, mesmo assim. E, bom, a visita ao lugar histórico, onde tinha começado o movimento Humanista na literatura portuguesa com a nomeação de Fernão Lopes como guarda-mor em 1418, eu já tinha feito na véspera, mesmo sem saber c[=
5.13. Parque Eduardo VII e centro histórico (de novo!) De lá, fomos para o Parque Eduardo VII, na frente do qual a gente tinha passado no primeiro dia. O parque em si não tem taaaanta coisa, mas o que vale é a vista que se tem do alto do parque.
Parque Eduardo VII, estátua do Marquês de Pombal, centro de Lisboa e o Tejo
De lá, descemos a pé pela Avenida da Liberdade até o centro.
Passeio da Avenida da Liberdade
. Lá, passamos em frente à Estação do Rossio, agora de dia, ao Teatro D. Maria II, na Praça Pedro IV (Pedro I no Brasil). Fomos então para o centro, até a Catedral da Sé, que é uma igreja bem legal, e almoçamos lá por perto (o almoço? Bacalhau!). E, depois disso, voltamos para o albergue pegar as malas e fomos para a ferroviária pegar o trem para Porto.
Bom, de Lisboa, é isso. Como já são 20 pras 2 da madrugada, acho que não vou escrever muito mais hoje, então a continuação da viagem (as outras 9 cidades!) fica para a semana que vem (e bem mais semanas a vir, pelo visto). Inté! \o_
Madri 4.1. Chegando em Madri Tivemos a péssima idéia de comprar a passagem para Madri bem cedo; mais precisamente, o nosso trem partia de Barcelona no domingo às 7h00 da madrugada! Tudo bem, quando você pára e pensa depois, até que é uma boa idéia: saindo cedo, chega-se cedo, e dá pra aproveitar bem o dia. O problema é o sair cedo: partir às 7h00 implica acordar antes das 6h00, sair sem tomar o café-da-manhã no albergue... e, bom, o nosso planejamento foi um pouco em cima da hora, o que fez com que, às 6h57 a mocinha estivesse destacando minha passagem e falando um "he! Tranquilo!", já que eu estava desesperado depois de vários minutos na fila tentando conseguir trocar a confirmação de venda on-line pelos bilhetes em si. Mas, no fim das contas, não perdemos o trem, e depois de três horas de viagem, chegamos em Madri. Mais uma vez, o ritual: onde estou? o que fazer? bilhete turístico? onde fica o albergue? etc. Conseguimos, com um pouco de dificuldade, mapa do metrô de Madri e bilhete turístico para 3 dias, e fomos então pro albergue. Dessa vez, tivemos mais sorte com a localização do albergue: ficava numa ruazinha pequena bem central, dava para andar para alguns pontos turísticos importantes a pé.
Calle de las Huertas. Normalmente ela é bem mais movimentada que isso, mas não dá pra exigir muito num domingo de manhã
Saímos para andar em direção a um parque que tinha perto do albergue enquanto esperávamos o horário do check-in, que começaria só depois do almoço. No caminho, descobrimos que, de domingo, dois museus eram gratuitos, e fomos pra um deles, o que ficava mais perto, o Reina Sofia.
4.2. Museu Reina Sofia Devo admitir que não fomos muito inteligentes na nossa primeira visita ao museu. É um museu consideravelmente grande, de dois ou três andares, e limitamo-nos às exposições do térreo, que não eram nem um pouco interessantes. Achamos o museu "chato" e logo, mortos de fome, saímos de lá para procurar um lugar para comer. Em vez de procurar exaustivamente, resolvemos ir no modo prático, e almoçamos num Burger King. No caminho, a gente achou um mapa bem completo de Madri, e, depois do almoço, fomos procurar o que fazer à tarde. Foi então que, na descrição do Museu Reina Sofia, lemos um "El Guernica de Picasso es la gran joya de este museo que apuesta por el arte contemporáneo...". Ou seja, Guernica, o quadro de Picasso que eu mais queria ver, que eu procuro em todas as exposições do Picasso que fui desde 2002 (a exposição do Picasso na Oca, no Ibirapuera; eu sempre achava que o Guernica ia estar na próxima sala e nunca estava...), estava no museu em que a gente tinha ido e a gente tinha perdido. Porque, bom, estava no primeiro andar, e a gente tinha se limitado ao térreo. O Ricardo também é um fã desse quadro, e nós partimos correndo de volta ao museu para conseguir pegá-lo ainda aberto (fechava às 14h30). E, bom...
Guernica, Pablo Picasso
Sim, chegamos a tempo. E ainda aproveitamos para ver outras obras do Picasso e algumas do Dalí que estavam lá. Não tivemos muito tempo, já que logo o museu fechou, e fomos então fazer o check-in no albergue.
4.3. Plaza Mayor, Catedral Almudena, Palácio Real e parques Depois do check-in, fomos passear em Madri. Saímos do albergue em direção ao Palácio Real, passando pela Plaza Mayor, um grande ponto turístico de Madri, construída no século XV e atualmente repleta de lojas tradicionais (e restaurantes e lojas de souvenirs)
Vista panorâmica da Plaza Mayor
De lá, andamos até a Catedral Almudena, uma catedral de frente para o Palácio Real, cuja construção começou em 1879 e terminou em 1993, quando foi consagrada pelo Papa João Paulo II, cuja estátua está na frente da Catedral. O caminho para lá a partir da Plaza Mayor é muito legal, passando pela região histórica de Madri, e a catedral em si é muito bonita, tanto por dentro quanto por fora. Por dentro, ela é bem iluminada, lotada de vitrais coloridos, bem ampla, muito legal.
Catedral de Almudena
De frente para a Catedral Almudena, fica o Palácio Real. O atual Palácio Real de Madri começou a ser construído em 1738, após o palácio antigo ter sido destruído por um incêndio em 1734, e é imenso. Ele não é a residência do rei da Espanha, que prefere morar em um palácio menor, e é usado apenas em ocasiões de gala. O interior do palácio pode ser visitado, mas a gente acabou não indo: no domingo estava fechado, e acabamos não voltando lá depois.
Na frente do Palácio Real. O Rei da Espanha é mó chato, sabia que eu ia e mesmo assim deixou o palácio fechado!!!
Ao lado do palácio, fica o Teatro Real e, do outro lado os Jardins de Sabatini. Os jardins de Sabatini foram construídos nos anos 70 e são um lugar muito agradável: há várias árvores, uma bela vista para a face norte do Palácio Real e um pequeno lago artificial no meio, o que o torna um lugar um pouco mais refrescante que o calor de 39°C das ruas de Madri no verão.
Jardins de Sabatini vistos da rua, com a pontinha do Palácio Real à esquerda
Fugindo do calor, passamos um bom tempo no jardim, na sombra das árvores, antes de continuar nossa caminhada. Fomos para o Parque de la Montaña, próximo também do Palácio Real, e que também é bem agradável; estava lotado de gente no gramado e nos bancos. Lá, fica o Templo de Debod, um templo egípcio que foi transportado pedra por pedra para Madri e então reconstruído.
Templo de Debod, em Madri. O lugar onde menos tem coisa do Egito antigo nesse mundo deve ser o Egito
Ficamos um bom tempo no parque, mas não muito, já que à noite a gente queria ir num treco de Flamenco que ia ter, e de lá voltamos para o albergue de metrô.
4.4. Flamenco e Pub Crawl Uma das vantagens de se ficar em albergue é que albergues, em geral, têm uma centena de panfletos con informações de lugares turísticos e atividades. Foi o caso do tal Flamenco, que era praticamente exclusivo para hóspedes de uns dois ou três albergues da região. Evidentemente, na Espanha, existem vários lugares onde se pode ver danças de flamenco, mas o tal lugar era uma espécie de barzinho onde o pessoal ensaiava flamenco e permitia que, duas vezes por semana, o pessoal dos albergues fosse lá pra assistir e até aprender uns passos no final. Foi bem legal, valeu a pena. Depois, a gente foi em outra atividade típica de albergues, o pub crawl. A idéia de um pub crawl é fazer o pessoal do albergue conhecer diversos pubs em uma noite: um guia leva o pessoal em três ou quatro pubs, com direito a uma bebida em cada um, e a uma festa no final. Eu, o Ricardo, o Hayssam e o Chico fomos, e, bom, até que foi legalzinho, mas, dado o quanto eu gosto de festas, eu e o Ricardo acabamos voltando depois do segundo pub, quando o pessoal iria para o terceiro.
4.5. Plaza de España, Parque de la Montaña e Campo del Moro Começamos o segundo dia em Madri saindo os 8 brasileiros juntos, coisa que ainda não tínhamos feito quase. Começamos pela Plaza de España, uma praça que marca o começo (ou final, depende do referencial) da Gran Vía, uma das ruas centrais de Madri. A praça é bem legal, e tem a escultura do Miguel de Cervantes com os seus dois célebres personagens, Don Quixote e Sancho Panza. De lá, fomos para o Parque de la Montaña, onde eu, o Ricardo, o Hayssam e o Chico já tínhamos ido na véspera, e, de lá, fomos para os jardins do Campo del Moro.
Miguel de Cervantes vigiando Don Quixote e Sancho Panza. Segundo a Wikipédia, a da esquerda ali é a Dulcinea.
Os jardins do Campo del Moro ficam a oeste do Palácio Real, e constituem uma área bem ampla (embora uma parte dela não seja acessível para os visitantes e a fronteira dessa parte não seja sempre bem demarcada...).
Entrada dos jardins do Campo del Moro, com o Palácio Real ao fundo
Os jardins são bem agradáveis (na verdade, qualquer lugar em Madri onde você consiga uma sombra é agradável! Naquela cidade, é necessário para a cada três quarteirões pra comprar uma garrafa de um litro e meio de água! O bom é que água é barato por lá......) (A propósito, nunca mais faço piadinhas falando que verão europeu é calor de 20°C... depois de pegar 40°C em Madri, já vi que europeu sabe bem o que é verão). A gente passeou por um bom tempo lá: tem um pequeno lago no meio e várias trilhas arborizadas, vale o passeio. De lá, voltamos para o albergue e fomos almoçar.
Jardins do Campo del Moro
4.6. Plaza de Salvador Dalí, parques e Plaza de Toros de las Ventas Depois do almoço, fomos andar do outro lado da cidade. Começamos pela Plaza de Salvador Dalí, que foi projetada por ele mesmo e inaugurada em 1986, quando ele ainda era vivo. Tem várias coisas no chão da praça: algumas frases, algumas montagens surrealistas, e há também um monumento.
Plaza de Salvador Dalí
De lá, passamos por dois parques: a Plaza de Manuel Becerra e o Parque de Eva Perón, ambos pequenos e pouco movimentados. Fomos então para a Plaza de Toros de Las Ventas, a praça de Madri onde ocorrem as touradas.
Plaza de Toros, vista lateral
Bom, não há muita coisa para se ver por lá quando não tem tourada e quando ela não está aberta para visitas, mas a vista externa do prédio já é bem legal: todo o prédio é construído com tijolos à vista e a decoração é bem fina, fica muito legal. Na frente do prédio tem também algumas estátuas sobre touradas. A praça foi construída em 1931 e há corridas de touros semanalmente durante o verão; também abriga o Museu Taurino, e tem visitas guiadas todos os dias da semana, exceto segunda-feira, que foi justamente o dia que a gente foi lá! Enfim, ficamos um tempo lá e fomos depois pro Parque del Retiro.
4.7. Parque del Retiro Depois de 1h em Madri, já dá pra saber o que é o Parque del Retiro, mesmo sem ter ido lá ainda. Isso porque a área verde gigante bem no meio da cidade no seu mapa de turista certamente não passa despercebida. Isso porque o parque tem 118 hectares, ou 1,18 km2, o que equivale a 0,61 da área de Mônaco e 2,7 vezes a área do Vaticano (obrigado, Wolfram!). Entramos pela Puerta de la Independencia, próxima à Puerta de Alcalá, no canto noroeste do parque e, uma hora e meia depois, chegamos no lado sul (claro, o parque é grande, mas a gente demorou assim porque a gente ia parando em tudo o que tinha de interessante no meio do caminho (inclusive sorveteria)). A entrada pela Puerta de la Independencia dá na Avenida de Méjico, que leva até o lago central do parque, onde fica o Monumento a Alfonso XII.
Turista perdido na frente do Monumento a Alfonso XII
Nós fomos até o monumento e, de lá, começamos a ir na direção sul. A primeira coisa para turistas nessa direção é o Palacio de Velázquez, que estava com a fachada em reformas. Logo depois, fica o Palacio de Cristal, uma estufa gigante que atualmente abriga exposições de arte.
Palacio de Cristal, no Parque del Retiro
A exposição que estava lá quando a gente foi era, bom, estranha. Tinha dois bonecos de animais pendurados no teto, algumas caixas de som que faziam barulhos de animais de tempos em tempos e, bom, só. No chão, nada, tudo vazio. Bom, arte moderna, enfim... Continuamos em direção sul, passando pela Fuente del Ángel Caído (segundo a Wikipédia, a fonte encontra-se a uma altitude de 666 metros!), e chegamos até o extremo sul do parque.
Foto aleatória do Parque del Retiro c[=
Voltamos por outro caminho, e passamos na frente dos jardins que ficam em frente ao Museo de Arte Siglo XIX (nos meus mapas de turista, esse jardim não tem nome, mas, bom ele é mó bonito!). Ficamos ainda um bom tempo à toa no parque, e voltamos pouco antes do escurecer para jantar e depois dormir (isso já é consideravelmente tarde, já que escurece entre 21h e 22h no verão europeu e os restaurantes não são rápidos em servir janta...).
4.8. Museo del Prado e Jardim Botânico Começamos nosso terceiro dia em Madri no Museo del Prado.
Entrada principal do Museo del Prado. Eu juro que tentei tirar uma foto melhor!
O museu é gigante, e ficamos um tempão lá dentro. O museu é rico em obras do Goya, tendo várias e várias salas dedicadas a ele (todas muito interessantes, diga-se de passagem) e as suas obras mais famosas, como El tres de mayo de 1808 en Madrid e as Pinturas negras. Tem também vários outros quadros de vários outros pintores: vale a visita! De lá, fomos almoçar e, em seguida, fomos para o Jardim Botânico, que fica logo ao lado do Museo del Prado. Uma forma bem simplificada de descrever o jardim: tem um monte de mato! Mas é mato mó bonito!
Mato no Jardim Botânico: seção de frôzinhas
O jardim é bem grande, tem 8 hectares (1,5 vezes a área da base da Pirâmide de Gizé, segundo Tio Wolfram) e é dividido em quatro partes: Terraza de los Cuadros, onde tem as plantas ornamentais: flores, árvores e outros matinhos; Terraza de las Escuelas Botánicas, onde as plantas estão ordenadas por afinidade botânica; Terraza del Plano de la Flor, que contém árvores e arbustos, e Terraza Alta, que tem as coleções especiais, como a de bonsais (que a gente acabou não visitando). Enfim, a visita do jardim vale bastante a pena, é um lugar onde se pode encontrar paisagens bem diversificadas e sentar na sombra pra apreciar a natureza.
4.9. Monasterio de las Descalzas Reales e Real Ermita de San Antonio de la Florida De lá, tentamos ir para o Monasterio de las Descalzas Reales, um convento criado em 1559, monumento nacional com várias relíquias e obras de arte. Não posso falar muito mais do convento, já que a gente não entrou: chegamos lá e, apesar de ainda estar aberto, já não tinha mais vagas para as visitas do dia. Fomos então para a Real Ermita de San Antonio de la Florida, uma capela, um pouco longe do centro de Madri, que foi construída no século XVIII e decorada pelo Goya. Em 1919, o corpo do Goya foi transferido para lá e, em 1928, para preservar a capela, o pessoal a tombou como monumento nacional. Mas, bom, era uma capela, tinha missas e serviço religioso e, pra não deixar os fiéis sem nada, eles construíram outra igualzinha do lado! Enfim, a capela é pequena, mas vale a visita pela decoração do Goya no teto e pelo túmulo dele lá. Logo em frente à capela também tem um monumento que o homenageia.
Capela de San Antonio de la Florida
4.10. Uma (loooonga) caminhada Tendo acabado de visitar a maior parte dos principais monumentos de Madri, propus uma caminhada pela cidade: saindo da onde a gente estava, ir para o Campo del Moro, de lá para a Plaza de España e então andar toda a Gran Vía e os Paseos de la Castellana até a Plaza de Castilla (segundo o Google Maps, um caminho de 8,58km; 0,97 da altura do Everest, segundo Mr. Wolfram). Evidentemente, não são muitos os malucos dispostos a fazer todo esse caminho e, no final das contas, só o Chico foi comigo. Foi bem interessante; passamos a pé por diversos lugares de Madri. O começo do passeio a gente já tinha feito, que era o caminho da Capela de San António de la Florida até o Campo del Moro e de lá até a Plaza de España. Depois, começamos a caminhar na Gran Vía. A Gran Vía é bem legal: muito movimentada, com diversos teatros e cinemas. A rua foi projetada no século XIX e construída no começo do século XX para modernizar a cidade e ligar o centro histórico aos novos bairros.
Gran Vía
Ao final da Gran Vía, tem o Banco de España, cujo prédio é bem grande e bem legal, e o Palacio de Comunicaciones, a sede dos correios.
Palacio de Comunicaciones, sede dos Correios
De lá, começamos a subir o Paseo de Recoletos, que, logo depois da Biblioteca Nacional, muda de nome para Paseo de la Castellana. O caminho já é bem bonito: esses tais Paseos são avenidas largas com uma grande área verde na borda, fica um lugar bem agradável de se andar. De interessante, no meio do caminho, tem a Biblioteca Nacional, a Plaza de Colón, vários edifícios modernos, a Plaza de Pablo Ruiz Picasso e o Estadio Santiago Bernabeu, o estádio do Real Madri.
Tio Colombo, na sua praça em Madri
Turista perdido na frente do estádio do Real Madri. Quem vê pensa que eu sou fã de futebol assim... c[=
Acabamos voltando uma estação de metrô antes do planejado, já que estava bem tarde, e acabamos não indo até a Plaza de Castilla, o que nos economizou 780m de caminhada; no final, andamos "só" 7,80km! Depois disso, voltamos e fomos jantar; no albergue, a gente encontrou com um grupo de 8 italianos que viajavam pela Europa também, e acabamos indo jantar com eles; pessoal mó gente boa, e só paramos a conversa depois da janta porque, bom, porque o dono do restaurante apagou as luzes......
4.11. Mais passeios em Madri A gente foi um pouco mais bondoso com nós mesmos na segunda viagem: o vôo para Lisboa era às 15h15, e, assim, tínhamos ainda um bom tempo em Madri. A gente pensou em ir no Museo Thyssen, mas acabamos não indo; ficamos andando pela cidade, comprando lembrancinhas, cartões postais, e fomos visitar a estátua do urso e a árvore de medronheiro, o símbolo no brasão de Madri: a gente tinha passado pela praça onde fica a tal estátua mas não a tínhamos visto. Almoçamos e, depois do almoço, fomos para o aeroporto.
O urso e o medronheiro, símbolo de Madri
4.12. Fly easyJet Voamos de easyJet, uma companhia aérea de "baixo custo". Tem algumas dessas na Europa, e a easyJet é uma das maiores, junto com a Ryanair. Essas duas são as que oferecem as viagens mais baratas, cortando alguns luxos e usando bastante propaganda: o serviço de bordo, por exemplo, é pago, e a cada 5 minutos eles passam vendendo alguma coisa. Esse foi o nosso primeiro vôo easyJet e, bom, tirando o fato de o piloto parecer estar bêbado, até que foi tranqüilo. Isso porque, tanto na decolagem quanto na aterrissagem, a cauda do avião deu umas belas sambadas, parecia que a gente tava na montanha russa. Isso evidentemente rendeu aplausos no final da aterrissagem de todos os passageiros, que foram lembrados de quão preciosas são suas vidas. Bom, para não falar só mal da easyJet, esse foi o único dos três vôos easyJet que a gente fez em que isso aconteceu; os outros dois foram mais normais, parecia até avião de verdade!
Barcelona 3.1. O começo da viagem Dia 15 de julho pela manhã, partimos para Barcelona. Na verdade nem tanto pela manhã: o voo (sem acento ]= ) saía lá pelo meio-dia, e deu pra acordar umas 9h da manhã. Fomos em 8 brasileiros, divididos em dois grupos: o Mineiro, o George, o Ferraro e o Thaenan, cujo voo era lá pelas 9h da manhã, e eu, o Ricardo, o Hayssam e o Chico, que íamos mais tarde por não termos conseguido comprar o mesmo voo que o resto do povo. Enfim, acordei e, enquanto tomava o café-da-manhã, o Mineiro me ligou no celular: ele esquecera o passaporte no casert dele. Tudo deu certo no final, mas a manhã já foi corrida: eu fui no Bureau Logements, perguntei se tinha como eles abrirem o quarto do Mineiro pra eu pegar o passaporte dele, me falaram que o Mineiro deveria mandar um e-mail pra eles me autorizando a entrar, voltei, falei com o Mineiro, ele mandou o tal e-mail, fui lá de novo, fizerram eu assinar trocentas coisas e finalmente consegui pegar o passaporte dele, levando pra ele no aeroporto, já que ele tinha trocado de voo e ia com a gente. E no final tudo deu certo: embarcamos, fomos de Ibéria / ClickAir / Vueling. Isso porque compramos o voo da Ibéria, mas eles falaram que ia ser um voo da ClickAir, e no final a empresa que fez o voo foi a Vueling. Tá quase uma Fergo do ar, mas ao menos chegamos são e salvos e com as nossas bagagens.
3.2. Chegada em Barcelona
Aeroporto de Barcelona
Chegar numa cidade nova implica um ritual que é meio estranho pela primeira vez, mas que vai ficando mecânico depois. É mais ou menos assim: onde estou? que aeroporto / estação é este/a? como faço pra chegar onde quero ir? tem bilhete de metrô pra turistas? cadê o ponto de informações? tem mapa da cidade? como faço pra pegar metrô? etc. Em Barcelona, começamos procurando como fazer para sair do aeroporto e chegar no metrô. Pegamos um trem e, depois de um tempo, conseguimos chegar na estação central, que já estava suficientemente próxima do albergue em que a gente ia ficar pra irmos a pé, depois de um almoço no McDonald's (pela sobrevivência, abri mão do vegetarianismo por um tempo: era um lanche com frango ou passar fome... saudades do Quick, o fast-food francês que tem lanche com peixe). Fizemos o check-in no nosso primeiro albergue, o Alberguinn Youth Hostel. Eu fiquei surpreendido com o albergue; na verdade, eu nem sabia como era um albergue, e não imaginava que fosse tão bom. Esperava algo sujo, nojento, velho, caindo aos pedaços, com atendentes mal-humorados, e, com expectativas tão baixas assim, não tinha como não ser melhor do que eu esperava... mas era de fato bom: limpo, bem arrumado, internet de graça, cama confortável... o quarto era pra 14 pessoas, mas tinha armários com cadeados pra deixar as malas; o banheiro era bem limpo, com água quente... enfim, muito bom! Inclusive com café-da-manhã ainda, com direito a pão, pão torrado, manteiga, geléia, leite, cereal e suco! Depois do check-in, fomos atrás de bilhete de metrô turístico (bilhete de metrô pra usar à vontade pelo tempo que a gente ia ficar lá, o que sai beeeeem mais em conta, já que a gente andou pra caramba por lá: o nosso albergue tinha o inconveniente de ser meio longe de tudo...), e conseguimos também mapas do metrô e da cidade; de lá, fomos direto pra praia.
3.3. Na praia
Na praia em Barcelona
Barcelona fica na beira do Mediterrâneo, e, como toda boa cidade do Mediterrâneo, não têm praias naturais boas. Por isso que eles fizeram praias artificiais, que são bem legais: como eu adoro andar, eu e o Chico caminhamos por duas praias inteiras enquanto o pessoal nadava; tava um tempo bom pra praia, a água tava boa, fui andando pela parte rasa. Enfim, depois disso, voltamos pro albergue pra tomar um banho e, à noite, saímos pra jantar; tinha vários restaurantes bons na beira da praia. Depois da janta, ficamos andando um pouco na beira da praia. Dica para todos os mochileiros na Europa: em Barcelona, não acredite que os caras vendendo cerveja na beira da praia vendem cerveja. Você anda pela avenida à noite, bem movimentado, bastante gente, e vira e mexe aparece um maluquinho com três latas de cerveja, todas fora de qualquer refrigeração, perguntando se você quer cerveja. É algo de se estranhar, mas alguns deles, chegando mais perto, oferecem mais explicitamente o que eles de fato vendem: "marijuana? haxixe?". Todos os restaurantes abertos, um monte de gente comendo, você passeando pela avenida e o pessoal lá oferecendo droga! Fiquei um pouco indignado com a situação; depois, descobri que em Barcelona a posse de maconha é legalizada em até uma determinada quantidade lá, e é por isso que tem tanta gente vendendo assim: se a polícia pára, eles falam que é pra consumo próprio, o que é legal; eles não se arriscam e falam que tão vendendo cerveja... enfim, fica o aviso pros mochileiros de plantão: em Barcelona, prepare-se para ser incomodado a cada 5min à noite (e algumas vezes durante o dia) por gente vendendo "cerveja". Tirando isso, o passeio à noite em Barcelona é bem agradável: tem bastante gente, as praias são bonitas... vale a pena!
Praia à noite. Fotos sem flash na praia à noite não são lá uma coisa muito nítida, maaaaas...
Depois de um tempo, eu e o Chico voltamos pro albergue. Em Barcelona, os metrôs páram à meia-noite, e, depois disso, tem só os ônibus noturnos, que passam a cada 20 ou 30min; tivemos que pegar dois desses pra voltar. Pros turistas que comprarem o bilhete turístico, um aviso: não funciona pra ônibus noturno. Descobrimos isso, evidentemente, depois de tentar.
3.4. Català
Bandeiras da Catalunha, da Espanha e de Barcelona
Antes de continuar, vou discorrer um pouco sobre o catalão. A Espanha é um país meio complicado: cada canto fala um idioma. Após a Guerra Civil Espanhola, o governo ditatorial de Franco impôs o castelhano, a língua do Reino de Castella, como língua oficial da Espanha, chamada espanhol, proibindo o uso das linguas locais, como o catalão e o basco. No final da ditadura, essas línguas deixaram de ser proibidas, e, atualmente, em Barcelona, capital da Catalunha, a maior parte das placas está em catalão e espanhol, isso quando não é só catalão. Diferentemente do basco, catalão é compreensível. É meio que uma mistura de espanhol, francês, italiano e línguaa do Seu Creysson e do Mussum ("assim", por exemplo, vira "així"; "avião" é "avió", "estado" é "estat", "estação" é "estaciò", e por aí vai... pra quem quiser mais, a página da Wikipédia (ou Viquipèdia) em catalão sobre Barcelona é uma boa amostra). Enfim, pros lusófonos, catalão escrito é bem compreensível, mas nem adianta tentar conversar com alguém em catalão: se falar espanhol, é melhor; senão, arriscar um portunhol com umas palavras em inglês quando necessário também vale.
3.5. Ramblas No nosso segundo dia em Barcelona, fomos passear um pouco pela cidade. Começamos pela Praça Catalunha, que fica meio perto do centro histórico da cidade, e depois descemos as Ramblas. Segundo a Viquipèdia, "rambla" é o catalão pra "arroio", mas, em Barcelona, as Ramblas são várias ruas consecutivas, que constituem uma grande avenida ligando a praça Catalunha ao porto de Barcelona. Elas são bem famosas: a parte das ruas destinada aos carros é minúscula, e o centro da rua é uma calçada gigante lotada de pessoas. Fica na região mais antiga de Barcelona, e constituem um passeio bem legal.
Eu, nas Ramblas
As Ramblas também são famosas pela quantidade de estátuas vivas: ao longo de boa parte das ruas, tem gente fantasiada de estátua viva posando pras fotos nos turistas. Tem estátuas de todos os tipos: caubóis, fadas, monstros, jogadores de futebol, muito legal! Mais pra frente, tem os artistas: gente que faz retratos na hora, caricaturas, quadros. E, no meio do caminho, tem o Mercat de Sant Josep de la Boqueria.
Mercat de Sant Josep de la Boqueria
Esse mercado tem um monte de coisa, é tipo um Mercado Municipal: frutas, frutos do mar, frutos do mar frescos... quando digo frutos do mar frescos, são frescos mesmo: a gente viu vários caranguejos mexendo a patinha (argh!). É um mercado um tanto antigo: a primeira menção dele que se conhece data de 1217, e o mercado atual é de 1911. E, no final das Ramblas...
"Seu Colombo, pra onde ficam as Américas?"
Monumento a Cristóvão Colombo. Diga-se de passagem, Colombo aponta para o Mediterrâneo, ou seja, do lado contrário das Américas, e do lado contrário da rota para as Índias que ele queria fazer......
3.6. Passeio à beira-mar e Museu Picasso Depois do monumento, tem o porto de Barcelona, uma ponte para pedestres e uma espécie de shopping do outro lado. O passeio à beira do mar é bem agradável:
Quatro malucos perdidos em Barcelna (o quarto maluco é o fotógrafo)
Enfim, depois disso, andamos até o Museu Picasso. É um museu bem interessante; o Picasso passou um tempo da sua juventude em Barcelona, e tem vários quadros lá organizados de forma temporal: dá pra ver toda a evolução da pintura, mas tem um pequeno buraco temporal no começo do Cubismo, infelizmente. Mas mesmo assim vale a visita, o museu é bem interessante. Além disso, ele fica numa região da cidade um tanto histórica, com ruas estreitas, muito legal.
3.7. Visitas turísticas No terceiro dia em Barcelona, fomos fazer visitas turísticas guiadas. A gente descobriu uma empresa de visitas turísticas "de graça": achando que pagar por uma visita antes de visitar e saber se você vai ou não gostar é injusto, o pessoal oferece visitas guiadas pra quem quiser, e, no final, você paga quanto achar que valeu a visita (possivelmente nada se você achar que não valeu, mas, em geral, não é o caso). Fizemos duas das visitas, as duas mais populares: o tour gótico e o tour Gaudí.
3.8. Tour Gótico O Tour Gótico consiste em uma visita à região gótica da cidade, passando pelos principais prédios com esta arquitetura. Encontrar o começo da visita é uma tarefa complicada: a visita parte da Praça Reial, que, apesar de grande, só tem entradas meio escondidas; a gente teve dificuldades em encontrá-las, mas chegamos antes do começo.
Vista panorâmica da Praça Reial
O tour foi bem interessante, passando por vários pontos turísticos do Bairro Gótico: a Praça George Orwell, a Escola de Artes, a Rua d'Avinyó, o antigo bairro judaico, a região antiga da cidade, fundada pelos romanos e com colunas que estão no mesmo lugar desde o século I a.C., várias igrejas com arquitetura gótica, etc. Sobre a Rua d'Avinyó, uma curiosidade: o famoso quadro Les Demoiseilles d'Avignon, do Picasso, não é sobre mulheres da cidade francesa de Avignon, mas sim da rua d'Avinyó em Barcelona, que era, na época de Picasso, um dos pontos de prostituição da cidade. Já quanto às colunas romanas...
O que 2100 anos fazem com uma construção...
tão bem acabadinhas, né? Enfim, o tour acabou na frente de prédios administrativos de Barcelona, numa praça que existia desde a época dos romanos e por onde passavam as duas ruas principais da época, que ainda hoje têm o mesmo trajeto.
3.9. Museu Nacional d'Art de Catalunya Entre um tour e outro, fomos visitar o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Infelizmente a fachada dele estava em reforma, e não ficou tão bom na foto...
Museu Nacional d'Art de Catalunya
O museu é bem interessante, e fica no Montjuïc, uma montanha que constitui a fronteira de Barcelona e parece ter várias coisas interessantes, inclusive um estádio olímpicio e o Museu Olímpico do Esporte, mas não tivemos tempo de visitar tudo isso. O Museu de Arte da Catalunha é bem legal: tem obras bem antigas, arte gótica, renascença, barroco e arte moderna. Tem obras do Picasso, do Dalí, do Velászquez, do El Greco e de vários outros, vale a visita.
3.10. Tour Gaudí Este outro tour se dedicou aos trabalhos do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Eu nunca tinha ouvido falar de Gaudí antes de ir pra Barcelona, mas é impossível passar por lá sem ouvir falar dele. Gaudí viveu a segunda metade do século XIX e o começo do século XX e fez umas obras bem... diferentes. Duvida?
Casa Batlló. Arquitetura convencional? Nem um pouco.
O tour começou pelo Palácio Güell, e depois fomos pra Casa Batlló e pra Casa Mila, conhecida como La Pedrera.
Vista panorâmica do telhado da Pedrera
Como a gente tinha que andar bastante entre um lugar e outro e pegar metrô, o tour acabou sendo bem curto: visitamos só esses três lugares, e só por fora (a foto do telhado é de outro dia), e a obra-prima de Gaudí, ainda inacabada, a Sagrada Família, uma igreja de estilo meio gótico meio bizarro. O projeto da igreja prevê 12 torres, uma para cada apóstolo de Jesus, mais uma torre para Maria e uma torre gigante para Jesus. Até agora, só 8 torres foram construídas, e as previsões de término são pra um prazo meio longo ainda? O porquê? Bom, primeiro porque os planos originais da igreja foram destruídos durante a Guerra Civil Espanhola. Os revolucionários anarquistas (ou comunistas, não lembro) tomaram a igreja e queriam destruir esse símbolo do clero; a única coisa que salvou a igreja foi uma pontezinha no alto das torres, que um anarco / comuna percebeu que seria útil para guerrilha. No entanto, os projetos da igreja foram destruídos. Segundo que a construção ficou parada durante um bom tempo, mas agora alguns esboços do Gaudí estão sendo recuperados e, com base no estilo empregado, estão tentando chegar o mais próximo possível do que o Gaudí gostaria que fosse a igreja. E, por último, porque deve dar trabalho construir algo assim...
Uma igreja um pouco detalhada...
Ela ainda não é usada como igreja: não tem missa, apesar de ter confissões. Ela é turística, e dá pra entrar nela, mas tem que pagar; por falta de tempo, acabamos não entrando.
3.11. Janta e praia Depois disso, fomos jantar e aproveitamos mais uma noite na praia, recusando "cerveja" a cada 10min. E descobrimos que se deve tomar cuidado com as dinamarquesas. Isso porque, estando nós na praia, chegou uma dinamarquesa perguntando em inglês pra gente se a gente sabia onde tinha uma festa por ali. Ela estava meio bizarra: de biquíni (imagino), com uma camiseta comprida mó velha por cima. A gente falou pra ela onde tinha baladas, e, bom, ela perguntou de novo, de outro jeito, a gente explicou de novo, ela fez cara de quem entendeu, aí se apresentou, falou que era dinamarquesa e que a gente nem saberia qual era a capital da Dinamarca, ao que o Ricardo respondeu na hora Copenhagen. Chegou uma amiga dela, vestida da mesma forma, e aí elas começaram a "conversar" com a gente. Perguntaram da onde a gente era; estávamos nós 4 e mais um brasileiro que a gente conheceu que morava na Alemanha. A gente falou que éramos os 5 brasileiros, que 4 morávamos na França e 1 morava na Alemanha, ao que elas responderam: "ah, então vocês 3 são franceses e vocês 2 são alemães?" A gente explicou de novo, elas fizeram um "ahhh", continuamos a conversa, um tempo depois a primeira delas perguntou da gente era, falamos que éramos todos brasileiros, ela falou "nãããããão, vocês não são brasileiros! Vocês dois são franceses e vocês três são alemães!!" E foi assim, umas três vezes, a gente até falou em português entre a gente pra tentar convencê-las, mas elas insistiam que a gente era ou franceses ou alemães!!!! Enfim, pela amostragem que tive, dinamarquesas são bizarras!
3.12. Parque Güell No quarto e último dia em Barcelona, fomos visitar o Parque Güell, um parque criado com a intenção de ser um condomínio residencial, ambientado pelo Gaudí, mas que acabou sendo um fracasso. Hoje é um grande parque, bem famoso pelas obras do Gaudí ali presentes.
Vista panorâmica do Parque Güell
O parque é muito bonito, mas tem o inconveniente de ser morro-acima morro-abaixo o tempo inteiro. Mesmo assim, de lá dá pra se ter uma vista maravilhosa da cidade, além de se poder contemplar as obras do Gaudí. Vale a visita; passamos a manhã toda lá.
Entrada principal do Parque Güell
3.13. Casa Mila - La Pedrera Depois do Parque Güell, fomos visitar a Pedrera, a casa arquitetada pelo Gaudí sobre a qual eu comentei ali atrás. A casa é muito legal, dá pra entrar nos quartos, ver a arquitetura, vale bastante a visita. Tem também uma parte sobre como o Gaudí fazia os seus projetos e detalhes sobre o projeto da Pedrera e de outras obras. Vale a visita... só pra lembrar:
Vista panorâmica do telhado da Pedrera
PI. O Mediterrâneo, por fim Pra terminar a viagem, fomos pra praia, aproveitar as últimas horas em Barcelona. Era fim de tarde, a praia já tava tranqüila, tinha bem menos gente, deu pra aproveitar bem, dava pra entrar na água ainda...
Praia no final de tarde. Não me pergunte o que é aquele bicho preto na água; não vi na hora, só vi chegando aqui, passando as fotos pro computador
E, de Barcelona, é isso. Próximo post sobre Madri.
14 de Julho 14 de julho é o feriado nacional da França, que comemora a tomada da Bastilha pelos revolucionários em 1789, um marco na Revolução Francesa. E, como todo bom feriado nacional, tem um desfile, ao qual eu fui assistir em Paris. Uma grande dica a quem vai assistir ao desfile do 14 de julho em Paris: chegue cedo! A gente não queria muito acordar cedo e, por isso, fomos um pouco tarde. Péssima idéia: vimos basicamente um desfile de chapéus (e cada chapéu bizarro!), já que a multidão na nossa frente não permitia ver muito mais do que isso.
Alunos da École Polytechnique antes do desfile. Dá pra ver que não conseguimos um lugar muito bom, né?
O desfile foi bem legal (ou o que conseguimos ver dele). Teve os aviões da Patrouille de France desenhando a bandeira da França no céu, o desfile dos alunos das escolas militares (como a Polytechnique, na foto ali em cima), policiais, exército, marinha, bombeiros... a propósito, os franceses gostam dos bombeiros, hein! Nas duas vezes que eles desfilaram (uma andando, outra nos carros), o pessoal aplaudiu. Enfim, teve diversos grupos militares desfilando, o suficiente pra encher umas duas horas de desfile. Vale a pena ir ver uma vez na vida, mas acho que eu não iria assistir de novo: um solão, um calorão, tem que acordar cedo pra conseguir um bom lugar, senão não dá pra ver nada... mas talvez eu vá ano que vem, não pra assistir mas pra desfilar: no segundo ano a gente pode desfilar pela Polytechnique e, se eu tiver ânimo o suficiente, vou tentar ir! =D Aproveitamos o 14 de julho em Paris pra ir almoçar com a nossa ex-professora de francês, que queria nos ver antes de ir trabalhar na China (!!) por 4 anos (!!!!). Depois, andamos um pouco por lá e fomos ao cinema, e voltei pra casa tarde e cansado, ainda tendo que comprar as passagens pra viagem pra Suíça no final das férias e tendo que arrumar a mala pra viajar no dia 15, coisas que eu demorei um tequin pra fazer. Dormi meio tarde, mas, no dia 15, primeiro dia de viagem nas férias, primeiro dia mochilando pela Europa, não tinha como não estar animado!
E o começo das férias, em Barcelona, no próximo post.
Olá! Depois do show do U2 e de 11 dias viajando, voltei, cansado, com dor nas pernas, com milhares de fotos e pronto pra outra (já que quinta-feira eu vou pra Inglaterra c[= ). Bem que essas férias (e o dinheiro) podiam durar até dezembro!
[Edit: Para não ficar com posts muito longos, estou dividindo os posts por cidades. Esse post, que originalmente era gigantesco já, ficou só com a parte do show do U2.]
Show do U2 No primeiro domingo de férias, teve o show do U2. Esse show foi o segundo show em Paris da turnê 360° deles, que começou no dia 30 de junho em Barcelona e vai até 22 de agosto na Europa, e é para promover o novo álbum, No Line on the Horizon. O show foi no Stade de France, ao norte de Paris. E foi muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito bom!!!
With or withooooooooooooooooooout youuuuuuuu
Fomos o Mineiro, o Ricardo, o Natal e eu. O estádio estava lotado e, apesar e a gente não estar lá muito perto do palco (os ingressos na grama esgotaram rapidinho), também não estávamos tão longe (se fosse um jogo de futebol, seria ótimo, porque a gente estava do lado do gramado quase). Eles cantaram várias músicas do álbum novo (que eu não conhecia), e algumas mais antigas que eu conhecia, como Vertigo, With or Without You, Where The Streets Have No Name, One... pena que foram só 2h de show, e evidentemente foi um inferno pra voltar, porque o trem estava lotado, mal tinha espaço pra respirar. Mas valeu a pena, claro! =D
Olá! Que sonoooooo!! Também, depois de uma semana só com provas, o cansaço no fim de semana não é pouco! E evidentemente que não tem tantas novidades numa semana de provas, né! Foi a rotina: fazer prova de manhã, passar a tarde toda estudando pra prova do dia seguinte, etc, exceto na segunda-feira que além de tudo tinha trabalho de matemática aplicada pra terminar. Sexta-feira, pra começar bem as férias, passei um dia de procrastinação completa e total. Sentei na frente do computador às 13h, saí às 2h da matina (com pausa pra banho e janta, claro), um ótimo jeito de começar as férias =D E hoje fui pra Paris, andar um pouco, e aproveitei e comprei finalmente um celular. Aqui as operadoras têm uma tonelada de planos, mas escolhi o tradicional pré-pago: o melhor pra quem, como eu, compra um celular pra usá-lo quase nunca. E claro que comprei o celular mais barato: sem frescuras de player de música, fotos, nada... 29€! Pão-duro, eu? Bom, prefiro ter um celular que não toca música nem tira foto e ter um pouquin mais de dinheiro pra gastar nas viagens! =D E hoje assistimos a um filme. Uma maravilha aqui: os anfiteatros ficam abertos, e é só ir lá, colocar o filme pra rodar. Assistimos a «Meet Dave», muito bom, é comédia, com o Eddie Murphy. A gente chamou dois dos alemães pra irem também, e amanhã pelo visto vai ter outra seção cinema, com brasileiros, chilenos e alemães. E amanhã à noite: U2!!!!!!!!!!!!! =D Depois, quarta-feira, começa a viagem: Barcelona, Madri, Lisboa e Porto, pra começar! =D Enfim, quando eu voltar de Porto, com trocentas mil fotos, eu escrevo aqui de novo! =D E bom, é isso! Inté! \o_
Olá! Última semana de aulas do Tronc Commun! Agora, só mais uma semana (a de provas!) e então férias! E nem por ser a última semana foi mais tranqüila. Começou, como sempre, com esporte, e depois a última aula de informática, com matéria que não cai na prova (o que é ótimo, porque era um tantinho complicada c[= ). Terça-feira foi o dia da matemática: duas aulas de matemática de manhã e mais uma à tarde, durante a qual recebi a nota do trabalho que a gente tinha feito: B+... isso que dá não copiar a correção oficial que "vazou" antes da data de entrega! Mas ao menos tirei 19,5 (em 20) na prova prática de informática! \o/ Quarta-feira a quantidade de aulas começou a diminuir, mas, em vez de a quantidade de tempo livre, aumentou a quantidade de esporte: quarta só teve aula de francês, mas teve esporte logo às 8h30 da manhã. E, a partir de quarta, todo tempo livre foi tempo dedicado a terminar o projeto de matemática aplicada. E que projeto demorado pra terminar! Eu e o meu dupla, o José, só terminamos essa madrugada, depois de 12h seguidas de projeto... e ainda precisamos revisar e cortar um monte de coisa: não é bom entregar 34 páginas de projeto quando o limite é 10 páginas...... E sexta-feira tive um momento bom até: foi quando o professor de economia falou que a aula tinha terminado! Se algum dia eu entrar de novo numa aula de economia, vai ser porque me levaram amarrado pra lá! ô coisa chata dos infernos, viu! Vou estudar o suficiente pra passar na prova, e olhe lá ainda! Bom, e por essa semana é isso... vou indo nessa que o sono tá pesando aqui... inté!
Salut! Provas chegando. Ruim. Férias chegando. Excelente. No fim das contas, ainda tá ótimo =D
1. Fête de la Musique Domingo passado fui na Fête de la Musique. A Fête de la Musique se realiza todo ano, desde 1982, no dia 21 de junho, começo do verão no hemisfério norte (nem por isso tava lá muito calor! Pelo contrário, tava meio friozinho...). Começou em Paris, e hoje acontece em várias cidades ao redor do mundo. A idéia é simples: as pessoas saem nas ruas para tocar ou para ouvir música! Na festa desse ano, tinha centenas de eventos cadastrados, de todos os estilos possíveis e imagináveis: música clássica, eletrônica, rock, música tradicional francesa, etc. Não é a cidade toda que fica ao som de música, mas quase. Eu e o Ricardo fomos pra lá no fim da tarde e andamos pela Boulevard Saint Germain e ali pela região da Notre Dame e tava bem animado até, mas a margem direita do Sena, do lado do Louvre, tava mais parada. No Louvre mesmo tinha uma fila gigante às 19h para um treco de música clássica que começaria às 22h. Eu e o Ricardo até queríamos ir, mas, depois de ver a fila, mudamos de idéia. No final, acabamos andando mais pela região de Châtelet e Notre Dame, mais no centro de Paris. Tava lotado de gente, tinha um estilo de música a cada esquina, muitas pessoas que tocavam só com um violão, outras com uma bandinha e um som, e algumas com um palco completo, fazendo as ruas de Paris parecerem uma balada gigante. Na verdade, foi essa a imagem que veio na minha cabeça sobre a Fête de la Musique: uma balada gigante, com vários ambientes, nas ruas de Paris. É muito legal, o único problema é que dia 22 de junho não é feriado, e ter que acordar cedo fez com que a gente não ficasse lá até tarde, uma pena!
2. Remise de Bicorne E essa semana teve a Remise de Bicorne. Uma explicaçãozinha rápida: Bicorne: o chapéu que a gente usa aqui; Remise de Bicorne: a cerimônia de entrega do dito chapéu. Porque, afinal, a École Polytechnique tem uma longa tradição a ser mantida, sobretudo quando o assunto é o Grand Uniforme (mais conhecido como GU).
Exemplo de aluno da École Polytechnique usando o GU. Nota-se que o aluno é um bixo completo, devido ao sorriso de bobo de quem usa o GU pela primeira vez, sem se dar conta que esqueceu de fechar o terceiro botão do uniforme e que colocou o cinto uma fileira de botões para cima do correto.
O GU só pode ser usado pela primeira vez na cerimônia de remise de bicorne, sem as luvas, que só são usadas junto com a bicorne. Vestir o GU não é uma tarefa nada simples, e um bixo típico (ex: eu) leva uma meia hora para fazê-lo (e isso com a ajuda de um veterano!). O começo é simples: calça, meia fina, bota (difícil de colocar, mas ça va...). Depois, a camisa, e já começa a complicar. Primeiro que eu quase esqueci de colocar a camisa por dentro da calça: ha um século que eu não usava camisa assim (se é que eu já usei camisa assim alguma vez na vida...). Segundo que eu tive uma bela surpresa ao tentar abotoar a manga... olhei de um lado e não tinha botão, mas tinha o furo pra passar o botão. Olhei do outro e também não tinha botão, mas tinha o furo pra passar o botão. E então pensei com meus botões (ahn, ahn, pegou o trocadilho?! botões, botões, ahn, ahn!!): "Uai, esse treco veio com defeito?". Corri ligar pra alguém menos perdido que eu e descobri que na verdade tinha que usar uma abotoadura pra conseguir fechar aquilo. Ok, até aí, tudo bem, um pouco de trabalho e malabarismo, coloquei a abotoadura do jeito errado e só descobri no trem, mas ao menos foi. E aí chegou na hora de colocar suspensório, coisa que eu nunca tinha usado na vida. Aí eu desisti e esperei a ajuda de um veterano! c[= O Aron, meu parrain (padrinho. Cada aluno tem um padrinho para a remise de bicorne, que é o veterano que coloca o chapéu na nossa cabeça), me explicou como aquilo funcionava, bem como todos os 50 botões da parte de cima do uniforme, e ainda me impediu de colocar as luvas (luvas, só quando se está com o chapéu). Enfim, saímos e fomos, vários brasileiros juntos, jantar em Paris. Fomos em um restaurante bom lá (na mesma rua do restaurante onde eu comera escargot semanas antes); o único problema é que demorou, e chegamos com 45 minutos de atraso, mas a cerimônia ainda não tinha começado (que fique bem claro que os pontuais na Europa são os britânicos. Desse lado do Canal da Mancha, pontualidade não é algo que se diga "nossa, como eles são pontuaaaaais!"). A cerimônia até que é rápida. A gente entra em fila no prédio da École, bixo e parrain lado a lado. As bicornes dos bixos estão todas no chão, e a gente pára na frente da bicorne respectiva (para saber qual é, tem que olhar o nome e número de matrícula dentro, mas quem tem que olhar é o parrain: o bixo não pode relar na bicorne antes que o parrain coloque na cabeça dele). E então, todos lá, tem a cerimônia, presidida pelo general da Khômiss (o grupo de alunos responsável, dentre outras coisas, por "manter as tradições"). Uma bela falação depois, eles falam pros alunos colocarem as luvas, ajoelharem e então os parrains colocam a bicorne no bixo. A gente recebe então o "Code X", um código geral sobre as tradições da École, escrito pela Khômiss há mais de um século e atualizado de tempos em tempos, e, bom, depois é a correria e o empurra-empurra pra conseguir a garrafa de champagne. Porque, afinal, pra comemorar a entrada oficial na École Polytechnique, nada melhor que uma garrafa de champagne!
Bicorne, Code X e garrafa de champagne
E, segundo a tradição, temos que tomar champagne na bicorne! Tradição é tradição, e eu também tomei champagne na bicorne! O champagne é muito bom; a única coisa ruim é que logo depois já tive que ir embora: já era mais de meia-noite, tava quase na hora do último RER pra École (tinha uma festa depois, mas eu nem ia ficar).
Finalmente com a bicorne, e de volta à Polytechnique (e um pouco alto por causa do champagne...). Ao menos agora com os botões devidamente abotoados e com o cinto no lugar certo, mas com a bicorne muito mal posicionada (era pra estar bem mais pra baixo, relando na sombrancelha)
Bom, e é isso. Sem outras grandes novidades essa semana, já que eu gastei um belo tempo nisso e tive que usar todo o resto do tempo disponível pra estudar. Inté mais! \o_
Salut! Mais uma semana de estudos e esportes! E só mais 20 dias pras férias!! =D
Essa semana teve poucas diferenças com relação à semana-típica daqui. De diferença, foi o exame de informática na terça-feira. Aqui, tem dois cursos de informática: o mais básico e o mais avançado; creio eu que tenha uma média de 250 alunos em cada um desses cursos. Eu faço o mais avançado, que foi o único que teve prova nessa terça. Enfim, dos 250 alunos, pelas estatísticas que a gente viu, só um aluno terminou: o André, um brasileiro que tá na minha turma. Não só foi o único a terminar, como ficou 20 minutos revisando!! Enquanto que a média foi resolver umas 9 das 14 questões, e eu consegui com muito sofrimento fazer 12 (mas não tive tempo de corrigir os erros da 12a).
Terça-feira foi o aniversário do Thaenan, e a gente foi lá no bar d'étage dele fazer um arroz com feijão! Muuuuuuuito bom, arroz e feijão à brasileira... o Mineiro ainda tinha um feijão preto que o pessoal fez, ficou ótimo! Ficamos lá das 18h, logo depois da prova, até umas 21h, quando começou uma festa que ia ter, e na qual eu não fiquei mais que uma meia hora...
Quinta e sexta-feira, aproveitei todo o tempo livre pra fazer o maldito DM (devoir-maison: tarefa de casa, pra entregar, valendo nota) de matemática. Quinta-feira de manhã eu tava ainda na questão 1, item (v), que era o que eu tinha feito nas últimas 3 semanas. Sexta-feira à noite, eu tinha finalmente terminado o item (iv) da 6a questão, e pude finalmente ficar mais tranqüilo: um dos monstros do fim de semestre morto! Faltam "só" as outras 4 matérias!
E hoje eu e o Tiago fomos na 48a edição do Salão da Aeronáutica e do Espaço. O salão acontece a cada dois anos e começou lá pra 1909, como uma parte do Salão do Automóvel, e depois se separou. Ele começou dia 15, mas só ontem, dia 19, ele abriu pro público em geral; antes, estava reservado pros profissionais da área: pras empresas de aviação comprarem aviões das fabricantes, pras fabricantes comprarem peças das fabricantes de peças, etc... como são só três dias pro público em geral, aquilo lota, e foi bem o caso: tinha um mundo de gente lá! Tinha muita coisa legal (cujas fotos não vou colocar aqui porque ainda não descarreguei da máquina e tô com preguiça de fazer isso agora, mas depois coloco no meu Orkut). Pra começar, os aviões e helicópteros do exército francês, mó massa. Mais pra frente, tinha aviões comerciais, uma maquete gigantesca do foguete Ariane 5, um Airbus A380 e muitos outros aviões legais. Teve vários aviões voando por lá: uns aviões militares muuuuuuuito rápidos: o bicho tava lááááá na frente e você ainda tava ouvindo o barulho dele passando lá atrás... e muito ágeis também: os pilotos faziam trocentos voltas de ponta cabeça, loops e coisas do tipo... muito legal! Teve a apresentação do A380, vôos de aviões antigos e a Patrouille de France, o equivalente francês da Esquadrilha da Fumaça. Foi muuuito legal. A gente foi no Museu da Aviação também, que tinha vários aviões antigos e algumas coisas sobre a exploração lunar. Enfim, foi muito legal, valeu a pena! =D
Bom, e amanhã tem Fête de la Musique. É uma festa anual que acontece desde 1982, e que tem trocentos mil shows e espetáculos. Começou em Paris, mas hoje acontece em várias cidades da França e do mundo. Em Paris, o pessoal sai nas ruas para tocar, tem músicas de todos os estilos. Enfim, amanhã vou lá conferir pra ver como é!
Salut!! Finalmente, depois de várias semanas dormindo mal, consegui ter uma semana mais "light" (ou melhor, consegui fazer da minha semana uma semana mais "light", já que a quantidade de coisas pra estudar era monstruosamente grande como sempre!)
1. Mudança de visual Comecei a semana mudando o visual: na segunda-feira, fui no cabelereiro, que o meu cabelo já tava ficando excessivamente comprido e bagunçado (tá, já tinha estado beeeeeeeeeeem mais comprido, mas eu não cortava há meses e tava bem bagunçado). Cheguei no cabelereiro e ele perguntou: tesoura ou máquina? Eu não queria cortar muito, então falei tesoura, e ele já falou que eram 15 euros e tinha que esperar 45 minutos... resolvi voltar mais tarde então e saí, mas voltei logo depois perguntando como era com máquina... era na hora e 6 euros... não precisou falar duas vezes, e por isso que tô com a cabeça raspada agora! Hauhauhauahauhauh
2. Semana como as outras O resto da semana foi essencialmente de estudos, mas ao menos tomei um chazin toda noite pra conseguir dormir bem e até que os estudos renderam bem. Teve bastante esporte também, mas nem tanto porque quinta não teve: os franceses tiveram TOEFL e a gente teve aula de francês no horário.
3. Experimentando caramujin! E hoje fui pra Paris! Um amigo do Ricardo tinha dado sugestões de lugares bons e baratos pra almoçar em Paris e eu, ele e o Mineiro fomos conferir. Achamos um restaurante muito bom, relativamente perto do Panthéon, no Quartier Latin, que tinha uma fórmula de entrada, prato principal e sobremesa por 12 euros, barato até, por ser Paris. Tinha escargot como entrada, e a gente resolveu pedir pra ver como era.
Vai um caramujin aí?
O melhor jeito de comer escargot é não pensar que aquilo é um caramujin, se não fica nojento demais! E é bem complicado de se comer! Tem um instrumento especial lá pra segurar a concha, e aí você coloca uma faquinha especial de dois dentes lá dentro e tira o bichin, que, depois de cozido, é simplesmente uma gosma estranha e verde (acho que é verde por causa do tempero que eles colocam). E, bom, depois, é "só" comer! Hahahaha... não é tão simples assim; eu demorei um bom tempo pra conseguir tirar o bichinho da casca e, quando tirei, olhei bem praquilo, fechei os olhos e...
Caramujin!!
A consistência é algo entre cogumelo e frutos do mar, e o gosto lembra um pouco cogumelo, mas algo mais com carne, talvez indo pra frango (porque, afinal, todas as carnes exóticas têm gosto de frango!). Não é tão ruim, mas o queijinho que eu comi, o salmão, o dourado e a salada de frutas de sobremesa tavam melhores, eu diria! c[=
4. U2!!! De lá, fomos em uma loja de artigos esportivos e, em seguida, pro Stade de France.
Stade de France - onde o Brasil perdeu de 3 a 0 pra França em 1998...
Tem um show do U2 aqui em julho (10 de julho: última prova; 11 e 12 de julho: show do U2), e a gente tava querendo ir. O show é no Stade de France, e a gente foi lá pra comprar os bilhetes. Enfim: chegamos lá por volta das 10 pras 6, e, como o estádio era gigante, começamos a contorná-lo. Às 6h, chegamos no primeiro portão aberto, e perguntamos pro segurança que tava lá e ele nos disse que era do outro lado (ou seja, do lado por onde a gente tinha chegado). Fomos até lá, chegamos às 18h10 e... fechava às 18h! Mas ficamos sabendo que vendia também no Carrefour e na Fnac, e fomos logo comprar! E, sim, eu vou no show do U2!!!!! Uhuuuuuuu! \o/
Bom, e por hoje é isso, e eu vou indo logo que tenho que passar roupa ainda! Inté! \o_
Salut! Oxe, quanto tempo sem postar! Tenho umas belas novidades acumuladas aqui! =D
1. Semana retrasada Bom, as novidades da semana retrasada, acho que nem tenho como falar, porque, afinal, já faz mó tempão, nem lembro se teve algo de mais, e acho que nem teve, já que durante a semana não tem nada além de estudar pra fazer aqui! E muito estudo! Mas, fazer o quê, é a vida de estudos aqui!
2. Tarefa de matemática Enfim. Essa semana, terça-feira, a nossa turma tinha que entregar a tarefa de Matemática, que era pra ser feita em duplas, e as duplas de dois estrangeiros eram "fortemente desaconselhadas", o que fez com que eu acabasse fazendo com um francês. Meu critério de escolha de dupla foi bem seletivo: no final de uma aula, virei pra trás e perguntei se alguém ainda não tinha dupla, um cara falou que tava sozinho, combinamos de fazer juntos e de boa. Ele sugeriu que cada um fizesse tudo e depois a gente se juntava pra redigir a versão final. Enfim, no dia combinado pra se juntar, segunda-feira da semana retrasada, uma semana e um dia antes do prazo de entrega, eu já tinha terminado o trabalho. E ele chegou perguntando se eu podia emprestar a folha pra ele porque ele tinha perdido a dele. Enfim, não começamos a redigir, ele falou que ia estudar durante a semana e... me chamou pra ir pra casa dele no fim de semana pra gente redigir! Eu demorei pra entender, e quando entendi demorei pra acreditar que um francês que eu mal conhecia tinha me chamado pra ir pra casa dele em Paris no fim de semana. Eu fiquei lá, hesitando, pensando, e ele querendo saber se eu ia ou não; que, se eu não quisesse, ele poderia vir pra cá no fim de semana... fiquei pensando como seria ruim pra ele ter que voltar mais cedo pra fazer trabalho e acabei aceitando ir pra casa dele no fim de semana.
3. Na casa de um francês! i. A ida Depois, fiquei um tempão pensando no que eu tinha feito. Nunca tinha ido na casa de um francês assim antes. Seria um experiência realmente nova. E realmente estranha: eu mal conhecia o cara! Tinha falado com ele na sala de aula no dia de formar dupla, no dia que a gente tinha combinado de redigir o trabalho e só... não fazia a menor idéia de quem ele era, se era gente boa e talz. E finalmente chegou sexta-feira. A gente tinha combinado de se encontrar na saída pra estação de Lozère e, na hora combinada, ele tava lá. Descemos, ficamos um bom tempo conversando esperando o trem lá, e mais um bom tempo dentro do trem, a ponto de perder a estação onde a gente ia fazer a conexão e ter que voltar uma estação. O cara é mó gente boa. Família grande, 5 irmãos e irmãs, já morou em vários lugares e a família dele tinha mudado não fazia tanto tempo assim pra Paris. Enfim, saímos do metrô e andamos um pouco pela região em direção à casa dele. Era uma região perto da Torre Eiffel, vários prédios com apartamentos, provavelmente minúsculos e caros, como tudo em Paris. Chegamos enfim num prédio da imprensa oficial da França e do ministério de qualquer coisa lá e ele falou "é aqui". Tive que me controlar pra não expressar meu espanto: era um prédio oficial do governo, e ele passando a carteira em todos os trecos lá e as portas abrindo!!! O pai dele é funcionário público e o escritório dele é logo abaixo do lugar onde ele mora lá, na cobertura do tal prédio. Chegamos lá tarde, 1h da manhã, e tava todo mundo dormindo já, então andamos no escuro até chegar nos quartos.
ii. Vendo a Torre Eiffel de perto... até demais... Mas, antes de ir dormir, ele me chamou pra fora, pra ver a Torre Eiffel. Mó legal, a Torre Eiffel à noite, mas não era só isso: ele pegou uma escada, apoiou no muro e começou a subir no teto pra ver a torre de lá!! Eu não conseguia lembrar quantas vezes na minha vida eu tinha subido uma escada desse tipo até o final, e acredito que na verdade não tenha sido nenhuma, porque na maioria das vezes eu parava na metade, morrendo de medo de altura. Agora, como falar isso pra ele?! E não falei: subi sem olhar pra baixo, tremendo feito uma vara verde, e cheguei no telhado! E uma bela recompensa por ter superado o medo: uma bela vista da Torre Eiffel à noite, muito bonito (exceto pela tensão nervosa de ter que descer a escada depois!). Enfim, já tava pensando em sentar e contemplar um pouco lá, quando ele me convidou pra continuar... e subir outra escada!!! Bom, a segunda vez é menos pior, e a vista de lá de cima era de fato melhor! Mas, enfim, logo descemos as escadas (graaande problema, mas tentei não demonstrar que eu tava tremendo feito uma vara verde) e fomos dormir, que no sábado a gente teria que começar a estudar!
iii. "Escape the room" e estudos Sábado acordei meio cedo, umas 9h, mas virei pro lado e dormi de novo, até finalmente acordar de vez lá pelas 10h30. E, bom, depois de acordar, o que fazer? Lembro que eu tinha chegado lá 1h da matina, então eu não fazia a menor idéia de onde eu tava na casa... consegui localizar o banheiro onde eu tinha ido na véspera, me troquei e por uns instantes me senti num "escape the room". Um quarto que eu não conhecia, uma casa que eu não conhecia. Ao menos não tinha uma porta trancada nem tinha que fazer trocentas coisas pra conseguir sair: foi só eu começar a explorar um pouco o ambiente, e logo reconheci uma escada da véspera, que me levou pro andar debaixo, onde ouvi vozes que me levaram até a cozinha, onde a mãe dele preparava o almoço. Fomos apresentados, tomei café-da-manhã e conversei um pouco. Depois fui ler até a hora do almoço, e, depois do almoço, começamos a redigir a tarefa, e ficamos nisso até o final da tarde, lá pelas 21h (final da tarde, já que aqui escurece lá pelas 22h).
iv. Tour Montparnasse Depois de jantar, fomos na Torre Montparnasse. É creio eu que o prédio mais alto de Paris, mais ou menos da mesma altura que a Torre Eiffel, e, como todo bom prédio alto, tem visita ao topo pra ver a vista de lá. E é realmente legal; o topo do prédio é o topo mesmo, a gente pode subir até não ter mais nada além do céu acima de nossas cabeças! Dá pra ter uma boa vista de Paris, até melhor que a da Torre Eiffel, se duvidar... muito bom!
v. Na missa (!) No domingo, acordamos cedo pra ir à missa. Detalhe que eu não tinha comentado ainda é que a família dele é mó católica e aparentemente bem tradicional. Domingo passado foi domingo de pentecostes, ele ia à missa pela manhã e eu, há tempos sem ir a uma missa, resolvi ir junto para ver como era. Nada de novidade: era simplesmente uma missa no Brasil traduzida pro francês. A mesma ordem, as mesmas orações nos mesmos momentos, acho que até as leituras são as mesmas nos mesmos dias. Tá, só tem uma grande diferença: as músicas. Nada de carinha com violão e outro com teclado cantando a cada 5 minutos; pelo contrário, tinha um cara lá encarregado de puxar as músicas, e a gente nem via os instrumentos musicais, nem dava pra saber se tavam lá ou se era gravação. E algumas músicas eram em latim!! Ou seja, nessa parte, é bem diferente, mas, de resto, é a mesmíssima coisa.
vi. O almoço Depois, estudamos um pouco antes do almoço. Não descrevi aqui o almoço de sábado, mas foi bem parecido com o de domingo, e um típico almoço francês, eu diria. Começa com você sentando na mesa, no lugar previamente designado pelo anfitrião. Em seguida, você tira o guardanapo de pano do prato e coloca no colo, e aí você aguarda a entrada, que normalmente é uma salada. Ah, sim, e com água no copo o tempo todo. Durante o prato principal, um vinho, possivelmente. Depois do prato principal, vem o queijo, e, em seguida, a sobremesa. E depois da sobremesa, o chá ou café. Ou seja, uma bela duma burocracia pra encher a pança! Hauhauahauhauhauahauhauhauh... tá, é bem diferente do que eu, estudante pobre adepto do bandejão, tava acostumado no Brasil. Ao menos os pratos não são tão bizarros, a menos de uns caramujinhos ou coisas do tipo que eu acho que não tenho coragem de experimentar não! c[=
vii. Mais estudos Passamos a tarde de domingo estudando até, às 19h, terminarmos o trabalho. Eu tava morto de cansaço e preferi voltar logo pra Polytechnique; ele ia ficar até segunda de manhã (segunda era feriado aqui, Segunda-feira de Pentecostes). E, bom, assim acabou o meu fim-de-semana na casa de um francês! Um fim de semana inteiro só em francês, acho que eu ainda não tinha passado por isso aqui ainda. Foi uma boa experiência até!
4. A semana Graças ao feriado, a semana passou bem rápido até, ao menos até quinta, quando a gente teve esporte: o esporte foi correr durante 30min e depois nadar mais uma hora e meia mais ou menos. No final eu tava morrendo de dor na perna, que só aumentou depois do esporte na sexta.
5. Grand Palais - Andy Warhol E de ontem pra hoje não dormi muito, já que hoje acordei às 7h da matina pra ir pra Paris. A gente tinha uma visita guiada no Grand Palais, era uma exposição do Andy Warhol, e o pessoal do departamento de línguas da École ofereceu essa visita pros alunos estrangeiros. Foi muuuuuuuuuuuuuito legal! O Andy Warhol trabalhava com retratos feitos utilizando a serigrafia e tem vários quadros famosos, como as sopas Campbell e os quadros da Marilyn Monroe, mas ele fez um moooooooonte de outros quadros, muito legais. O guia era professor da École e sabia tudo sobre os quadros, ele foi explicando um por um! Passamos pela exposição inteira, foi muito interessante, e ficamos umas duas horas lá dentro. Depois, eu, o Tiago, o Hayssam e o Ivan fomos almoçar no Quick, o equivalente do McDonalds aqui.
6. Grand Palais - Une image peut en cacher une autre Depois do almoço, eu e o Tiago voltamos então pro Grand Palais pra ver a exposição "Une image peut en cacher une autre" ("Uma imagem pode esconder outra"), que mostrava basicamente vários quadros de vários períodos da história que tinham uma imagem "escondida". Tinha quadros de todos os períodos: de esculturas do neolítico até obras do século XXI, passando por artistas famosos como Dalí, Picasso e Maigritte. Tinha várias obras clássicas, dos séculos XV e XVI. Algumas eram muito viajadas, mas em outras dava pra ver bem as coisas escondidas. Tinha uma seção muito legal de quadros que pareciam que estavam "esticados" na horizontal, mas, na verdade, eles tinham sido feitos pra serem vistos da lateral, quase colando a cara na parede, pra conseguir ver o que tava representado! Coisa de arte moderna? Bom, os quadros eram do século XVI! Mas a seção que eu achei mais legal foi a de esculturas! Foi a última parte da exposição: tinha uma escultura que, olhando de frente, era o contorno de uma cabeça humana, muito bem feito! Olhando a 45 graus, era algo disforme, e, a 90 graus, era a mesma cabeça humana original - mas de ponta-cabeça!!! Outra obra eram umas letras na parede: posicionando-se corretamente, dava pra ver escrito "ceci" ("isto", em francês) na parede, e "cela" ("aquilo") no reflexo no espelho! Muito criativo! Tinha também outra que, dependendo do ângulo, era ou um coelho ou um homem de chapéu. Outra estava escrito "Yes", mas, andando um pouco pro lado, você lia claramente "No". Outra era uma linha em forma de S na parede, mas, posicionando-se bem, o reflexo dela no espelho era o perfil de uma pessoal. Enfim, muito legal e muito criativo, adorei. O Tiago, na saída, ainda comprou um livro com várias ilusões de óptica, imagens escondidas e coisas do tipo, mó legal, pelo visto.
7. CinéAqua - aquário de Paris Depois, fomos no CinéAqua, o aquário-cinema de Paris. O treco é meio bizarro: é uma mistura heterogênea de cinema e aquário. Você paga pra entrar e pode ir livremente pras salas de cinema, só sentar e de boa, não precisa pagar nada além da entrada. Os filmes que tavam passando eram Era do Gelo 2 e 3, mas a gente chegou tarde demais pra assistir, já tinha começado a última seção. Enfim, tirando o fato que tinha uma excursão da 3aB lá, lotado de crianças berrando por todo lado, e tirando o fato que tinha algumas coisas de filmes muito nada a ver e aleatórias, o aquário é bem legal. Tem vários tipos de peixes, tubarões, raias... alguns tanques dão a impressão de você estar realmente dentro da água; você pode colar a cara no vidro e a sensação que dá é que os peixes vão bater na sua cara de tão perto que eles passam! Isso é muuuuuuuuuuito legal! Mas não tinha tanta coisa quanto no aquário de Guarujá, por exemplo, que tinha pinguins, leão marinho, etc... aqui, eram só peixes, tubarões, raias... mas mesmo assim foi bem legal!
8. A odisséia da volta para a École Depois, eu e o Tiago andamos um pouco por Paris, e resolvemos voltar pra conseguir pegar o ônibus em Massy-Palaiseau pra voltar pra Polytechnique. Afinal, depois de dois dias de esporte e um tempão em pé em Paris, não tem perna que agüente subir os 295 degraus da escadaria de Lozère pra chegar na Polytechnique. O ônibus de Massy-Palaiseau pra Polytechnique, de sábado, parte só de hora em hora e, pra não ter que esperar tanto, a gente tem que calcular mais ou menos o tempo do RER de Paris até Massy-Palaiseau. Eu e o Tiago calculamos bem, mas não levamos em conta o fato de a gente pegar o lado errado da estação e demorar um tempão pra conseguir mudar de lado e pegar o trem pra direção certa. Graças a isso, pegamos o RER certo pra Massy-Palaiseau meia hora antes do horário do ônibus, o que era um pouco preocupante. E de fato: chegamos 30 segundos antes do horário do ônibus. Já falei pro Tiago ficar pronto e, assim que as portas se abriram, a gente voou, subiu as escadas, atravessamos a linha, descemos e chegamos no ponto de ônibus. O ônibus já tava com a porta fechada, mas o motorista bondoso nos deixou entrar. Encontramos o George, o Ferraro e o Mineiro, que voltavam do supermercado. Ficamos conversando no ônibus, até eu perceber que o motorista não tinha pego nenhum dos dois caminhos possíveis pra entrada da Polytechnique: nem o exclusivo pra ônibus, que é novo, nem o que ele pegava antes, que é pra carro e ônibus. "Bom, o motorista uma vez já se perdeu dentro da Polytechnique, pode ser que esse um esteja perdido, mas logo logo ele se acha"... e, mais pra frente, vi uma placa escrito "Polytechnique - desvio" e achei que enfim estava explicado. E logo o ônibus parou em um canto pra onde eu nunca tinha ido lá e o motorista falou um "pra Polytechnique, é aqui". Explicou pra gente que era pra ir reto e virar pra esquerda que a gente ia dar de frente pra uma entrada da École. Eu e o Tiago, que voltávamos de Paris de mãos vazias, ajudamos o pessoal a carregar as compras, e fomos pra tal entrada, que parecia ser do outro lado da École que os nossos prédios, mas, enfim, paciência... nos demos conta que isso tudo era certamente por causa do Point Gamma. Um pequeno parênteses, que acho que eu não tinha explicado o Point Gamma aqui ainda. Point Gamma é a maior festa universitária da Polytechnique, que acontece há uns 150 anos mais ou menos. Vem gente de todas as universidades aqui pra essa festa. Um pouco como o TUSCA em Sanca, mas com a diferença que eu fiquei assustando quando perguntei quantos dias durava e eles falaram que só durava um dia... pow, Tusca começa na quinta e termina no domingo! Tá certo que Tusca é um evento e não uma festa só, mas eu esperava algo a mais da "maior festa" daqui. E, enfim, é hoje, então eles deveriam estar com várias frescuras pra entrar, mas, bom, o ônibus tinha deixado a gente perto de uma entrada, então... fomos pra lá, o portão tava fechado, apresentamos a badge e... o portão continuou fechado. O guarda apareceu lá e falou que a gente não podia entrar. A gente argumentou que a gente era aluno, e ele contra-argumentou que a gente não podia entrar. Ao menos ele falou que era só continuar contornando que a gente ia chegar na entrada. O Ferraro e o Mineiro, um pouco nervosos já e começando a xingar o Point Gamma, abriram as sacolas de compras e pegaram umas latinhas de cerveja lá pra tomar. Fomos andando e, apesar de a idéia de pular umas cercas e tentar entrar na École parecesse tentadora umas duas vezes, resolvemos continuar o caminho. A gente sabia que a gente tava do lado do lago, que teria uma mata por ali e que, no meio da mata, tinha a escadaria de Lozère. Não foi tão difícil de lembrar que, no final da escadaria, tinha uma pequena trilha no meio da mata. Imaginamos que, andando beirando a École, acharíamos a outra ponta daquela trilha e conseguiríamos chegar na École sem ter que descer nem subir nada. Mas a rua em que a gente estava não tinha saída na direção da École, e ela começou a descer... descer... descer... descer... até que chegamos no pé da escadaria de Lozère!!! Espanto, choro, desespero, raiva... apesar de o Mineiro, utilisando toda a sua sabedoria resumida na frase "remédio amargo se toma de uma vez" (ou algo do tipo), ter sugerido que subíssemos aquilo logo de uma vez, a gente decidiu por uma pausa pra descanso. O Mineiro abriu a cachaça que ele tinha comprado, tomou um gole e, "já que isso faz até Monza velho andar, vai fazer Mineiro andar" e logo depois a gente começou a subir a escada, ainda morrendo de raiva da situação, de ter tido que dar toda a volta, descer e depois subir de novo. Eu e o Tiago nos arrependemos muito de termos corrido pra pegar o ônibus; se a gente tivesse perdido, seria bem melhor pra gente: sem paciência de esperar uma hora, a gente pegaria o trem e subiria a escada direto, sem ter que dar uma volta toda pela Polytechnique e chegar lá embaixo pra subir a escada do mesmo jeito (ou pior, já que agora a gente tava carregando peso!). Mas, enfim, não adiantava chorar o leite derramado, e subir a escada foi um bom exercício espiritual. À medida em que subimos a escada, a raiva de toda a situação foi passando, meio que como se a gente tivesse liberado todo o peso espiritual da alma... e chegamos lá em cima bem melhores até, eu diria c[= Mas piorou um pouco quando a gente viu que tinha fila pra entrar na Polytechnique! Todo mundo sendo controlado, vários carros da polícia lá dentro... quando chegou a nossa vez, o policial reclamou com o Ferraro, que tava bebendo uma latinha de cerveja: a École é militar e não podia ter bebidas alcoólicas lá dentro (errr.. ia ter uma festa ali, o policial sabia, né?!). O Ferraro perguntou o que fazer com aquilo, e o policial falou que ou ele jogava fora ou ele terminava. E claro que o Ferraro virou a latinha na frente do policial e pediu pra entrar c[= Ainda deu algum problema depois, que não sei ao certo o que foi, mas acabou com os policiais se dando conta que a gente era aluno (não, a gente chega com um monte de sacola de compras lá, vamos o quê, levar aqueles 6 litros de leite pra festa, junto com as bolachas de chocolate?!?!) e deixando a gente passar sem maiores problemas. E, depois dessa odisséia, chegamos à Polytechnique.
Bom, e o Point Gamma tá acontecendo lá e eu tô aqui c[= Eu e quase metade dos brasileiros, diga-se de passagem: dos 12 brasileiros desse ano, só 7 foram. E por hoje é isso! Inté!
Salut! Bom, sem grandes novidades essa semana, até porque grandes novidades não se produzem facilmente quando a única coisa que a gente faz é estudar!
1. Esporte A semana começou (como as próximas semanas vão começar por aqui) com esporte. Admito que, depois de dormir mal domingo à noite (afinal, quem acorda entre meio-dia e uma da tarde no domingo não consegue pegar no sono muito cedo...), acordar cedo na segunda-feira pra ir nadar não é nada animador, ainda mais levando em conta o friozinho que tinha feito na semana anterior! Mas, uma vez dentro da água, nem dá mais vontade de sair! Fiz bem a escolha da minha opção esportiva, afinal: natação é mais legal =D
2. Curso de italiano Segunda-feira teve também a apresentação do curso de italiano. Tinha pouco mais de 10 alunos lá na sala, interessados pelas aulas de italiano como eu. As professoras (italianas) parecem super simpáticas, tô mó animado! Só espero ter tempo ano que vem pra estudar italiano... vão ser só três matérias científicas por vez (pra quem já tinha feito 10 matérias num semestre, uma bela melhoria), mas também tem esporte, as matérias de humanidades, curso de francês, de inglês, então espero ter tempo pra estudar italiano.
3. Semana de aulas A semana de aulas foi normal; digno de nota foi o curso do Colmez, de matemática: a primeira metade da aula ainda foi sobre Teoria de Representação de Grupos, mas, na segunda metade, ele finalmente mudou de assunto e passamos a estudar Integral de Lebesgue, o que foi uma maravilha: finalmente ele falava e eu entendia o que ele dizia!! Nem parecia mais tão grego! E por sorte teve um feriado nessa semana, na quinta-feira, o que fez com que eu conseguisse terminar a tarefa de casa de matemática (pra entregar, valendo nota; como não tem prova em matemática, é a forma de avaliação que mais pesa na média ainda). E sexta teve a primeira aula de economia. Dadas as baixíssimas expectativas com as quais eu fui pra aula, não foi tão mal assim, até foi um pouco interessante. Mas não que eu pretenda estudar mais economia aqui: vai ser só o obrigatório e ponto! c[= Ah, sim, e sexta à tarde ainda teve uma sessão extra de natação, pra quem quisesse ir. Eu fui, e tava ótimo, já que não tinha ninguém. O nosso professor tava lá, e ele ensinou algumas coisas pra gente pra aprender a pular - o meu grande problema com natação! E ainda deu pra nadar bem, com a raia exclusiva algumas vezes!
4. Teatro E, bom, hoje fui ao teatro, ver La Dame de chez Maxim, uma peça muuuuuuuito engraçada, do final do século XIX, do Georges Feydeau. A peça é uma sátira da sociedade burguesa da época. Um dia, após uma noite de bebedeira, o Dr. Petypon é acordado ao meio-dia por seu amigo, Dr. Mongicourt; Petypon estava dormindo embaixo do sofá, acorda com uma ressaca do cão (ou com gueula lignea, como é em latim, segundo Mongicourt) e descobre que na sua cama dormia Môme Crevette, dançarina do Moulin Rouge, e logo em seguida a Mme. Petypon chega em casa, o que começa a causar as confusões (tá parecendo descrição de filme da Sessão da Tarde, eu sei) que fazem com que a peça dure três horas e meia. Mas são três horas e meia muito engraçadas; vale muito a pena! Ri muuuuito durante a peça (segundo a professora de francês, dava pra perceber que eu tava entendendo porque eu ria nas horas certas c[= ). A peça foi no Théâtre de l'Odéon, no centro de Paris, um teatro mó legal e mó chique, todo lotado de carpetes vermelhos, com cabines pra ver a peça, essas coisas de teatro chique! c[=
Salut! WEI, c'est le feu! WEI is fire! As frases mais comuns das propagandas do WEI não são falsas: o WEI, week-end d'intégration, um fim de semana de integração entre os 500 alunos da turma, é mó legal mesmo! =D
1. A viagem Saímos daqui na quinta-feira no final da tarde. Eram vários ônibus para levar todo mundo; acho que uns 8 ou 9, mais ou menos. O horário marcado pra todo mundo se encontrar era às 20h, pra sair lá pelas 21h. Dentro do ônibus, na publicação que eles deram pra gente sobre o WEI, falava que o horário estimado de chegada era às 9h da manhã e tinha um mapinha do local onde a gente ia ficar, e, no mapa, estava escrito "Mar Mediterrâneo". Isso surpreendeu um pouco a gente; ninguém sabia direito onde a gente ia, mas achávamos que era no litoral Atlântico, algo perto de Bordeaux, umas 6h de viagem, e não no sul da França, o que daria umas 10h de viagem! Saímos por volta das 21h30, com um pouco de chuva; eu, o Ricardo e o André fomos no ônibus do pessoal que ia dormindo e, bom, a gente foi... dormindo! Tá, no começo eu fiquei ouvindo música, mas, lá pela 1 da manhã, apaguei, e, a menos de algumas acordadas de 5s antes de dormir de novo (numa das quais eu vi que a gente estava passando em cima do Viaduto de Millau, mas eram 5h da manhã), acordei mesmo só às 8h da manhã, quando a gente tava chegando.
2. Em Port Leucate E bom, eu só descobri mesmo o nome do lugar depois: Port Leucate. A gente ficou numa colônia de férias lá, do lado do Mediterrâneo.
Vista de Port Leucate
Chegando lá, continuamos a fazer o que a gente tava fazendo no ônibus, isto é, fomos dormir, e eu acordei entre 11h e 12h.
3. Tarde na praia Na tarde da sexta-feira, não fizemos muita coisa por lá. Fomos para a praia, que era bem bonita até; era uma praia grande (gigante, pros padrões Mediterrâneos), de areia fina (não tãããão fina assim, mas, bom, tava mais com cara de areia que de cascalho, ao menos). O dia até que tava bonito; apesar das nuvens, o sol tava quente, e tava bom de ficar por lá.
Praia em Port Leucate
Durante a tarde, a gente jogou futebol de areia (o que me deixou com uma bela dor na perna; não é nada fácil jogar na areia); tentamos nos inscrever pro vôlei, mas já tava lotado. Voltando da praia, passei comer algo (as comidas lá eram muito boas: todo dia tinha crepe, algodão doce, kebab e waffles) e me inscrevi pro VTT (vélo tout terrain: moutain bike) no dia seguinte. Depois tomei um banho, fui jantar e fiquei conversando com o pessoal; teve festa à noite (na verdade, teve festa toda noite lá, mas eu não fui na primeira, fiquei 1s na segunda e alguns minutinhos na terceira) e eu fui dormir cedo pra acordar cedo pro VTT.
4. VTT Sábado acordei de manhãzinha pra ir fazer VTT. De brasileiros, íamos só eu e o Chico. Saímos um pouco mais tarde que o previsto, pegamos as bicicletas e fomos andar. Andamos muito; o objetivo era ir até um farol em Leucate, que ficava nas falésias.
Caminho para o farol
O caminho era consideravelmente longo, e o pessoal se perdeu um bocado, mas, depois de um tanto, achamos o caminho pro farol, que era uma longa e cansativa subida, mas valeu a pena. A vista lá de cima era bem bonita, assim como a paisagem.
Uma bela duma queda, hein!
Andamos mais um pouco lá pra chegar até bem mais na frente nas falésias; o caminho era muito legal, umas trilhas estreitas, de pedras, ótimo pra fazer VTT! E ótimo pra machucar o joelho também: eu estava indo mais devagar e vi uma pedra na frente que fazia um pequeno degrau; achei que fosse conseguir subir na velocidade que eu tava, mas calculei mal, a bicicleta parou e eu acertei o joelho no guidão da bicicleta. Mas valeu a pena; não tem nada como andar de bicicleta por uma trilha estreita, em cima de uma falésia (e às vezes bem próxima da borda da falésia!), lotada de pedras, com a roda da bicicleta dançando por causa das pedras! Muito bom!
E ainda deu pra ver os Pirineus! (são as montanhas no fundo da foto, a propósito c[= )
5. Volta à infância Voltamos lá pelo meio-dia e, depois de passar num carrinho de trombada (ô infância! c[= ), eu e o Chico fomos almoçar. À tarde, mais volta à infância: tinha alguns brinquedos lá, daqueles infláveis. Um deles era um ringue de boxe; eu e o Hayssam fomos lá e ficamos nos batendo com umas luvas gigantes por um bom tempo. Outro era um "homem-aranha": você entra numa roupa cujo exterior é lotado de velcro, e tem uma parede com o outro lado do velcro pra você pular e se colar do jeito que quiser! Muito massa também! Tinha um outro, em que eu não fui, de se deslizar sobre uma superfície molhada; não parecia tão interessante. Mas tinha um suuuuuper 10: catapulta! A idéia é simples: duas hastes de ferro, dois elásticos, um treco pra te segurar nos elásticos e um treco pra te segurar no chão. Tudo pronto, os elásticos se esticam, e você fica no chão graças ao treco que te segura no chão. Aí alguém vai lá, tira isso e - quando você vê, as pessoas tão mó pequenas lá embaixo!!
Pronto para subir?
Não? Azar... subindoooooo
Como isso vai altoooooooo!!!
Pra quem não tinha entendido, acho que as imagens ajudam a explicar. O treco é muito bom; fui duas vezes, e só não fui mais porque a fila tava imensa, tava uns 20min de espera mais ou menos.
6. Gincana na praia No sábado à tarde também teve uma gincana na praia. O pessoal que foi foi dividido em quatro equipes, e a primeira prova foi a prova mais clássica de todas as gincanas: cabo de guerra. As duas primeiras equipes foram e, quando chegou a nossa vez, depois de um tempo fazendo força... a corda estourou, e todo mundo caiu! Mó bizarro, a corda era mó grossa, mas acho que ela não tinha sido feita pra que tanta gente a puxasse cada um de um lado. A segunda prova era encher um balde com água do mar (sempre tem provas pra encher baldes com água em gincanas); pra isso, cada um da equipe tinha que ir correndo com o copo na boca até o mar, mergulhar, sair, ainda com o copo na boca, e despejar a água no balde. Dado que a água do Mediterrâneo é congelante, eu não participei dessa prova não c[= A terceira prova: corrida no saco: oito pessoas de cada equipe deviam ir e voltar correndo num saco, evitando de serem pegos pelo pessoal que tava lá pra tentar atrapalhar; dessa eu não participei por falta de vaga mesmo. E, por último, ovos (porque toda gincana que se preze tem que ter ovos!). Pessoal dividido em duplas, um de frente pro outro, a menos de 1m de distância; cada um da dupla com um ovo. Jogo simples: passar o ovo pro outro. Se conseguir, cada um recua um passo, e continuam. Ou seja: depois de um tempo, boa parte dos ovos já tava quebrada na praia. Mais um pouco e só tinham umas duas ou três duplas jogando ovos a uma distância enorme um do outro. Não preciso falar que eu saí não muito depois do começo, né? c[= E aí acabou a gincana; ou quase: os organizadores falaram pra cada grupo perseguir o outro e saíram correndo, e todo mundo começou a se perseguir; eu, no final, sem ter pego ninguém nem ter sido pego, vi um monte de gente começando a fazer montinho no Alfredo e aproveitei a chance de montinho! No fim do dia, tentei me inscrever pro esqui náutico no domingo, mas já tava lotado (disseram que todas as vagas foram preenchidas em menos de 2 minutos!). Depois fui tomar um banho, jantar, fiquei conversando com o pessoal um pouco e dormi.
7. Domingo sem muita coisa pra fazer No domingo acordei mais tarde, já que não tinha nada pra fazer de manhã e tava tempo feio mesmo. Depois do almoço, sem muita coisa pra fazer, comecei a perambular por lá, e me lembrei que tinha arco e flecha. Fui lá tentar, e, desastrado que sou, acabei acertando só duas flechas fora do suporte onde estava o alvo (que era beeeem maior que o alvo em si). Tinha dois alvos: um normal e outro que era a foto do professor de Matemática c[= Quando eu mirava no professor de Matemática, a flecha ia no alvo normal, então até que acertei algumas c[= Participei duas vezes, mas depois cansei e fui procurar outra coisa pra fazer. Fiquei um tempo na fila pra comida, joguei buraco com os brasileiros, me inscrevi pra visita do dia seguinte assim que abriram as inscrições, fui andar na praia, molhei os pés no Mediterrâneo pela primeira vez na viagem, fiquei um tempão jogando vôlei de areia (o suficiente pra eu ralar o joelho; nem consigo me lembrar qual fora a última vez em que eu ralara o joelho!!) e, bom, depois disso, já era hora da janta. Depois da janta, tomei um banho, saí andar um pouco e voltei dormir um pouco cedo, que na segunda de manhã tinha visita de uma fortaleza.
8. Fortaleza de Salses E acordei cedo na segunda porque, além da visita, tinha que limpar o quarto e deixar tudo em ordem antes. Fomos para a Fortaleza de Salses (aqui, ó), uma fortaleza militar construída por volta de 1500 pelos espanhóis.
Entrada da Fortaleza de Salses
Tivemos uma visita guiada lá, muito legal! O cara, que pelo visto é da região e sabia tudo de cada pedra da fortaleza e trabalhava lá há anos, foi mostrando aquilo. Apesar de parecer pequena, ela é gigante, tem vários andares e os corredores foram verdadeiros labirintos. Aquilo tinha salas imensas pra tudo; a gente ficou uma hora visitando só um lado da fortaleza. E o guia foi sempre falando de como aquilo tinha uma ótima defesa: eles tinham planejado a fortaleza pra que, caso o inimigo entrasse, ele fosse destruído facilmente. Na verdade, o guia falou que foi a primeira fortaleza em que o inimigo era até encorajado a entrar, de tantas armadilhas que tinham. Qualquer tentativa de acesso levava a algum lugar com pelo menos umas três armadilhas: uma porta logo de frente pra parede, gigante e difícil de arrombar, e uma vigia do lado com um canhão pronta pra atirar em quem quer que tentasse entrar, além de degraus estratègicamente colocados logo depois das portas pra que quem entrasse correndo caísse. A fortaleza tinha vários andares e, não fosse pelo guia, eu ia ficar perdido fácil fácil ali...
Pátio interno da fortaleza
Parte principal da fortaleza
9. A volta Uma pena que, depois da visita, não pudemos ficar mais lá, pois já era hora de voltar. E, depois do almoço, nos preparamos pra sair. O ônibus que a gente pegou na volta era diferente do da ida, o que não foi lá muito bom. Porque, pra começar, apesar de estar frio, como o ônibus estava com o ar condicionado e o sistema de ventilação quebrados, aquilo tava quente pra caramba, e o calor acabou não deixando dormir. Fiquei ouvindo música por um tempão e, quando a gente passou de novo pelo Viaduto de Millau, aproveitei pra tirar fotos.
10. Viaduto de Millau
Viaduto de Millau visto do ônibus
Se alguém se pergunta por que é que eu tava tirando foto do viaduto, é bom saber um pouco mais sobre ele (e sobre o que eu sei dele, já que, bem antes de vir pra cá, o John já vivia falando dessa tal ponte gigantesca). O viaduto é novo: foi inaugurado no final de 2004, apesar de ter sido pensado pela primeira vez em 1989 e de ter sua construção começada em 2001. É o mais alto viaduto do mundo para veículos, chegando a 270m de altura. A técnica de construção do bicho foi mó maluca: primeiro eles colocaram os pilares e então, de uma ponta, foram deslizando a pista pra cima dos pilares, a uma incrível velocidade de 15cm/h! O treco tem 2,5km de extensão e uma vista incrível! Pra quem não se contenta com a foto que eu tirei, vai uma da Wikipédia:
Pontezinha grande, não?
E, a propósito, o viaduto fica aqui. Essa imagem do Google Maps não tá lá muito atualizada: dá pra ver a construção do viaduto, mas ele mesmo ainda não tá lá. Detalhe pra altura das colunas (dá pra ver a sombra) e a quantidade delas; o treco é bem monstro!
11. Fergo de primeiro mundo! Enfim, tirando a passagem por cima do viaduto, nada demais na viagem de volta. Ou melhor, na maior parte da viagem. Depois da segunda parada que a gente fez (durante a qual a gente fez um belo piquenique), escureceu e, algumas horas de estrada depois, ainda sem dormir, percebi que faltava uma meia hora, talvez um pouco mais, para chegar, e resolvi não dormir de vez. Comecei a colocar o tênis (tinha viajado só de meia), quando o ônibus foi parando... parando... parando... até que parou. Do nada. No reflexo do pára-brisa, dava pra ver uma luz vermelha piscando. ônibus com problemas mecânicos. Ou seja, além de o ar condicionado não funcionar, o ônibus quebra no meio do caminho... justo comigo, que não tinha nem um pouco de saudades do Fergo! Enfim, aí teve toda uma ladainha: chegou a polícia, que informou que, para a nossa segurança, a gente deveria descer do ônibus (mas, para a nossa saúde, a gente não desceu, já que tava chovendo); ficamos um tempão esperando lá e finalmente chegou o guincho, que empurrou o ônibus até um estacionamento atrás do pedágio; lá, ficamos esperando o outro ônibus, que estava vindo, e, cerca de uma hora e meia ou duas horas depois de pararmos, conseguimos continuar a viagem no outro ônibus. Acabamos chegando aqui pouco antes das 4h da manhã, o que deixou a terça-feira terrivelmente cansativa!
12. A semana A semana em si foi boa: foram só três dias de aula, já que quinta tivemos só palestras de cada departamento pra ajudar a nossa escolha de matérias pro segundo ano. Quinta também teve um estande da livraria da École Polytechnique no Grand Hall. Eu passei do lado e saí correndo pra não comprar nada, mas, depois, o Mineiro me chamou pra passar por lá com ele que ele ia comprar uns livros. Eu tava pensando em comprar alguns também; cheguei lá e não tinha nada no estande, o que me fez suspirar aliviado: nada de torrar meu dinheiro em livros. Mas, enquanto o Mineiro comprava os dele, acabei perguntando e... bom, tinha, e eu comprei «Résumé du Cours d'Analyse», do Hermite, «Calcul Différentiel» e «Calcul Intégral» do Liouville e «Les Applications du Calcul Infinitésimal à la Géometrie» do Cauchy, todos livros da coleção histórica da École Polytechnique! =D Os livros do Liouville, além de tudo, são manuscritos, ou seja, muuuuuuuuuuuito massa =D
13. No teatro E hoje, aproveitando o fim de semana, fui pra Paris ver uma peça de teatro (entrada paga pela École Polytechnique pros alunos estrangeiros, pra gente melhorar nosso francês c[= ), «L'Illusion Comique», de Pierre Corneille. Corneille foi um dramaturgo do século XVII e, bom, graças a isso, a peça não é muito recomendada pra alunos estrangeiros que queiram melhorar o francês, já que ela é toda em poesia e usa palavras complicadas. Imagino que seja mais ou menos como ver uma peça de Gil Vicente em português, o que já não deve ser tão fácil mesmo pros lusófonos; imagina então a gente vendo a peça do Corneille! Mas, enfim, deu pra entender em linhas gerais o que se passa, e valeu a pena pela visita de Paris: a peça foi na Comédie Française, sala Richelieu, um prédio mó chique perto do Louvre. Tudo mó chique lá dentro: a gente entra, sobe a escada com o tapete vermelho, passa ao lado do lugar de deixar o casaco e vai pras poltronas. O teatro em si é pequeno, mas tem uns cinco andares de poltronas e é um estilo muito século XVIII, XIX, parecia que eu tava num filme. Também fui andar antes pelo jardim do Palais Royal, que ficava ali perto, é um jardim muito bonito. Uma pena eu não ter levado a máquina fotográfica!
Bom, e por essa semana é isso! Acho que agora não vou ter tantas novidades até as férias, já que a época de viagens já acabou e agora, só aulas! Inté!
WEI c'est le feu! Mas post sobre o WEI (Week-End d'Intégration), só no fim de semana, que são 4h da matina da terça-feira e eu tô morrendo de sono! Inté!