segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Notre-Dame de Paris (O Corcunda de Notre-Dame)

Depois de ter lido Ensaio sobre a Cegueira e Sermões de Padre Antônio Vieira durante o estágio, o meu ânimo para livros estava alto e, durante a última semana de estágio, resolvi ler outro livro, Notre-Dame de Paris, que terminei de ler ontem.

Notre-Dame de Paris é o famoso livro de Victor Hugo, mais conhecido no Brasil sob o nome de O Corcunda de Notre-Dame. A história se passa em Paris do século XV, e é sobre Esmeralda, uma jovem cigana que ganha a vida fazendo apresentações de dança e truques com a sua cabra, Djali, nas ruas de Paris. Quando o arquidiácono Frollo faz planos contra Esmeralda, Quasímodo, o corcunda surdo manco caolho (Victor Hugo não foi nada simpático com o Quasímodo, viu...) responsável por tocar os sinos da Notre-Dame, faz de tudo para proteger a bela cigana.

Capa de O Corcunda de Notre-Dame, edição em inglês da Penguin Popular Classics

Ler a edição da Penguin Popular Classics pode enganar quanto ao tamanho do livro: ele aparentemente é fino, mas, quando você vê, ele tem na verdade 501 páginas bem finas, escritas até quase as bordas com uma letra minúscula, o que explica porque demorei uma semana para ler o livro todo. Não por falta de vontade de ler: a história em si é muito interessante e chama bastante a atenção.

A história se passa em Paris, e Victor Hugo faz questão de destacar isso: ele usa 33 páginas para descrever Paris do século XV, 9 das quais sendo usadas para descrever a catedral de Notre-Dame (que Hugo considera, de certa forma, a personagem principal do livro, sendo ela o centro da ação, que dá o nome ao título original do livro em francês. Segundo dizem, um dos objetivos de Hugo ao escrever o livro era chamar a atenção para a catedral, para que o governo francês, passando por épocas de grandes reformas políticas, não negligenciasse o patrimônio histórico que é a igreja). Para quem já leu um livro de Victor Hugo, como Les Misérables, por exemplo, é fácil reconhecer o estilo do autor em O Corcunda de Notre-Dame. Hugo não economiza palavras em suas descrições, seja de personagens ou de lugares, e ele coloca muitas vezes cenas longas que não contribuem muito para o andar da história como um todo mas são bem interessantes em si: por exemplo, ele passa 30 páginas falando sobre o rei Louis XI, numa longa narração que não contribui tanto para o andar da história, senão em alguns elementos, mas que é interessante em si, pois Hugo constrói o personagem do rei em sua história, e faz ele interagir com alguns dos personagens principais.

Adorei o livro, apesar de a história em si ser bem triste. Hugo é um mestre na arte de contar histórias, como eu já tinha o percebido ao ler Les Misérables, e ele consegue prender a atenção do leitor com as suas narrações e suas descrições. A obra pertence claramente ao Romantismo, pela construção dos personagens, pelas situações e principalmente pelo desfecho. É um clássico cuja leitura é agradável; recomendo, para quem for lê-lo, reservar várias e várias horas seguidas, pois, assim que você começa, a vontade é de continuar, ir descobrindo a história e vendo o que se passará. E acho que foi o primeiro livro que li cuja história se passa em uma cidade que eu conheço. Devo admitir que é bem interessante pois, além de prestar atenção na história em si, ainda fico interessado vendo os detalhes da descrição de Paris, e principalmente da Île de la Cité, em que fica a Notre-Dame.

Recomendo a leitura, avisando que, apesar de ser um livro longo, é bem interessante, e a leitura flui: você pode passar horas lendo e perder a noção do tempo.

2 comentários:

jmarcos disse...

não foi nessa ilha que começou o embrião de Paris, ainda na época dos romanos?

Gui disse...

Precisamente! Paris começou na Île de la Cité, e depois foi se expandido a norte e a sul; atualmente, a Île de la Cité se encontra em posição bem central na cidade.