quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

The Thirty-Nine Steps

Richard Hannay estava entediado. Desde que voltara da África do Sul, a vida em Londres parecia muito tediosa, sem nenhuma animação, bem diferente do que ele esperava. Tudo muda na sua vida quando, após três meses em Londres, um vizinho seu, Franklin Scudder, aparece em sua casa e lhe conta uma longa história sobre uma conspiração anarquista que visava desestabilizar a Europa e causar uma grande guerra. Scudder havia descoberto muito sobre a tal conspiração e já havia fugido de diversos lugares, achando que finalmente estaria seguro em Londres. Mas ele descobriu que vinha sendo seguido e, para se salvar, forjou a própria morte e pediu abrigo para Hannay, que, desejando um pouco mais de emoção em sua vida para livrar-se do tédio de Londres, aceitou. Dias depois, Scudder aparece morto no apartamento de Hannay, que é agora procurado tanto pela polícia, pela morte de Scudder, quanto por aqueles que assassinaram Scudder, com medo do que o próprio Hannay possa saber da tal conspiração. E Hannay ganha assim a emoção que queria em sua vida, fugindo para a Escócia para se esconder, tentar descobrir mais sobre a conspiração e avisar as autoridades competentes sobre o que Scudder havia lhe contado.

Assim começa a história de The Thirty-Nine Steps, o primeiro livro que li esse ano (e o único, até o momento). O livro foi escrito em 1915 por John Buchan, político escocês mais conhecido pelos romances que escreveu. The Thirty-Nine Steps é o mais famoso deles, tendo sido adaptado diversas vezes para o cinema. Nele, Buchan introduz o personagem Hannay, aventureiro que aparece em outras obras de Buchan.

Li o livro no avião durante o vôo São Paulo - Paris. É um livro curto, fácil e rápido de ler, que prente a atenção de qualquer leitor que goste um pouco do estilo policial. Apesar de histórias de conspirações globais não me agradarem muito, achei esta interessante: em geral, histórias de conspirações globais soam como uma ficção muito surreal para mim, mas este livro foi escrito em 1915, logo depois do começo da Primeira Guerra Mundial, e a história se passa alguns anos antes; o autor conseguiu, assim, criar um ambiente para a história em que um contexto de conspiração global é completamente razoável e não soa tão surreal. A história é muito bem construída e os detalhes da trama vão sendo revelados aos poucos, de forma que só no final do livro descobre-se os verdadeiros objetivos da organização secreta de que Scudder havia falado, após uma linha de raciocínio digna dos melhores livros policiais. O estilo de escrita do Buchan me agradou: Buchan cria uma narração bem fluida, que deixa você interessado pela história. Há apenas duas coisas de que não gostei: em alguns momentos, tive a impressão que a narração passa rápido demais e não pude sentir todos os detalhes da cena; além disso, achei que as partes de ação às vezes "apelam", pois não são poucas as vezes em que Hannay consegue fugir dos que o perseguem com uma incrível dose de sorte. Mas esses detalhes são menores perto de todos os pontos positivos, e finalmente o livro me agradou bastante.

O livro é de aventura e policial, e pode não agradar àqueles que não curtem muito o gênero. Além disso, ele não é nenhuma obra-prima de presença obrigatória em todas as bibliotecas, mas, para os fãs do gênero, é um livro que pode garantir várias horas de uma boa e agradável leitura.

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