quarta-feira, 4 de maio de 2011

Novidades da semana

Este post foi escrito domingo passado, mas, por motivos que desconheço, o Blogger não me deixava salvá-lo, e só hoje consegui finalmente passá-lo do computador pra Internet...

Olá!

1. Estágio
Mais uma semana que se acaba, mais um post com as novidades da semana. Não que tenham tido tantas essa semana. Começou com um feriado (aqui na França, segunda-feira de Páscoa é feriado!!), que eu aproveitei pra colocar um pouco a casa em ordem, estudar um pouco e terminar com uma janta na casa do Levi. O resto da semana foi de estudos, desenvolvendo uma idéia que eu tive na segunda-feira e que, na sexta-feira, eu concluí, junto com os professores, que, apesar de a idéia ser até que interessante, ela não resolveria o problema como eu queria, e era hora de tentar outra... Bom, mas, fazer o quê, pesquisa é assim mesmo, uma idéia pode às vezes levar um pouco longe mas não até a resposta...

2. Janta em casa
Na sexta à noite, pra começar o final de semana, eu e o George organizamos uma janta aqui em casa pros brasileiros (ou melhor, era essa a idéia, mas no fim das contas só vieram o Levi e o Natal, e também o Ferraro, que mora no mesmo prédio que a gente). O George queria preparar algum prato mó complicado e chique pro pessoal, e eu insistia pra algo bem mais simples; no fim das contas, ficamos no meio-termo e preparamos um delicioso prato de batatas, legumes e peixe empanado!

Invejem nossas habilidades culinárias!!! hauhauahauhauhauahhauha (Tá, a batata era um prato pronto que era só esquentar na frigideira, a ervilha e a cenoura eram enlatadas, o peixe empanado era congelado e o molho do peixe era pronto...)

Ainda resolvemos preparar uma deliciosa sobremesa, mas, bom, digamos que não ficou lá como esperado... o fato é que o mercado daqui do lado de casa vende produtos portugueses (inclusive já comprei feijão enlatado por lá, uma maravilha!), e, procurando por uma sobremesa, a gente viu que tinha um preparo para pudim dourado e resolvemos experimentar. Afinal, era pudim, e a gente já estava imaginando aquela delícia que seria um pudim docinho, tipo um pudim de leite condensado assim! E qual não foi a decepção ao descobrir, depois de o pudim ficar pronto, que na verdade o pudim dourado não lembra nem um pouco os pudins que eu conhecia no Brasil - segundo o que pesquisei na net, o tal pudim dourado é à base de canela e limão, o que dá um gosto forte e não o gosto doce que a gente estava esperando. Não que pudim dourado seja ruim; é até bom, mas, quando você está esperando um gosto de algo como um pudim de doce de leite e vem aquele gosto forte de canela e limão, não dá pra não se decepcionar... mas, decepção com a sobremesa à parte, a janta estava mó boa! =D

3. Château de Maisons
No sábado, eu e o Ferraro fomos visitar um palácio na região de Paris cuja existência eu descobrira há uma semana: é o Château de Maisons (apesar de os franceses chamarem de château, não é um castelo, mas um palácio), que fica em Maisons-Laffitte, uma cidade aqui pertinho de Paris (a uns 40min de trem daqui de casa e uma meia hora ou menos do centro de Paris).

Château de Maisons. Bem pequeno, mas até que bonitinho

O palácio de Maisons foi inaugurado em 1651, tendo sido construído por ordens de René de Longueil, um importante político parisiense, que pediu a construção do castelo a François Mansart, um famoso arquiteto francês na época. O palácio sempre esteve ligado à nobreza francesa: a festa de inauguração foi oferecia a Ana de Áustria, rainha da França, e a seu filho, o futuro Luís XIV, e, em 1777, o palácio foi adquirido por Carlos Filipe de Bourbon, então conde de Artois e futuro Carlos X, rei da França. Ele foi tomado durante a revolução e adquirido alguns anos mais tarde por um marechal de Napoleão, o marechal Jean Lannes. Após a morte de Lannes, o palácio foi comprado pelo banqueiro Jacques Laffitte, que vendeu os jardins em um loteamento. O palácio mudou de dono várias vezes ao longo do século XIX, até que, em 1905, ele foi comprado pelo Estado, sendo atualmente parte do Centre des Monuments Nationaux (o que significa, em particular, que jovens com menos de 26 anos europeus ou residentes na União Européia não pagam a visita =D ).

Turistando na frente do château de Maisons

Logo após a construção, o palácio já virou uma referência arquitetônica, sendo considerado uma das inspirações para o famosíssimo Palácio de Versalhes, construído poucas décadas depois. A visita do palácio permite passar por quase todas as salas; ele é relativamente pequeno, mas até que há várias salas a se visitar. As salas lembram um pouco, no estilo de decoração, as salas de Versalhes, mas evidentemente em proporções bem mais humildes.

L'appartement de la Renommée, uma das salas do palácio de Maisons

Como o palácio teve vários donos, as salas acabam tendo uma mistura de estilos: em algumas, pode-se ver o uso de águias na decoração, símbolo da família Longueil, os donos originais; outras, como o appartement de la Renommée acima, foram completamente redecoradas em seguida (esta sala em particular foi redecorada por Carlos X em estilo neoclássico).

Quarto do Rei, que, junto com o salão de bailes e outras salas, forma o conjunto do appartement du Roi

Quarto do Marechal Jean Lannes

O que é interessante da visita do palácio é que cada quarto acaba representando uma época e um dono do palácio, tendo um estilo de decoração diferente e particular; por outro lado, apesar dessa heterogeneidade de decorações, o palácio ainda guarda um estilo comum a todas as salas, uma espécie de eixo comum que guarda a coerência do palácio.

Salão de Baile, que ocupa a parte principal do palácio, o centro do andar superior

Além dessas salas, ainda se pode visitar o andar subsolo, que mostra uma exposição sobre cavalos. Maisons-Laffitte é um dos centros hípicos mais importantes da França, com uma tradição antiga começada na época em que o palácio era propriedade de Carlos X e continuada quando o palácio foi comprado por Jacques Laffitte; em volta do atual palácio, ainda há um hipódromo e áreas para a prática de hipismo. Além dessa exposição, o andar inferior conta com a cozinha e algumas antigas salas do palácio.

Reconstrução da cozinha do palácio segundo um quadro de 1886

Depois da visita do palácio, ainda dá pra se visitar o que sobrou dos jardins. Aparentemente, a região original dos jardins era bem grande, mas, após o loteamento dos final do século XIX, sobrou pouca coisa; esse pouco que sobrou é entretando bem cuidado e forma uma bela paisagem.

Vista do que sobrou dos jardins do palácio de Maisons. É, não sobrou lá tão grande coisa...

A visita do palácio acaba sendo bem curta, em cerca de uma hora dá pra se ver tudo. Aviso aos turistas que estão em ou vão para Paris que está longe de ser algo fundamental ou essencial para se ver, está longe de ser um dos maiores monumentos da região parisiense. Acho que praticamente todos os visitantes que estavam lá eram ou franceses ou residentes na França. Por outro lado, é uma visita interessante e, pra quem for visitar Paris com um pouco mais de tempo, vale a pena considerar ir pra lá: dá pra se ver tudo em menos de meia tarde, fica relativamente perto de Paris e, o mais importante, não é lotado de turistas: diferentemente do Palácio de Versalhes ou da Torre Eiffel, não há uma fila de 2h na entrada!

Palácio de Maisons visto dos jardins

E, só pra constar, se você for cheio da grana, você ainda pode alugar o palácio de Maisons!! A partir de 5 mil euros, você pode alugar o palácio para algum evento, tipo um jantar, uma exposição, uma peça de teatro ou mesmo um casamento. Inclusive, na foto do salão de baile que eu coloquei ali acima, há várias cadeiras exatamente por causa de um evento que ocorreria ali naquela noite! Coisa mó louca, alugar um palácio, né?!

Depois da visita do palácio, eu e o Ferraro ainda andamos um pouco pela avenida que fica logo em frente à entrada principal. Esta avenida corresponde aos antigos jardins do palácio, que foram loteados no século XIX, e pode-se ver ali várias casas que são verdadeiros palacetes, muito bonitas, o passeio por ali também vale a pena! (e é no caminho de volta para a estação de trem, de qualquer forma...)

4. Restin do fim de semana
O resto do fim de semana ainda foi um pouco agitado. No sábado à noite, eu e o George saímos com uns amigos dele da Unicamp que estão estudando na França e fomos num barzinho na rue Mouffetard, uma das ruas mais agitadas do Quartier Latin. Essa rua é conhecida pelos seus restaurantes (ela inclusive encontra com a rue du Pot-de-Fer, onde eu já fui comer várias vezes (que eu já citei aqui, ao menos cinco vezes: essa, essa, essa, essa e essa), há vários restaurantes bons lá!), e também pelos barzinhos; o que a gente não sabia é que o preço dos barzinhos à noite ali é até que bem carinho, e, depois de entrar em dois em achar caro, acabamos parando em um terceiro, que ainda era caro, mas a gente estava cansado de procurar. Não gostei muito do lugar: estava lotado, a gente teve que ficar espremido, o banquinho em que eu estava era muito bambo e os garçons não eram nada simpáticos (estávamos em 5 mas só 3 queriam beber, e eles não deixaram, exigiram que todo mundo pedisse algo). Apesar disso, a bebida era boa: no fim das contas, a gente pediu 10 doses de absinto, e eu acabei tomando duas. Nunca tinha tomado absinto antes, achei muito bom! O gosto da bebida é bom, ele deixa uma sensação boa na boca (além de uma sensação de anestesiar a língua se você demora pra engolir, aprendi na prática...); sei lá, acho que, quando você toma o absinto, ele dá uma mistura de sensações que é diferente de tudo o que eu já tinha sentido ao beber algo antes, e foi bom por ser diferente. Bom, enfim, foi a nova bebida da semana =D

E, no domingo à noite, depois de passar à tarde em casa, fui jantar com o Mineiro (num restaurante na rue du Pot-de-Fer, a propósito), pra botar o papo em dia. A janta tava boa, pudemos colocar o papo em dia (acho que fazia umas 3 semanas já que eu nun via o Mineiro), e ainda andamos um bocado por Paris depois, antes de voltar pra casa. Inclusive, duas novidades com relação à RATP: na ida, eu finalmente peguei um RER novo! Há um bom tempo já que eu via esses trens novos que circulavam na linha B do RER, mas nunca tinha pego um, só os trens velhos e caindo aos pedaços quase. E esses novos são muito bons! Na verdade, é só uma reforma do velho, mas que reforma: iluminação bem mais clara, mudança do espaço para colocar malas (afinal, o trem passa pelos dois principais aeroportos da região parisiense), bancos 100% novos, pintura 100% nova, uma maravilha! E a outra novidade é que, depois de 2 anos, 3 meses e 5 dias na França andando de transporte público com até que uma boa freqüência, eu finalmente tive meu bilhete controlado! Conversando com o Mineiro, eu tinha falado que eu até que via de vez em quando controladores no metrô, mas nunca no sentido que eu estava pegando, e ainda não tinha sido controlado apesar de tanto tempo na França, e ele falou que os controladores normalmente deveriam ficar só nos horários de pico e que, por exemplo, à noite assim, era quase impossível de se ver um controlador. Pois não é que, minutos depois, às 10 pra meia-noite de um domingo, pegando o trem pra voltar pra casa, a gente não topa de cara com controladores, pegando a conexão entre o RER C e o B em Saint-Michel?! Ironia é pouco!! (O fato de o Mineiro estar sem bilhete, de eu ter percebido a presença dos controladores pela voz deles antes de eles nos verem e de a gente ter saído de fininho pro Mineiro pegar um bilhete e validá-lo na catraca antes de passar pelos controladores é mero detalhe...)

E, bom, foi esse o meu fim de semana por aqui. Agora é mais uma semana de trabalho, que promete, tenho várias metas pro estágio essa semana! =D
Inté! \o_

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