E 2011 acabou! Tá, não acabou de fato ainda, eu sei, é Natal, ainda tem uma semana pro Ano Novo, mas, pra todos os fins práticos, já podemos dizer que falta pouquíssimo pra acabar, né?
Bom, e então, o que dizer de 2011? Olha, devo admitir que 2011 foi um ano que me surpreendeu, porque eu não esperava que pudesse ser tão bom assim! Que o digam os meus posts do começo do ano! Também, pudera, não é fácil começar um ano sem saber em que país você vai terminá-lo, se você vai estar formado ou não, como vai estar sua vida pessoal e se você vai conseguir aproveitar bem seu tempo nos 365 dias que seguem.
E foi por tudo ter dado tão certo que 2011 me surpreendeu. Aquele desânimo que eu estava com os estudos no final de 2010 passou quando começaram os primeiros cursos de 2011 com matérias bem mais interessantes, bem mais palpáveis pro meu nível e bem mais perto do que quero estudar pro resto da vida - e o resultado foram melhores notas e eu ter finalmente conseguido um estágio, o que também já me preocupava um bocado no finzinho de 2010 e no comecinho de 2011.
Mas não foi só a falta de motivação nos estudos que foi resolvida em 2011. Porque, bom, essa história do que fazer depois do final da Polytechnique me preocupava. Ficar na França? Voltar pro Brasil? Porque o meu medo era apostar tudo em voltar pro Brasil e, chegando aqui, descobrir que eu teria que ficar muito tempo a mais aqui até eu me formar... ter que cursar muitas matérias diferentes daquilo que eu pretendo fazer pelo resto da vida... enfim, essa idéia de voltar para o Brasil me preocupava, e eu, desesperado, acabei pensando em mil soluções, desde ficar na França e abandonar meu diploma da USP até fazer malabarismos acadêmicos pra acabar o curso (não necessariamente Engenharia Elétrica em São Carlos...) em um ano. E qual não foi a minha surpresa então quando eu recebi um e-mail me dizendo que eu terminaria meu curso em 6 meses, cursando apenas 14 créditos de disciplinas, mais o TCC!! Ou seja, não só eu terminaria meu curso bem rápido, mas eu também teria tempo livre, pra fazer mais cursos, pra dar aulas de francês, pra fazer iniciação científica, pra dar monitoria, pra ter vida social... tá, no fim das contas, eu superestimei meu tempo livre e peguei coisas demais pra fazer, mas ainda tive um segundo semestre e tanto esse ano, e, das apreensões que eu tinha ao voltar para o Brasil, nenhuma delas foi de fato um problema (tirando, claro, o fato de que não se fala francês por aqui, car la langue française me manque beaucoup, comme tout le reste de la France, d'ailleurs!).
E tudo bem que a minha grande preocupação quanto ao estágio de pesquisa na Polytechnique era conseguir um estágio, mas eu não imaginava conseguir um tão bom assim! Primeiro que o tema era a minha cara, era em controle, com várias sutilidades, uma questão aparentemente simples com uma resposta nada trivial! Segundo que o desenvolvimento foi do jeito que eu queria: trabalhando a maior parte do tempo em casa, eu, várias folhas de papel, um lápis, e nada mais. Encontrando com os orientadores uma vez por semana, mudando de caminho, testando várias idéias, até, um dia, eu chegar na sala de um dos orientadores e poder falar que um dos caminhos que a gente tinha tentado aparentava ter dado certo. E deu mesmo. Ou seja, 2011 me rendeu, além de tudo, meu primeiro teorema e meu primeiro artigo! (tá, o artigo ainda não foi publicado, né, mas já foi submetido, é o primeiro passo!). Já estaria ótimo se tivesse sido só isso, né? Mas não, porque, além de tudo, recebi, no meio de outubro, a notícia de que o meu estágio havia recebido um dos Grandes Prêmios do Estágio de Pesquisa da Polytechnique! Um prêmio pelo primeiro projeto de pesquisa que fiz! Uma medalha enooorme, lindona, recebida durante uma cerimônia na Polytechnique na qual apresentei meu estágio. Sim, uma cerimônia na Polytechnique: depois de meio semestre no Brasil, pude voltar pra França durante uma semana pra receber o prêmio e passear um pouco em Paris, tudo isso durante uma semana em que eu tinha poucas aulas na USP e poderia viajar tranüilamente. E com as passagens reembolsadas pela Polytechnique! Alguma dúvida de que eu escolhi o estágio certo?! =D
Outra coisa que me dava medo era como seria a minha vida social em um ano de tantas mudanças. Primeiro, sair da Polytechnique; tudo bem que a Polytechnique não era o melhor lugar do mundo para se desenvolver uma vida social ultra-ativa, né (oi, vida social em uma escola militar de engenharia isolada no alto de um planalto? pois é...), mas eu não fazia a menor idéia de como seria durante o estágio e como seria a volta para o Brasil. E, no fim das contas, foi ótimo. Meus três meses de estágio entram na minha memória como um tempo em que, além de fazer o estágio, eu saía todos os fins de semana, via meus amigos com freqüência, passeava bastante em Paris, enfim, fazia tudo o que eu queria, eu tinha uma vida, fazia meu estágio e estava feliz com isso. A imagem grava em minha mente é de eu mesmo, andando de bike em Paris de madrugada, voltando de uma das nossas soirées entre amigos, passando pelas principais ruas de Paris no meio da madrugada até chegar em Vincennes, onde eu morava.
E, apesar de eu ter ficado muito triste por deixar essa vida para trás no meio do ano e voltar para o Brasil, no fim das contas a minha vida no Brasil também foi tão boa quanto! Eu até fui no Tusca esse ano! Fui em algumas festinhas em São Carlos, também aproveitei pra ir festar em São Paulo, encontrei-me várias vezes com meus amigos de Cândido Mota, e a única coisa que faltou mesmo foi marcar um Nerd Xurras, mas ainda temos 2012 pra isso! Devo admitir que voltar pro Brasil me surpreendeu também; achei que minha vida aqui ia ser bem mais paradona que na França, que eu ia ficar mais em casa, dormir mais, ficar à toa aos finais de semana, mas não foi muito assim não, e tenho a impressão de que aproveitei muito bem esse semestre por aqui!
No fim das contas, o saldo de 2011 foi positivíssimo! E, se foi tão bom assim, eu só tenho a agradecer a todos que estiveram comigo nesse ano - amigos, família, professores -, que tiveram um papel fundamental pra que eu tivesse um ano tão bom assim! Afinal, um ano bom não se constrói sozinho, né!
E agora, o que esperar para 2012? Acho que vai ser difícil eu conseguir um ano que supere 2011, mas ainda nem sei direito o que esperar. 2012 vem com mais um semestre aqui no Brasil, com a esperança de voltar para a França, e com muitas mudanças na vida que vão me levar só Deus sabe pra onde. Mas, se as mudanças que eu previa para 2011 me davam medo, essas que espero para 2012 me deixam animado; afinal, um 2011 tão bom só pode me deixar otimista!
E, para quem não acredita que livros possam mudar vidas, só deixo dois exemplos: este e este. Dois livros que eu li no mesmo dia em fevereiro deste ano e que me fizeram mudar um pouco a forma com que vejo o mundo. Não pelos livros em si, mas pelo que eles representaram para mim.
Bom, a todos os leitores deste blog (se é que ainda há algum, depois de tanto tempo de inatividade), boas festas de fim de ano e um excelente 2012! \o_
domingo, 25 de dezembro de 2011
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